O avanço do turismo internacional no Nordeste começa a impactar de forma positiva o mercado imobiliário da região. O aumento do fluxo, em torno de 50%, no primeiro bimestre de 2026, impulsionado pela ampliação de rotas aéreas internacionais, revela também uma maior procura por imóveis de alto padrão voltados para locação por temporada e segunda residência no litoral nordestino.
Segundo Leonardo Albuquerque, presidente da construtora pernambucana LMA Empreendimentos, o mercado tem acompanhado essa mudança no comportamento dos turistas, que passaram a buscar imóveis de temporada em vez da hospedagem tradicional em hotéis.
“Esse segmento tem sido potencializado por plataformas digitais, que fazem a ponte entre quem oferta e quem procura a locação”, afirma.
Crescimento do turismo internacional
O movimento ocorre em paralelo com a ampliação do fluxo de turistas estrangeiros e da conectividade aérea internacional. Segundo a Embratur, os sete estados mapeados receberam 150.251 turistas estrangeiros entre janeiro e fevereiro – o levantamento não considera Sergipe e Piauí.
Nos últimos meses, as capitais nordestinas também passaram a contar com novas rotas e operações sazonais que ligam destinos como Maceió, Recife, Fortaleza e Natal, a países da América Latina e Europa, especialmente Argentina e Portugal, fortalecendo a entrada de turistas internacionais no litoral da região.
Perfil do investidor
A valorização do litoral nordestino se reflete no perfil de vendas de novos empreendimentos. No Maragogi Privillege, condomínio de alto padrão à beira-mar na praia de Peroba (AL), 30% das unidades já comercializadas foram adquiridas por estrangeiros. Portugal lidera a lista de compradores, com investidores dos Estados Unidos, Áustria, Argentina, Chile e Inglaterra.
O projeto também atraiu investimentos nacionais, com 50% dos compradores vindos do Nordeste, 20% no Centro-Oeste, além de Sul e Sudeste com 10% cada.
Segundo Leonardo, o investidor estrangeiro – muitas vezes brasileiros residentes no exterior – aproveita a vantagem cambial para adquirir ativos de luxo com menor custo de entrada.
“Muitos buscam manter um vínculo com o país e enxergam a oportunidade de veranear ou trabalhar remotamente, rentabilizando o imóvel com locação no restante do ano”, explica Albuquerque.
Localizado a cerca de 14 quilômetros do futuro aeroporto de Maragogi, o empreendimento terá 230 unidades distribuídas em sete pavimentos, entre estúdios e apartamentos de dois e três quartos. O projeto aposta em uma estrutura voltada para estadias de curta duração, com áreas de lazer, rooftops e espaços de conveniência.

