Bahia ajusta políticas sobre a nova mídia

Veículos de comunicação se unem e criam MIDIACOM Bahia para definir novo planejamento e combater Fake News

Por Walter Santos

O universo da comunicação da Bahia está dando demonstração de estar sabendo construir meios alinhados e convergentes para agir com nova cultura de autossustentação dos veículos e profissionais, mas valorizando a força do segmento. Esta é a síntese da nova missão do presidente da MIDIACOM Bahia, Augusto Cunha Lima, anunciando novas estratégias de mercado.

Revista NORDESTE – O mundo vive a influência decisiva das mídias digitais no universo da comunicação global, em particular do Brasil e do Nordeste. Como o senhor na condição de futuro diretor presidente da MIDIACOM, a partir da Bahia, encara o desafio de fortalecer os veículos de comunicação, inclusive digitais, nessa conjuntura?

Presidente Augusto Correia Lima – A MIDIACOM Bahia nasceu com o objetivo de fortalecer a comunicação baiana — rádio, TV, jornais e plataformas digitais. Encaramos o desafio para que as especificidades regionais sejam consideradas nas decisões, estimulando a integração comercial e tecnológica entre os associados, fomentando parcerias que reduzam custos e promovam investimentos em tecnologia e em ferramentas de monetização próprias. Assim, fortalecemos tanto a presença digital quanto a sustentabilidade das operações tradicionais.

NORDESTE – O mundo analógico precisou adaptar-se à cultura digital há anos. O que o senhor propõe para a mídia tradicional renovada?

Augusto Correia Lima – Proponho um processo prático e contínuo de transformação que combine preservação de valores jornalísticos com inovação. Os conteúdos devem ser pensados para rádio, TV e redes (multiplataforma), investir em dados e métricas de audiência locais, e desenvolver modelos de receita híbridos (assinaturas, patrocínios regionais, branded content, etc). É essencial capacitar cada vez mais equipes no digital mantendo o compromisso com verificação e com a credibilidade que são o diferencial da mídia tradicional.

NORDESTE – Objetivamente, o senhor convive com a nova mídia, mas convive há tempos com veículos tradicionais. Qual a fórmula de ajustar e agregar valores comuns?

Augusto Correia Lima – Temos que cada vez mais criar produtos conjuntos para todas as mídias que valorizem o conteúdo local, a sociedade contemporânea exige uma comunicação 360 graus, um simples panfleto fala com o consumidor com uma eficiência semelhante ou até maior que um super anúncio online produzido por IA, o target define o veículo.

NORDESTE – Para quem não lhe conhece, como o senhor define sua história de executivo vitorioso Augusto Correia Lima? De onde vens e para onde vais?

Augusto Correia Lima – Sou publicitário de formação, fui diretor de agência de propaganda com abrangência no Nordeste durante muitos anos, diretor de Jornais, TVs e rádios nos estados da PB, RN, AL, PI e MA. Hoje sou diretor regional da Band Norte /Nordeste. Meu foco é resultado e inovação. Penso que sempre procurei ter uma visão estratégica e proximidade com equipes e parceiros. Pretendo manter esse rumo: consolidar a MIDIACOM Bahia como plataforma de defesa e desenvolvimento do setor.

NORDESTE – Os dados da história comprovam que a BAND Salvador deflagrou processo relevante na cobertura do Carnaval do Brasil, a partir da Bahia. O que tudo significa do ponto de vista mercadológico e financeiro?

Augusto Correia Lima – O Grupo Bandeirantes foi o primeiro a acreditar e mostrar o talento, a música, os artistas e principalmente a alegria do povo baiano. Através das lentes da Band o carnaval da Bahia foi transmitido para o mundo. O Band Folia se tornou referência para artistas e anunciantes. Além disso, o evento fortalece o relacionamento com o mercado local de turismo, comércio e poder público, criando oportunidades de projetos conjuntos e sustentabilidade comercial ao longo do ano.

Augusto Correia Lima

NORDESTE – Estamos concluindo a nova Copa do Mundo nos EUA, México e Canadá. Qual o saldo de audiência a partir do Nordeste? Como a BAND se prepara para Copa Feminina?

Augusto Correia Lima – Para a Copa Feminina, a Band vai investir em planejamento editorial, equipe de transmissão especializada e estratégias multiplataforma para ampliar o alcance: conteúdos pré e pós-jogo, perfis de atletas nordestinas, integração com rádios locais e ativações comerciais específicas para patrocinadores interessados no público feminino e jovem. A meta é transformar audiência em engajamento contínuo e oportunidades comerciais para todas as plataformas.

NORDESTE – Na sua avaliação, o que representa o conjunto de mídias nordestinas na nova fase do Brasil?

Augusto Correia Lima – As mídias nordestinas são essenciais para a diversidade que é o Brasil. Representam um mercado culturalmente rico, com grande poder de mobilização e influência em debates sociais, econômicos e políticos. O Nordeste continua crescendo acima da média de outras regiões, sendo uma grande oportunidade não só para investimentos no setor de comunicação, como também, para diversos setores.

NORDESTE – Por fim, qual o tamanho do PIB da mídia nordestina na conjuntura e o que o senhor propõe para a mídia dos 9 estados?

Augusto Correia Lima – De acordo com o CENP -Meios que calcula o investimento em publicidade no Brasil, em 2025 o Nordeste movimentou cerca de 1.3 bilhão em investimentos publicitários, muito embora acredito que estes números são bem maiores, visto que, esses são valores são movimentados e aferidos exclusivamente por agências de propaganda.

*Entrevista publicada na edição 234 da Revista NORDESTE.

 

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Ana Júlia Silva

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