Sem alianças partidárias consistentes, em atrito constante com as principais lideranças do bolsonarismo, e ainda administrando o mau relacionamento com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o candidato do PL (Partido Liberal) à presidência da República, Flávio Bolsonaro, patina nas pesquisas, e, a pouco mais de 60 dias das eleições, inspira mais dúvidas do que confiança ao eleitor.
Vem de fontes da própria campanha do candidato um assumido pessimismo quanto ao futuro eleitoral, creditando a ele imaturidade política e ainda de se distanciar de possíveis aliados em caso de alianças para um eventual segundo turno.
As mesmas fontes criticam também a insistência do candidato de, com frequência, sinalizar desconfiança do sistema eleitoral brasileiro, na ilusória crença de que, de alguma forma, o Governo americano influenciará nas eleições do Brasil.
Nas redes sociais, nas entrevistas aos diversos veículos de imprensa e na mídia espalhada em múltiplas plataformas, o discurso do candidato é repetitivo, e traz sempre as mesmas alegações: se eleito, dará anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023, e livrará Jair Bolsonaro das penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal. E, como sempre faz, cita o Ministro Alexandre de Moraes como algoz do pai e de toda a família.
Aliados e amigos do candidato, agora já sem cerimônias e protocolos, cobram dele atitudes pontuais, anúncio de medidas que sinalizem melhoras na vida do cidadão, ou gestos similares.
Elegendo Lula da Silva como principal (ou único) adversário na disputa, falta ao candidato um discurso que estabeleça diferenças, apresente propostas coerentes com as reais necessidades do povo brasileiro, todas elas muitas vezes citadas nas pesquisas de opinião pública.
Outro fato motivou integrantes da campanha, e ganhou relevância no último fim de semana. No primeiro debate entre candidatos aos governos estaduais, realizado pela Rede Bandeirantes de Televisão, o nome do candidato Flávio Bolsonaro foi praticamente esquecido por todos aqueles de seu partido, e também de coligados.
Já os candidatos petistas e aqueles aliados a Caiado e Zema, em várias oportunidades, aproveitaram a exposição pela televisão, e, sem perda de tempo, anunciaram e elogiaram seus candidatos à presidência.
O representante do PL foi ignorado nos debates de Brasília, Rio de Janeiro, Goiás, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e em outras capitais, com pouca ou nenhuma citação. Para analistas, o fato preocupa, uma vez que a disputa pelos governos estaduais está diretamente ligada à campanha presidencial, inclusive financeiramente.
Nas capitais dos estados de maior densidade eleitoral, como São Paulo, Rio e Belo Horizonte, por exemplo, os candidatos aos governos presentes aos debates praticamente ignoraram a existência de Flávio.
O mesmo acontecendo em Brasília, onde a Governadora Celina Leão, que substituiu Ibanez Rocha no Palácio do Buriti, e agora tenta se eleger pelo PP (Partido Progressista), acuada pelos adversários, não citou o nome de Flávio Bolsonaro uma vez sequer.
Lula e Romeu Zema foram lembrados por Leandro Grass (PT) e Kiko Caputo (Partido Novo), que mencionaram virtudes e carreira política de seus candidatos à presidência.
As queixas avançam também quanto ao evidente isolamento do candidato, perdendo apoios políticos de nomes que, no atual momento da campanha, seriam de vital importância. Nas redes sociais, como é do conhecimento de todos, líderes conceituados como o Senador Ciro Nogueira (Partido Progressista), embora confirme apoio à candidatura do bolsonarista, pouco se manifesta sobre a campanha, está sempre distante do candidato, e não raro sinaliza gestos de descontentamento com atos políticos da campanha.
O mesmo acontece com o polêmico e influente Pastor Malafaia, tido como um dos mais ferrenhos bolsonaristas, mas, sobre a candidatura de Flávio, sua participação é distante, praticamente nula.
Os atos efetivos de campanha, como caminhadas, comícios, reuniões e eventos com eleitores começam a acontecer, legalmente, conforme determina o TRE (Tribunal Regional Eleitoral), a partir do próximo dia 16, em todo o Brasil, e a propaganda eleitoral pelo rádio e pela televisão, somente a partir do dia 28 deste mês de agosto.
Até lá, segundo aliados e partidários do candidato, o que se espera é que Flávio Bolsonaro mude atitudes e dê um novo seguimento à campanha. Algo positivo, é o que se espera.
José Natal
Jornalista

