As investigações da Polícia Federal (PF) na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7), apontam que o senador Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do banqueiro Daniel Vorcaro, além de benefícios como viagens internacionais, hospedagens, despesas em restaurantes, voos privados e uso de imóveis de alto padrão.
De acordo com a representação da PF enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), em troca das vantagens, o senador teria atuado em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Um dos principais pontos investigados envolve a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
De acordo com os investigadores, o texto foi elaborado por assessores do Banco Master e entregue na residência de Ciro Nogueira, para que ele apresentasse ao Congresso.
Segundo as investigações da PF, Vorcaro teria dito a interlocutores que a emenda “saiu exatamente como mandei” – fato que, segundo os mesmos interlocutores, tinha potencial para “sextuplicar” os negócios do Master, provocando verdadeira “hecatombe” no mercado.
Ainda segundo as diligências, por conta da suposta conduta parlamentar em favor de Vorcaro, Nogueira recebeu outras vantagens econômicas indevidas, como a aquisição, por apenas R$ 1 milhão, de participação societária na empresa Green Investimentos S.A. equivalente a R$ 13 milhões.
A participação societária na Green foi formalmente adquirida pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira.
O senador Ciro Nogueira é o atual presidente do Partido Progressista (PP) e foi ministro-chefe da Casa Civil em 2021 e 2022, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Decisão do STF
Na decisão, André Mendonça afirmou que há “diversos elementos de prova”, como transferências bancárias, registros de viagens e mensagens eletrônicas, que indicariam um “arranjo funcional” entre o senador e o banqueiro.
O ministro determinou ainda que Ciro Nogueira não mantenha contato com investigados ou testemunhas do inquérito. Também foi decretada a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema.
Defesa
Em nota, a defesa do senador negou a participação nas atividades ilícitas, se colocando à disposição para contribuir com a investigação e repudiou “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
Além disso, sustenta que as medidas adotadas são baseadas em “mera troca de mensagens”.
Fonte: Agência Brasil.

