Com quase 44 milhões de eleitores, Nordeste amplia peso na eleição e concentra disputas estratégicas em 2026

Por Luciana Leão

O Nordeste chega às eleições de 2026 ocupando novamente uma posição decisiva no tabuleiro político nacional. Com 43.529.845 eleitores aptos a votar, segundo o novo mapa eleitoral divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a região reúne 27,42% do eleitorado brasileiro e permanece como o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas do Sudeste.

Além do crescimento de 2,69% em relação às eleições de 2022, o levantamento revela outro dado importante: o Nordeste concentra o maior contingente de jovens eleitores do Brasil. São 1.315.104 pessoas com até 18 anos aptas a votar, justamente em um momento em que esse segmento encolheu 14,52% no país.

Os números ajudam a explicar por que a região continuará no centro da disputa presidencial. Desde 2002, o Nordeste representa a principal base eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, se o desempenho do petista costuma ser consistente na região, o cenário das eleições estaduais está longe de ser uniforme. Em boa parte dos estados, as pesquisas apontam disputas abertas, mudanças de liderança e forte competitividade.

Bahia: maior colégio eleitoral da região testa força do PT

Com 11,3 milhões de eleitores, sendo o quarto maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro,  a Bahia permanece estratégica na disputa presidencial.

Na corrida pelo governo estadual, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) busca a reeleição diante do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Levantamentos divulgados pelo Instituto Veritá, DataTrends e Paraná Pesquisas ao longo do primeiro semestre mostram vantagem para ACM Neto, variando conforme o instituto.

Na pesquisa mais recente do Paraná Pesquisas, o ex-prefeito aparece com 49,2% das intenções de voto, contra 37,5% de Jerônimo. Ao mesmo tempo, diferentes levantamentos indicam aprovação da gestão estadual acima de 50%, mostrando um cenário ainda sujeito a movimentações ao longo da campanha.

Ceará: retorno de Ciro embaralha a sucessão

No Ceará, a disputa ganhou novo componente com a filiação de Ciro Gomes ao PSDB e sua entrada na corrida pelo Palácio da Abolição. O ex-ministro enfrenta o governador Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição.

As pesquisas, porém, não apresentam um quadro consolidado. Enquanto levantamentos do Ipsos-Ipec e do Paraná Pesquisas colocam Ciro à frente, a AtlasIntel registra empate técnico no primeiro turno e vantagem do ex-ministro apenas em uma eventual segunda rodada. O cenário permanece entre os mais competitivos da região.

Pernambuco: disputa segue indefinida

Estado natal do presidente Lula, Pernambuco reúne uma das corridas mais equilibradas do Nordeste.

A governadora Raquel Lyra (PSD) disputa a reeleição contra o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Os levantamentos divergem. O Paraná Pesquisas aponta vantagem de Raquel dentro da margem de erro; o Datafolha coloca João Campos na dianteira; e a Folha/IPESPE registra praticamente um empate. A tendência é de uma campanha marcada pela alta competitividade até a reta final.

Maranhão: sucessão ainda em aberto

No Maranhão, a sucessão estadual também apresenta oscilações. O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), aparece na liderança em pesquisas divulgadas pela Quaest. Já levantamento mais recente do INOP mostra Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador Carlos Brandão, numericamente à frente, mas dentro da margem de erro.

A boa avaliação da administração estadual pode favorecer o candidato governista, embora o quadro permaneça indefinido.

Piauí: reeleição encaminhada

Entre os principais estados da região, o Piauí apresenta o cenário mais confortável para o atual governador. Pesquisas de diferentes institutos colocam Rafael Fonteles (PT) entre 63% e 72% dos votos válidos, desempenho suficiente para uma vitória em primeiro turno nas simulações divulgadas até agora. A aprovação do governo estadual permanece elevada, assim como a avaliação positiva do governo Lula no estado.

Rio Grande do Norte: pesquisas mostram mudança de cenário

O Rio Grande do Norte vive uma das mudanças mais significativas do calendário eleitoral. Até maio, Cadu Xavier, apoiado pela governadora Fátima Bezerra (PT), aparecia atrás dos principais adversários. Pesquisa AtlasIntel/94 FM divulgada nesta quarta-feira (22) mostra o petista liderando o primeiro turno, com 36,3% das intenções de voto, seguido por Álvaro Dias (PL), com 27,7%, e Allyson Bezerra (União Brasil), com 25,1%.

Nos cenários de segundo turno simulados pelo mesmo instituto, Cadu Xavier supera ambos os adversários. O levantamento também registra ampla vantagem de Lula na disputa presidencial no estado, reforçando o peso político do Rio Grande do Norte para o campo governista.

Alagoas: disputa sem protagonismo do PT

Em Alagoas, a eleição tende a ser polarizada entre lideranças de centro e centro-direita. O ex-governador e ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) retorna ao cenário estadual como um dos principais nomes da sucessão e tem como principal adversário, o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC). Até o momento, o PT não apresenta um candidato competitivo ao governo.

Sergipe: alianças ampliam influência do governo federal

Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD) lidera a maior parte das pesquisas contra Valmir de Francisquinho (Republicanos), embora alguns levantamentos indiquem empate técnico.

O que chama atenção é o alinhamento político. Mitidieri formalizou aproximação com o governo Lula, em abril deste ano, ilustrando uma estratégia que o Palácio do Planalto busca reproduzir em diferentes estados: ampliar sua base por meio de alianças com governadores de partidos de centro.

Análise

Para o cientista político Hely Ferreira, o Nordeste continuará sendo um dos principais focos da disputa presidencial por concentrar o maior reduto eleitoral da esquerda no país.

“O PT tenta manter essa hegemonia construída ao longo dos anos, enquanto os partidos de outras correntes ideológicas buscam avançar justamente na região que historicamente garante uma votação expressiva aos petistas”, afirma.

Hely ressalta, porém, que o desempenho dos governadores nem sempre acompanha a preferência do eleitor para a Presidência da República.

“Uma eleição estadual não necessariamente reflete a disputa presidencial, e o contrário também é verdadeiro. Em Pernambuco, por exemplo, Lula venceu a eleição presidencial, mas os candidatos que apoiou ao governo do Estado não foram eleitos. Foi um vencedor derrotado no plano estadual.”

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Luciana Leão

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