Presidente da ABIH/PB anuncia estratégias e aponta Polo Cabo Branco em João Pessoa como novo incremento do NE
Por Walter Santos
A fase excepcional vivida pelo turismo em nível nacional se mantém com fortes reflexos no Nordeste e, em especial, da Paraíba / João Pessoa a exigir mais responsabilidade da ABIH/PB. Este é o foco central das estratégias do presidente reeleito da entidade, empresário Gustavo Paulo Neto, anunciando diversas ações para fomentar o fluxo turístico. Ele, contudo, contesta a expansão da clandestinidade nos diversos estados sem os mesmos encargos formais das empresas legalizadas. Eis a entrevista exclusiva:
Revista NORDESTE – O Sr acaba de ser reeleito no comando da ABIH/PB. Quais os desafios mais urgentes que o Sr. pontua?
Gustavo Paulo Neto – A reeleição aumenta ainda mais nossa responsabilidade diante do momento relevante que o turismo paraibano vive. João Pessoa vem consolidando sua posição no cenário turístico nacional. O desafio agora é transformar crescimento em desenvolvimento sustentável para toda a cadeia produtiva. Hoje temos desafios muito claros: ampliação da conectividade aérea, qualificação profissional, melhoria da infraestrutura turística, mobilidade urbana, promoção permanente do destino e equilíbrio concorrencial no setor de hospedagem. A ABIH-PB representa a hotelaria formal, que gera empregos, arrecada tributos, investe em qualidade e segurança e contribui diretamente para o desenvolvimento econômico do Estado. Nosso papel é colaborar institucionalmente para que esse crescimento ocorra de forma organizada e sustentável.
NORDESTE – Fazendo uma leitura conjuntural da estrutura e do turismo paraibano a partir de João Pessoa, qual a análise que o Sr. faz do trade em termos de resultados até financeiros?
Gustavo Paulo Neto – O momento é muito positivo. João Pessoa vive um crescimento turístico consistente, com aumento da visibilidade nacional, expansão imobiliária, novos empreendimentos e fortalecimento da rede hoteleira. A hotelaria formal vem apresentando bons índices de ocupação, especialmente nos períodos de alta estação, eventos e feriados prolongados. Isso demonstra que o destino está consolidando sua atratividade. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado da oferta de hospedagem no mercado exige atenção. O desafio do setor agora não é apenas crescer em volume, mas também fortalecer a rentabilidade, aumentar a permanência média do turista e valorizar a diária média da hotelaria. João Pessoa ainda possui espaço para maior valorização quando comparada a outros destinos turísticos consolidados do Nordeste. O importante é que esse crescimento venha acompanhado de planejamento, promoção e infraestrutura.
NORDESTE – Conjunturalmente ainda percebe-se uma grita de passageiros reclamando do alto preço das passagens para João Pessoa, se comparado a Recife. Como encarar essa conjuntura?
Gustavo Paulo Neto – Essa é uma discussão importante e que precisa ser tratada com equilíbrio e visão estratégica. A conectividade aérea é um dos grandes desafios e, ao mesmo tempo, uma das maiores oportunidades para o fortalecimento do turismo da Paraíba. Não podemos tratar a questão apenas pelo preço das passagens. O turismo funciona como um ecossistema integrado. A ampliação da malha aérea depende de demanda consistente, promoção contínua do destino, atração de eventos, crescimento sustentável da ocupação e segurança econômica das operações para as companhias aéreas. João Pessoa vem registrando crescimento expressivo no fluxo turístico e no número de passageiros nos últimos anos, demonstrando que o destino possui potencial real de expansão. O próprio Estado da Paraíba vem adotando políticas importantes de incentivo, como programas relacionados ao ICMS do combustível da aviação, vinculados à ampliação de operações e oferta de voos pelas companhias aéreas. Isso demonstra atenção e esforço institucional para fortalecimento da conectividade aérea. Quanto maior for a capacidade do destino de gerar demanda qualificada e sustentável, maior tende a ser o interesse das companhias aéreas em ampliar frequências, rotas e competitividade no mercado.
NORDESTE – Como está o fluxo de turistas que chegam a João Pessoa a partir do aeroporto do Recife sabendo-se que existem ônibus e transfers diários para a capital paraibana?
Gustavo Paulo Neto – Esse fluxo existe e é relevante para o turismo da Paraíba. Uma parcela de turistas desembarca em aeroportos da região e segue para João Pessoa através de transfers, locadoras e transportes regulares. O mais importante é compreender que o turista deseja vir para João Pessoa e para a Paraíba. Isso demonstra a força crescente do nosso destino turístico. Ao mesmo tempo, esse cenário reforça o potencial de expansão do Aeroporto Castro Pinto e a importância de continuarmos fortalecendo a conectividade aérea, a promoção turística e a capacidade do destino de gerar demanda sustentável ao longo de todo o ano.
NORDESTE – Qual a expectativa da ABIH-PB diante dos investimentos no Polo Cabo Branco com potencial de ampliar significativamente a oferta de leitos na cidade?
Gustavo Paulo Neto – A expectativa é extremamente positiva. O Polo Turístico Cabo Branco representa um dos maiores projetos turísticos do Brasil e tem potencial para elevar João Pessoa a um novo patamar no cenário nacional e internacional. Os novos resorts e hotéis devem gerar empregos, renda, arrecadação e ampliar significativamente a visibilidade do destino. Mas defendemos que esse crescimento venha acompanhado de planejamento. Não basta aumentar leitos. É preciso aumentar a demanda qualificada, conectividade aérea, promoção turística, infraestrutura urbana e gasto médio do visitante. O crescimento acelerado também exige atenção à mobilidade, saneamento, qualificação profissional e infraestrutura urbana para garantir boa experiência ao turista e qualidade de vida para a população. A hotelaria vê os investimentos com entusiasmo, mas entende que crescimento sustentável exige integração entre setor público, iniciativa privada e entidades representativas.
NORDESTE – Dados apontam crescimento expressivo da hospedagem por aluguel de curta temporada. Como é conviver com essa concorrência e o que falta para esse segmento ser submetido às regras de mercado?
Gustavo Paulo Neto – A ABIH-PB não é contra a tecnologia, inovação ou novas formas de hospedagem. O que defendemos é isonomia concorrencial. A hotelaria formal cumpre uma série de exigências tributárias, trabalhistas, sanitárias, ambientais e de segurança. Isso gera empregos formais, arrecadação e proteção ao consumidor. Estimativas de mercado indicam oferta expressiva de hospedagem por aluguel de curta temporada, com números já bastante superiores ao da hotelaria tradicional. Trata-se de uma tendência mundial que também impacta fortemente João Pessoa. O debate não é contra o pequeno proprietário ou contra a inovação tecnológica. O debate é sobre atividade econômica devidamente regulamentanda e exercida de forma profissional, com impacto urbano, tributário e concorrencial. Diversos destinos no Brasil e no mundo já avançam nessa discussão buscando equilíbrio entre inovação, ordenamento urbano e concorrência justa. Toda atividade econômica exercida profissionalmente precisa funcionar dentro de regras equilibradas, garantindo concorrência justa, segurança para o turista e ordenamento urbano adequado.
NORDESTE – Objetivamente, como a ABIH é tratada institucionalmente pelos organismos oficiais de turismo?
Gustavo Paulo Neto – A relação institucional da ABIH-PB com os organismos públicos tem sido respeitosa e construtiva. A entidade participa ativamente das discussões estratégicas do turismo paraibano, sempre defendendo os interesses legítimos da hotelaria formal e contribuindo tecnicamente para o fortalecimento do setor. Entendemos que o turismo cresce melhor quando existe diálogo permanente entre iniciativa privada, entidades representativas e poder público.
NORDESTE – Quais as reivindicações mais urgentes do setor hoteleiro e do turismo no geral?
Gustavo Paulo Neto – As prioridades hoje passam por ampliação da malha aérea, promoção contínua do destino, melhoria da infraestrutura urbana e turística, qualificação de mão de obra, mobilidade, segurança e organização do crescimento do setor. Também defendemos um debate mais avançado sobre inteligência turística e dados de mercado, porque o turismo moderno exige planejamento cada vez mais técnico. João Pessoa vive uma oportunidade histórica. O turismo cresce, os investimentos chegam e o destino ganha projeção nacional. O desafio agora é transformar esse crescimento em desenvolvimento sustentável, com planejamento, infraestrutura, qualificação profissional, equilíbrio concorrencial e valorização da hotelaria formal, que gera emprego, arrecadação e desenvolvimento para toda a Paraíba.
*Entrevista publicada na edição 232 da Revista NORDESTE.

