Ceará concentra desmatamento na Caatinga e mantém alerta para conservação do bioma

Apesar da redução de aproximadamente 23% na área desmatada em relação a 2024, o Ceará permaneceu entre os estados com maior pressão sobre a vegetação nativa brasileira em 2025. O estado ocupou a quarta posição no ranking nacional de alertas de desmatamento, com 4.584 registros, e contabilizou 27.077 hectares de vegetação nativa suprimidos, toda a área localizada na Caatinga. 

Cerca de 78% da área desmatada no estado apresenta fortes indícios de irregularidade, segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), divulgado pelo MapBiomas Alerta. 

Outro ponto destacado pelo levantamento foi que, das três Unidades de Conservação (UCs) que possuem o maior desmatamento, duas ficam localizadas no Ceará.

Entre os municípios cearenses, Barro apresentou a maior área desmatada no período. Em outro recorte do estudo, o estado lidera o desmatamento de áreas de restinga no Brasil, com destaque para os municípios de Cruz, Camocim e Aquiraz. 

Contraste com o panorama geral

Os dados contrastam com o cenário nacional. Em 2025, o Brasil reduziu em cerca de 21% a área desmatada, registrando menos de 1 milhão de hectares de vegetação nativa suprimida pela primeira vez desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, em 2019. 

Apesar da queda, o relatório evidencia que o desmatamento continua sendo um dos principais desafios para a conservação dos biomas brasileiros. Na Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, a diminuição da área desmatada representa um avanço, mas ainda exige o fortalecimento de políticas públicas, da fiscalização e de iniciativas voltadas à conservação e à recuperação de áreas degradadas. 

No Nordeste, a proteção da Caatinga segue como prioridade. O bioma concentra a maior parte dos alertas de supressão de vegetação nativa da região e exerce papel estratégico na conservação da biodiversidade, na segurança hídrica, na regulação do clima e na manutenção dos modos de vida das populações do Semiárido. 

Para o diretor executivo da Associação Caatinga, Daniel Fernandes, os resultados mostram que, apesar dos avanços registrados no País, a conservação da Caatinga ainda demanda esforços contínuos.

“A redução do desmatamento é uma notícia importante e demonstra que os esforços de monitoramento, fiscalização e conscientização podem gerar resultados concretos. No entanto, os números mostram que a Caatinga continua sob forte pressão. Precisamos ampliar as ações de conservação, fortalecer as áreas protegidas, promover a restauração ambiental e incentivar atividades produtivas compatíveis com a conservação do bioma”, declara Daniel.

Associação Caatinga amplia ações de conservação 

Há mais de duas décadas, a Associação Caatinga desenvolve iniciativas voltadas à conservação do único bioma exclusivamente brasileiro, integrando proteção da biodiversidade, pesquisa científica, educação ambiental e engajamento comunitário.

Entre as principais frentes de atuação está a gestão da Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Ceará. A unidade é referência na proteção da fauna e da flora da Caatinga e também apoia pesquisas científicas e ações de valorização do bioma.

Por meio do projeto No Clima da Caatinga, realizado em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, a associação já plantou 117.760 mudas de espécies nativas nas fases anteriores da iniciativa. A quinta etapa do projeto, iniciada em 2025, prevê o plantio de mais 8 mil mudas.

Metade das mudas será destinada à própria Reserva Natural Serra das Almas. As outras 4 mil serão plantadas em comunidades rurais de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI), em sistemas agroflorestais conduzidos por famílias parceiras, priorizando espécies nativas da Caatinga e frutíferas.

Além do reflorestamento, o projeto desenvolve ações de restauração ambiental, conservação de espécies ameaçadas e promoção de práticas sustentáveis no Semiárido. As iniciativas contribuem para a recuperação de áreas degradadas, a valorização da biodiversidade e o fortalecimento da adaptação climática das comunidades atendidas.

“Preservar o bioma é proteger sua biodiversidade, garantir a segurança hídrica, fortalecer a resiliência às mudanças climáticas e promover qualidade de vida para as atuais e futuras gerações”, conclui Daniel Fernandes.

 

Curta e compartilhe:

Ana Júlia Silva

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *