À luz da razão, nenhum adversário, político ou não, precisará de muito empenho na busca de argumentação para um embate, que tenha como objetivo qualquer dano à campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A própria família, aliados e amigos próximos, já cuidam disso com invejável competência.
Aos desinformados que chegaram agora, ou aos admiradores de ocasião, aqui algumas sugestões para que se apoderam de vez do robusto conteúdo gerado, inclusive por aqueles outrora insuspeitos, hoje nem tanto. Essa busca pode ser rápida, e sem transtornos.
Pela rede social, dos Estados Unidos, e com requintes de sutileza chique, o irmãozinho mimado, Eduardo Bolsonaro dispara críticas e ironias a postura da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, quase que impondo a ela, por ser quem é, um sacro silêncio, nada que possa gerar dúvidas quanto às atitudes pessoais do irmão candidato.
Agora, devidamente juramentado e agasalhado pela manta protetora do Green Card, o ex-parlamentar sem correr riscos de ser importunado pela imigração americana, se vê ainda com mais gana e ânsia de poder.
A seu lado, vizinho de moradia ou parceiro de eventos sociais, Paulo Figueiredo (o neto do General), sem papas na língua, pede às mulheres que se calem quando o assunto é eleição. Segundo ele, mulher não sabe votar, e quando vota obedece ao marido. Uma peça de campanha “valiosa” para Flávio junto ao eleitorado feminino, que agradece o incentivo.
As “contribuições” não param por aí. Tereza Cristina (72 anos), engenheira agrônoma, empresária, senadora da república e ex-ministra da Agricultura do Governo Bolsonaro, com diplomacia e elegância (e sabedoria), recusa o convite feito a ela pelo candidato Flávio para ser vice na sua jornada rumo ao Planalto. A ex-ministra, talvez o melhor quadro do Governo bolsonarista, sinaliza com o gesto, extrema sensibilidade e percepção quanto ao futuro e resultados que dele virão.
Do ambiente parlamentar, de onde o peso de qualquer integrante sempre deve ser levado em consideração, o respaldo ao nome do candidato deixa muito a desejar. O primeiro a esboçar cara feia e desprezo a candidatura de Flávio foi o Senador Ciro Nogueira (PP – PI), gesto que, sem esconder de ninguém, já repetiu com argumentações fundamentadas.
A cereja do bolo, no sentido inverso, sobre essas avaliações nada consagradoras para o candidato, vem do próprio presidente do PL (Partido Liberal), Valdemar Costa Neto, que assume com todas as letras, que a indicação prematura (e açodada) de Flávio Bolsonaro à presidência aconteceu na hora errada.
A alguns aliados, Valdemar admite que terá muitas dificuldades durante a campanha. Como se nada estivesse acontecendo à sua volta, e até com alguma arrogância, Flávio Bolsonaro contesta críticas a ele, nega acusações sobre ligações com Daniel Vorcaro e, em momento algum, esboça mudanças de rumo ou nas estratégias de campanha.
Sua última “brilhante” atuação foi diante de dezenas de diplomatas (e embaixadores), em Brasília, uma vez mais levantando suspeitas sobre o sistema de votação aplicado no Brasil. O fato, para alguns bizarro, e para a maioria, inoportuno e ridículo, de imediato lembrar o que fez Jair Bolsonaro no dia 18 de julho de 2022 quando, sem provas, acusou a justiça eleitoral de burlar eleições, ou algo similar.
O resultado dessa atitude gerou consequências inesquecíveis para o futuro bolsonarista. O prazo final para as convenções, que vão homologar candidaturas, acontece no próximo dia 5 de agosto, juízo final para quem quer se candidatar.
Segundo fontes seguras, em Brasília, não há em curso nenhuma possibilidade para que se mude o nome do candidato indicado por Jair Bolsonaro à presidência da república. Mesmo que, segundo fontes, a vontade para que isso aconteça ainda persista.
José Natal
Jornalista

