O Consórcio Nordeste realizará, entre os dias 24 de agosto e 4 de setembro, duas missões internacionais que reforçam a estratégia de inserção da região nas discussões globais sobre clima, desenvolvimento sustentável e inovação.
A delegação participará da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17/UNCCD), na Mongólia, e cumprirá agenda institucional na China voltada à cooperação técnica, ao financiamento climático e à transferência de tecnologia para a transição ecológica.
As missões, aprovadas pelos governadores durante Assembleia Ordinária do Consórcio Nordeste realizada na última segunda-feira (3), têm como objetivo ampliar parcerias internacionais, mobilizar recursos para o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE) e fortalecer a estruturação do Fundo Caatinga.
A iniciativa também busca ampliar o acesso a recursos internacionais, fortalecer parcerias estratégicas e apresentar o Semiárido brasileiro como uma referência em soluções para regiões áridas e semiáridas.
Entre as experiências estão os programas de cisternas para segurança hídrica, iniciativas de restauração da Caatinga e ações baseadas em Soluções Baseadas na Natureza (SbN), desenvolvidas ao longo de décadas e consideradas exemplos de adaptação às mudanças climáticas.
“Ao levar essa agenda à COP17 e à China, o Consórcio pretende projetar internacionalmente experiências desenvolvidas no Semiárido, como as tecnologias sociais de acesso à água, a restauração da Caatinga e as Soluções Baseadas na Natureza, associando esses ativos à busca por financiamento climático e cooperação técnica”, disse Carlos Gabas, secretário-executivo do Consórcio Nordeste
Agenda na COP17
A participação na COP17, que este ano terá como tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”, inclui uma série de reuniões bilaterais com organismos multilaterais, instituições financeiras e representantes de governos.
Um dos principais momentos será o evento oficial “Restoring for Prosperity: The Caatinga, the Semiárid Region, and Climate Finance”, programado para 25 de agosto na Blue Zone da conferência.
Na ocasião, o Consórcio Nordeste formalizará um Memorando de Entendimento (MoU) com o Secretariado da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
Segundo o Consórcio, será o primeiro acordo desse tipo firmado entre o organismo internacional e uma instância subnacional brasileira, abrindo caminho para cooperação técnica permanente, desenvolvimento de estudos e maior aproximação com mecanismos internacionais de financiamento climático.
A agenda prevê ainda encontros com representantes do Banco Mundial, Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), ICLEI East Asia, Instituto de Desenvolvimento Sustentável da França (IRD) e da Administração Nacional de Florestas e Pastagens da China.
Cooperação com a China
Após a conferência da ONU, a delegação seguirá para a China, onde cumprirá agenda institucional em Pequim e realizará visita técnica ao Deserto de Kubuqi, reconhecido internacionalmente pelos projetos de recuperação de áreas degradadas e controle da desertificação.
A missão está estruturada em três frentes: fortalecimento das relações governamentais, prospecção de financiamentos e intercâmbio tecnológico.
Entre os compromissos previstos estão reuniões com a Embaixada do Brasil em Pequim, o Ministério de Ecologia e Meio Ambiente da China, a Administração Nacional de Florestas e Pastagens, a Universidade Agrícola da China e o China World Bank Global Center for Ecological Systems and Transitions.
Também fazem parte da agenda encontros com o Foreign Environment Cooperation Centre (FECO) e o Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), voltados à discussão sobre mecanismos de financiamento climático e modelos de blended finance para projetos estratégicos do Nordeste.
Internacionalização
As missões integram a estratégia de internacionalização do Consórcio Nordeste e buscam ampliar a inserção da região em redes globais de cooperação voltadas à transição ecológica.
Além da captação de recursos, o objetivo é fortalecer o intercâmbio tecnológico e apresentar o Semiárido brasileiro como um território capaz de oferecer soluções para desafios relacionados à desertificação, adaptação climática e desenvolvimento sustentável.
A iniciativa conta com o apoio do Banco do Brasil, Fundação Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Open Society Foundations (OSF) e ICLEI América do Sul.

