O Ceará entrou na rota de uma articulação internacional que pretende transformar a relação comercial com o Canadá em um corredor de Economia Azul, conectando empresas, universidades, centros de pesquisa e governos dos dois países para ampliar negócios na pesca, aquicultura e tecnologia oceânica.
A iniciativa é liderada pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), que aproxima o estado da província de Nova Scotia, uma das principais referências mundiais em pesquisa marinha e inovação voltada à economia do oceano. O objetivo é estimular investimentos, intercâmbio tecnológico e o desenvolvimento de novos negócios de maior valor agregado para a cadeia do pescado.
A movimentação ocorre em um momento de expansão do comércio bilateral. Entre 2023 e 2025, as exportações de pescado do Ceará para o Canadá cresceram 291%, passando de US$ 525 mil para US$ 2,05 milhões. No mesmo período, as vendas brasileiras ao mercado canadense aumentaram 167%, alcançando US$ 7,3 milhões.
Em 2024, o Ceará respondeu por cerca de 25% das exportações brasileiras de pescado e consolidou a liderança nacional na aquicultura marinha, fatores que colocaram o estado no centro da estratégia da CCBC.
“O Ceará historicamente está muito associado ao desenvolvimento social e econômico ligado às atividades oceânicas. Quando identificamos o Canadá como um mercado estratégico, percebemos que havia uma complementaridade muito clara entre os dois ecossistemas”, afirma Igor Gonçalves, coordenador do Chapter Ceará da CCBC e idealizador da iniciativa.
A proposta prevê a aproximação de empresários, instituições de pesquisa e órgãos públicos com entidades canadenses como a Dalhousie University, o Bedford Institute of Oceanography e o COVE, hub de tecnologia oceânica instalado no Porto de Halifax.
Segundo Gonçalves, a Economia Azul foi escolhida como eixo da aproximação por oferecer resultados comerciais mais rápidos. “A blue economy pode ser a melhor ferramenta de aproximação imediata porque fala de relações comerciais com grande potencial de complementaridade”, destaca.
Além da ampliação das exportações de peixes e crustáceos, a iniciativa prevê oportunidades em processamento de pescado, inovação tecnológica, pesquisa aplicada e atração de investimentos.
Para o diretor-presidente da CCBC, Hilton Nascimento, a parceria pode abrir espaço para novos empreendimentos entre os dois países.
“Estamos conectando duas regiões com vocação marítima muito forte. O Ceará traz capacidade produtiva e Nova Scotia agrega tecnologia, pesquisa e inovação. Essa combinação pode gerar resultados muito relevantes para a Economia Azul.”

