Banco Mundial: Guerra no Oriente Médio pode derrubar crescimento global ao menor nível desde a Pandemia

Caso o conflito no Oriente Médio cause interrupções mais severas no fornecimento de energia acompanhadas por turbulências financeiras, o crescimento mundial poderá cair para apenas 1,3% em 2026. Trata-se do menor avanço desde o choque provocado pela pandemia de Covid-19. Os cálculos são do Banco Mundial e o alerta está em um relatório divulgado nesta quinta-feira (11).

No cenário-base da instituição, a economia global deve crescer 2,5% neste ano, abaixo dos 2,9% registrados em 2025. Ainda assim, a projeção já representa uma desaceleração relevante para uma economia mundial que ainda tentava recuperar parte do dinamismo perdido nos últimos anos.

Segundo o Banco Mundial, a escalada do conflito elevou os riscos para a atividade econômica global ao pressionar os preços da energia, dos alimentos e do crédito.

O relatório não traz projeções específicas para o Brasil, mas prevê desaceleração da América Latina e Caribe para 2,2% em 2026, abaixo do crescimento estimado para 2025.

“O impacto difere entre os países, mas o teste fundamental é o mesmo: proteger as pessoas e preservar a estabilidade hoje sem abrir mão do crescimento e dos empregos de amanhã”, afirmou Ajay Banga, presidente do Banco Mundial.

Petróleo mais caro e inflação em alta

O principal canal de transmissão da crise passa pelo mercado de energia. O relatório considera que o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo, provocou forte desorganização nos mercados. Mesmo assumindo que as interrupções mais graves diminuam a partir de julho, o Banco Mundial projeta que o preço médio do petróleo Brent alcance US$ 94 por barril em 2026, alta de 36% em relação ao ano passado.

A pressão não se limita aos combustíveis. A instituição também prevê uma alta significativa nos preços dos fertilizantes, o que tende a encarecer a produção agrícola e aumentar os custos dos alimentos em diversas regiões do mundo.

Como consequência, a inflação global deve subir para 4% em 2026, acima dos 3,3% registrados em 2025. No cenário mais pessimista traçado pelo Banco Mundial, inflação alcançaria 4,4%, enquanto a atividade econômica sofreria uma desaceleração ainda mais intensa.

Emergentes voltam a perder velocidade

Os países em desenvolvimento devem sentir os efeitos de forma mais aguda. O crescimento desse grupo de economias deve cair de 4,4% em 2025 para 3,6% em 2026, atingindo o menor nível desde a recuperação pós-pandemia.

O Banco Mundial chama atenção para um problema estrutural que volta a ganhar força: a dificuldade dos países emergentes em reduzir a distância econômicas para as nações mais ricas.

Segundo o relatório, até 2028 os países em desenvolvimento, excluindo China e Índia, terão acumulado quase uma década sem avanços relevantes na convergência da renda per capita em relação às economias avançadas.

A região mais afetada pelo conflito deve ser justamente o Oriente Médio. Nas economias do Golfo diretamente impactadas pela guerra, o crescimento deve despencar de 3,9% em 2025 para próximo de zero em 2026. A recuperação é esperada apenas a partir de 2027, impulsionada pela retomada do comércio internacional e pelos investimentos em reconstrução.

Banco Mundial prepara até US$ 100 bilhões

Diante da deterioração do cenário econômico, o Banco Mundial anunciou que está mobilizando recursos para apoiar países vulneráveis.

A instituição informou que disponibilizará imediatamente entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões, incluindo aproximadamente US$ 25 bilhões em financiamentos previamente estruturados.

Os recursos poderão ser utilizados para fortalecer programas sociais, ampliar a capacidade fiscal dos governos e fornecer liquidez para empresas e produtores rurais.

Dívida e crescimento mais fraco preocupam

Além da guerra, o relatório destaca outro fator que limita a capacidade de reação dos governos: o avanço do endividamento.

Desde 2010, a dívida pública agregada dos países em desenvolvimento saltou de menos de 40% para mais de 70% do PIB. Segundo a instituição, países mais endividados tendem a enfrentar aumentos mais expressivos nos custos de financiamento quando precisam recorrer a novos empréstimos.

Para Ayhan Kose, economista-chefe adjunto do Banco Mundial, a crise também reforça a necessidade de reformas estruturais.

“O conflito afetou a atividade econômica global, mas toda crise também traz oportunidades. Este momento deve ser usado para fortalecer políticas públicas, investir em infraestrutura, acelerar reformas favoráveis aos negócios e mobilizar capital privado para apoiar a criação de empregos em larga escala”, afirmou.

 

* Fonte: Forbes Money

 

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Luciana Leão

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