O cenário de endividamento das famílias nordestinas apresentou sinais de alerta no encerramento de 2025, com a inadimplência na região crescendo 5,2% no último trimestre, segundo o Boletim Macro Regional Nordeste, do FGV IBRE.
O índice superou a média brasileira de 4,0% registrada no mesmo intervalo, embora a deterioração regional tenha sido menos severa do que a observada na região Norte. A expansão do crédito foi de 4,3% no período, ritmo ligeiramente mais brando que o nacional, indicando uma postura mais cautelosa das instituições financeiras e dos consumidores locais.
A análise detalhada por estado revela uma dinâmica heterogênea no compromisso financeiro dos lares. O Ceará lidera o nível de endividamento com 89,1% das famílias possuindo algum tipo de dívida, além de registrar a maior incidência de contas em atraso, atingindo 48,1% dos lares. No Maranhão, a preocupação recai sobre a qualidade da carteira bancária, que apresenta a maior fatia de inadimplência do sistema financeiro na região, com um índice de 8,4%.
Por outro lado, a Paraíba atua como um contrapeso positivo ao sustentar a menor taxa de inadimplência bancária do Nordeste, situada em 4,7%. Bahia e Pernambuco apresentam um padrão de risco concentrado, onde a proporção de famílias com atrasos reportados em pesquisas domiciliares caiu, mas a inadimplência efetiva nos bancos subiu para 6,0% e 5,7% respectivamente. Essa disparidade sugere que o problema financeiro afeta menos lares em quantidade absoluta, mas corrói de forma mais intensa o balanço das instituições nessas praças.
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