Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam cabeça a cabeça quem vai ser o próximo Presidente da República para os próximos quatro anos, não foram à sessão histórica do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, nesta terça-feira, dia 15 de setembro.
A sessão analisou e julgou o relatório que exigia da Corte decidir se levaria a julgamento pedidos de investigação sobre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, tendo como pano de fundo as questões envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
Mas, mesmo fisicamente ausentes, sem bandeiras, adesivos e jingles de campanha, a presença dos dois, e o que eles representam nas eleições de 4 de outubro próximo, ocupou cada espaço disponível na sessão, apesar de algum esforço, disfarçado, de “eleitores” ali presentes, cada um com sua camisa partidária, sem rodeios e sem receios.
A cerimônia inicial foi de pompa, digna de tudo que a instituição merece, ou deveria merecer. Já na abertura dos trabalhos, na leitura do relatório que motivou a sessão, o ministro Edson Fachin, presidente da Casa, com serenidade, enfatizou, entre outras coisas, que “nada fará um Supremo menor”; as discordâncias são normais e o debate também. O desrespeito e a indisciplina, não.
Bate-bocas e deselegância
Depois de mais de 8 horas de debates, bate-bocas, discordâncias e citações nada elegantes entre os juízes togados, a sessão teve um pedido de vista do ministro Flávio Dino, encerrando com quatro votos a favor e três contra, para que sejam julgados separadamente.
Como sempre acontece, um percentual elevado da sociedade civil, que a tudo assiste pela TV e outras fontes, pouco entendeu o que ali estava sendo julgado, mas sabe para quem está torcendo, simples assim.
Clima eleitoral
Bolsonaristas pedindo a cabeça de Alexandre de Moraes, e petistas excomungando André Mendonça, para eles enviado de Satanás para tirar Lula do poder.
Chamar o que aconteceu no evento de cenário macabro seria exagero, mas há quem até ache adjetivo pior.
A desculpa
Testemunho absoluto dessa verdade veio da própria ministra Cármen Lúcia, que foi a última a votar, se desculpando publicamente pelo dia nada consagrador vivido pelo Supremo Tribunal Federal, nos últimos tempos alvo de pesadas críticas, contrariando um histórico outrora lembrado com orgulho.
Rumo incerto
Para analistas políticos e entidades que lidam com o meio jurídico, ficou evidente o sinal de preocupação das correntes partidárias, de alguma forma presentes nas afirmações de cada ministro, mesmo que nenhum deles tenha se manifestado abertamente ou feito referência às eleições de outubro.
Durante os debates, o ministro Gilmar Mendes, por exemplo, chegou a considerar uma desfaçatez algumas atitudes de André Mendonça, insinuando atitudes dele ligadas a correntes políticas.
Agora, sem data para que um novo julgamento aconteça, e com as eleições batendo à porta do cidadão ainda em dúvida sobre a escolha do candidato, episódios como esse apenas aceleram o clima de tensão e incertezas.
Resultado negativo
Para o Brasil, para as eleições e para o Supremo Tribunal Federal, o resultado de tudo isso é altamente negativo, aumenta a dose de desânimo que a comunidade já adota sobre essas questões, com tristeza.
Os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro, hoje na mira do eleitorado Brasil afora, ficaram distantes do julgamento, nem por lá apareceram. Mas foram vistos em cada canto, assustados e cada um com seu demônio amordaçado.
José Natal
Jornalista

