Em entrevista exclusiva à revista NORDESTE, empresário George Crispim, CEO da incorporadora GHC, avalia os desafios da expansão urbana da capital paraibana, fala sobre o mercado de alto padrão e defende planejamento, inovação e sustentabilidade como bases para o futuro da cidade.
Por Walter Santos
A repercussão internacional da cidade de João Pessoa como “boom” imobiliário atraindo muita gente de fora para morar na cidade tem levado empresários como George Crispim, CEO da GHC, a inovar na apresentação de novo negócio na oferta de imóveis com outro padrão de qualidade de vida. É o que veremos a seguir:
Revista NORDESTE – Como o senhor enxerga a conjuntura atual da construção civil e mercado imobiliário de João Pessoa diante do boom contextual em termos de autossustentação?
George Crispim: João Pessoa vive um dos momentos mais relevantes da sua história econômica e urbana. O crescimento que observamos não é fruto de um fenômeno isolado, mas da convergência de fatores sólidos: qualidade de vida, segurança, clima convidativo, infraestrutura em evolução e um mercado que ainda apresenta oportunidades competitivas quando comparado a outros grandes centros do Nordeste e do Brasil. Acredito que a sustentabilidade desse ciclo dependerá da capacidade de mantermos o equilíbrio entre crescimento, planejamento urbano e preservação dos atributos que tornam a cidade tão desejada. O mercado imobiliário continuará forte enquanto houver responsabilidade na oferta, inovação nos produtos e visão de longo prazo por parte dos agentes envolvidos.
NORDESTE – Na sua avaliação, como andam as regras conceituais e legais sobre gabaritos e outros modelos de referência na construção?
George Crispim: Toda cidade em desenvolvimento precisa discutir constantemente seus instrumentos de planejamento urbano. As regras de gabarito, ocupação e adensamento devem acompanhar as transformações da sociedade, sempre respeitando os princípios da sustentabilidade, mobilidade e qualidade de vida. Entendo que o debate deve ser técnico, transparente e orientado pelo interesse coletivo. João Pessoa tem a oportunidade de construir um modelo urbano moderno, capaz de conciliar crescimento econômico, preservação ambiental e valorização dos espaços públicos. O importante é que as decisões sejam tomadas com base em estudos consistentes e numa visão de cidade para as próximas décadas.
NORDESTE – O senhor acaba de chegar da Itália, onde foi consolidar intercâmbio de negócios que promete movimentar o mercado pessoense. Como traduzir o modelo desses entendimentos econômicos e conceituais?
George Crispim: A experiência na Itália reforçou uma convicção que temos na GHC: o futuro do mercado imobiliário está na combinação entre excelência estética, autenticidade e experiência de marca. O que buscamos não é simplesmente importar produtos ou tendências, mas construir conexões com empresas e profissionais que compartilham uma visão de qualidade, design e inovação. A parceria firmada com a Versace Ceramics é um exemplo disso. Ela representa a aproximação entre João Pessoa e o que existe de mais sofisticado no design internacional, criando empreendimentos capazes de oferecer uma experiência única aos clientes e elevar o padrão do mercado local.
NORDESTE – O mercado de João Pessoa ainda comporta propostas de luxo especializado em custo-benefício?
George Crispim: Sem dúvida. O conceito de luxo evoluiu. Hoje ele não está apenas relacionado ao preço, mas à exclusividade, à qualidade dos materiais, à inteligência dos projetos, à localização e à experiência proporcionada ao cliente. Existe um público cada vez mais exigente que busca valor real em suas escolhas. São pessoas que desejam sofisticação, mas também eficiência, funcionalidade e segurança patrimonial. Nesse contexto, João Pessoa apresenta um cenário extremamente favorável para empreendimentos que consigam equilibrar alto padrão e percepção de valor.

NORDESTE – Qual a atual realidade da GHC em investimentos concretos na cidade e o que ainda projeta para o futuro?
George Crispim: A GHC vive um momento de expansão consistente. Temos investido em projetos que buscam agregar valor urbanístico, arquitetônico e econômico à cidade, sempre com foco na experiência do cliente. Nosso olhar para o futuro passa pelo desenvolvimento de empreendimentos cada vez mais autorais, conectados às tendências globais e ao mesmo tempo alinhados à identidade de João Pessoa. Continuaremos investindo em inovação, tecnologia, sustentabilidade e parcerias estratégicas que fortaleçam o posicionamento da cidade no cenário nacional.
NORDESTE – Como a empresa disciplina a produção de projetos relevantes com base na arquitetura moderna e atualizada?
George Crispim: Acreditamos que a arquitetura deve ser atemporal. Por isso, nossos projetos nascem de um processo multidisciplinar que envolve pesquisa de tendências, estudo de comportamento do consumidor, análise de mercado e colaboração com profissionais de reconhecida competência. Mais do que seguir modismos, buscamos criar empreendimentos que permaneçam relevantes ao longo do tempo. Valorizamos a funcionalidade dos espaços, a integração com o entorno, a qualidade dos materiais e soluções que promovam bem-estar, eficiência e sofisticação.
NORDESTE – O que esperar em termos de qualidade de vida do ponto mais oriental das Américas?
George Crispim: João Pessoa reúne atributos cada vez mais raros no mundo contemporâneo. Temos uma combinação privilegiada entre natureza, clima, mobilidade relativamente favorável, beleza e potencial econômico.
O desafio dos próximos anos será crescer preservando essa essência. Se conseguirmos equilibrar desenvolvimento, infraestrutura e sustentabilidade, a cidade consolidará sua posição como um dos melhores lugares do Brasil para viver, investir e construir histórias. Acredito que estamos apenas no início de um ciclo de transformação que pode projetar João Pessoa para um protagonismo ainda maior no cenário nacional.
*Entrevista publicada na Edição 233 da Revista NORDESTE

