Surge uma nova estrela na MPB

Juzé anuncia tourné no São João e participação em Musical sobre Alceu Valença; ele ascende a partir de João Pessoa e Fuba

Por Walter Santos

A renovação de talentos na Música Brasileira não para de apresentar novidades com perfis consistentes no modelo ser autor e intérprete qualificado. É o caso do multi artista paraibano de nome Juzé ascendendo com distinção na MPB. Leia a entrevista exclusiva:

Revista NORDESTE – Os registros existentes apontam para uma nova fase em sua carreira artística envolvendo música à base do estilo Forró em pleno mês de São João e ainda uma inserção sua na produção de um musical tratando da obra genial de Alceu Valença. Como definir e/ou traduzir essa inquietação?

Juzé – Eu sempre sonhei em trabalhar com o que amo. Sou um filho de Junho nascido no dia 6 do mês, fiz parte da banda Os Gonzagas, por muitos anos e sigo em carreira solo tem algum tempo. Fazer shows nessa época me alimentam tanto de energia e pertencimento. É quando eu realmente sei de onde eu vim. E falando do musical “Anunciação” que trata da obra do mestre e amigo, Alceu, é um presente. Sempre sonhei em fazer um musical e estrear com esse tema, parece que a vida gosta de mim, e eu gosto de viver isso. Retribuo com muita entrega e amor pela arte que faço.

Juzé e Elba Ramalho

NORDESTE – É comprovado que seu estilo de produzir artes atrai inspiração em personalidades nordestinos relevantes. Objetivamente, quem são esses personagens influenciadores?

Juzé – Tenho a sorte de cativar a atenção das minhas referências. Pontuando que as maiores que tenho são Elba Ramalho e Alceu Valença, na perfomance de palco como no estilo de cantar e comunicar com o publico. Cátia de França e Chico César pela obra poética e mestre Fuba por sua genialidade e por tudo que vivemos juntos. Gratidão ao destino da arte que nos uniu neste caminho de admiração e carinho.

NORDESTE – Seu “boom” enquanto artista se deu com sua participação em novela da Rede Globo interpretando

repentista chamando para novo capítulo ao lado Lukete. Como vc define esse impulso ocasional relevante?

Juzé – Aquilo foi mágico! Viver música e poesia todo dia, na maior janela de comunicação do meu país, que é a Rede Globo, ao lado de um artista também paraibano, levando nosso sotaque, nosso jeito e nossos signos pro Brasil, foi um abraço carinhoso em tudo que nos representa. Foi um presente pra nós e pro povo nordestino.

NORDESTE – Até onde a vista alcança, seus primeiros passos são vistos lá atrás no bloco “Muriçocas do Miramar” ao lado do Mestre Fuba. Como vc interpreta essa fase na sua formação artística?

Juzé – O Bloco Muriçocas do Miramar foi quem me deu régua e compasso. Me ensinou sobre cultura e economia criativa. Me fez amar a Paraíba culturalmente. Me deu crença na arte e na cultura popular do meu povo. Me transformou em carnaval e em história. Virei produtor e artista nesse movimento. Foi meu primeiro emprego e onde coloco muitos sonhos até hoje. Mestre Fuba é uma grande referência como já mencionei aqui. Mas também todo o povo que bota esse bloco na avenida. Se não fosse as Muriçocas do Miramar, eu não estaria aqui hoje. É isso!

NORDESTE – Voltando à produção das novidades. O que motivou e/ou impulsionou vc a começar pelo Nordeste, a partir de Monteiro, depois o Maior São do Mundo? 

Juzé – Os convites nos chegam de todo lugar, mas começar pelo cariri Paraibano, terreiro de tantos poetas, e do homem dono de uma das vozes marcantes de nosso povo, é como batizar a abertura desse caminho. Não poderia ser melhor ainda mais que foi no dia do meu aniversário! Só alegria!

NORDESTE – Que repertório próprio vc pretende apresentar mesclando canções famosas de outros autores?

Juzé – Gosto das versões que trazemos de grandes clássicos do cancioneiro nordestino. De modo que vou costurando nossa autenticidade nesses arranjos com músicas autorais e minhas poesias. É um passeio por épocas e cotidiano do nordeste. Me emociona e bate forte no peito desse poeta paraibano.

NORDESTE – E o musical sobre Alceu Valença. A informação é que está projetado para o Rio de Janeiro e Recife mas quando se estenderá para outros estados? 

Juzé – Não tenho esta informação. Mas pelo que estou sentindo e vendo da preparação e montagem, após a estreia vai rodar o mundo, pois está de uma beleza sem tamanho. A obra do mestre Alceu é irretocável, juntando com um elenco potente de grandes artistas e mais dramaturgia de Duda Rios e Luiza Loroza, direção musical de Rico Viana e Beto Lemos, e ainda por cima com direção de Duda Maia, que é genial, se preparem. Vem ai algo marcante e muito forte.

NORDESTE – Por fim, agora essas ações pontuais, o que esperar de inspiração e ocupação de mercado do talento Juzé?

Juzé – Esperem muita entrega e muito trabalho. Eu sou inquieto mesmo, quero fazer várias coisas ao mesmo tempo. Prometo sempre muita arte, poesia e música. Minha vida é entregar minha vida a esse destino. Quero lançar mais musicas novas e trabalhos que tenho lapidado pra terminar no segundo semestre. Vamos juntos que eu garanto que vocês vão gostar! Bora?

*Entrevista publicada na Edição 233 da Revista NORDESTE

Curta e compartilhe:

Ana Júlia Silva

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *