Corrida por minerais críticos impulsiona novo ciclo da mineração na Bahia

A corrida global por minerais estratégicos utilizados na transição energética reposiciona a mineração brasileira, e a Bahia emerge como um dos principais polos desse movimento. Já terceiro maior produtor mineral do país, atrás apenas de Minas Gerais e Pará, o estado concentra ativos considerados essenciais para cadeias industriais ligadas a baterias, energia renovável, fertilizantes e tecnologias de alto valor agregado.

Com uma diversidade geológica singular, a Bahia reúne reservas e projetos envolvendo vanádio, níquel, cobre, grafita, fosfato, ouro, urânio e terras raras, insumos que ganharam relevância internacional diante da transformação da matriz energética global.

“O estado possui uma diversidade mineral muito expressiva, com ativos estratégicos fundamentais para a transição energética”, destacou o geólogo da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Willame Cocentino, ao apontar o potencial baiano na nova economia mineral, durante o seminário “Mineração no Brasil: Soberania, Desenvolvimento e Salvaguardas Trabalhistas e de Negociação Coletiva” , que acontece em Salvador até esta terça-feira (12)

No Nordeste, a Bahia lidera os investimentos em pesquisa mineral e concentra a maior parte da atividade regional, reforçando seu papel como eixo estratégico para a expansão do setor. Dados apresentados em Salvador indicam que mais de 200 municípios baianos possuem algum tipo de produção mineral, evidenciando a capilaridade econômica da atividade.

Entre os principais destaques está a mina de vanádio de Maracás, a única das Américas, além da operação de níquel sulfetado de Santa Rita, em Itagibá, considerada estratégica para a cadeia global de baterias. O estado também concentra áreas promissoras para exploração de terras raras, minerais indispensáveis à fabricação de turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa.

A perspectiva de médio e longo prazo é especialmente favorável. A combinação entre disponibilidade mineral, infraestrutura logística em expansão e tradição em pesquisa geológica coloca a Bahia em posição privilegiada para ampliar sua relevância no cenário nacional.

Cadeia produtiva

Mais do que exportar matéria-prima, o desafio apontado por especialistas está na verticalização da cadeia produtiva, agregando valor à produção mineral dentro do próprio estado.

“Quando a industrialização acompanha a mineração, o impacto econômico se multiplica, com geração de empregos qualificados e maior dinamismo regional”, afirmou Cocentino.

Esse movimento começa a ganhar exemplos concretos. Um dos projetos em desenvolvimento prevê a instalação, na Bahia, de uma planta industrial voltada à produção de vidro solar, segmento diretamente conectado ao avanço das energias renováveis.

As terras raras aparecem entre as apostas mais promissoras. Estimativas indicam que cerca de 40% das áreas brasileiras atualmente em pesquisa para esses minerais estão localizadas na Bahia, especialmente nas regiões sudoeste e sudeste.

No segmento de fertilizantes, a retomada da mineração de fosfato em Irecê reforça a importância estratégica do estado, com potencial para reduzir a dependência nacional de importações.

O impacto no mercado de trabalho já aparece nos números. Em 2024, a Bahia concentrou 15,5 mil dos 35,3 mil vínculos formais registrados na extração mineral em todo o Nordeste, consolidando-se como principal empregador regional do setor.

 

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Luciana Leão

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