Índice sobe apenas 0,07% no mês, acumula 3,44% no ano — o menor patamar desde 2022 — e recua para 4,44% em 12 meses; ata do Copom reforça que o juro alto está funcionando, mas sinaliza que a sequência de cortes tem prazo de validade
O IPCA de julho, divulgado nesta manhã, subiu apenas 0,07%. O número veio um pouquinho acima do que o mercado esperava, mas segue sendo uma inflação muito baixa: depois dos 0,16% de junho, o país fecha dois meses seguidos com inflação praticamente zero. São duas leituras muito boas em sequência, o tipo de resultado que não se via há bastante tempo.
O acumulado também melhorou. De janeiro a julho, o índice soma 3,44%, a menor taxa para o período desde 2022. E, em 12 meses, a inflação caiu para 4,44%, abaixo dos 4,50% que marcam o teto da banda da meta — lembrando que a meta é de 3%, com intervalo de 1,5 ponto para cima e para baixo. Fazia tempo que o IPCA não voltava para dentro do intervalo.
Uma abertura favorável
Mais importante do que o número cheio é a qualidade da abertura. A deflação de alimentos e bebidas se intensificou, com queda de 0,67% no mês. Vestuário recuou 0,66%. Transportes ficaram muito próximos de zero, com variação de 0,05%. O único destaque de alta relevante foi habitação, que passou de 0,63% para 0,99%. No conjunto, é uma abertura bastante favorável, com desinflação espalhada por grupos que pesam no orçamento das famílias.
A ata do Copom: o juro está funcionando
Também nesta manhã saiu a ata do Copom. A mensagem principal é que a política monetária restritiva está surtindo efeito — ou seja, o juro alto está funcionando e a desinflação em curso é, em boa medida, resultado dele.

