Valor SUSTENTÁVEL: Economia circular entra no centro do debate industrial brasileiro, por Luciana Leão

Por Luciana Leão

Começamos a coluna desta semana com uma boa notícia para quem acredita que desenvolvimento econômico e sustentabilidade precisam caminhar juntos. O lançamento da Coalizão Brasil Circular, reunindo 22 entidades representativas de diversos segmentos industriais, sinaliza um esforço relevante para alinhar ações e políticas voltadas à inovação, à reciclagem e à competitividade na transição para modelos produtivos mais sustentáveis.

O movimento surge em um momento estratégico para o Brasil. Em meio às discussões sobre economia circular, gestão de resíduos e descarbonização da economia, empresas e entidades do setor produtivo buscam construir uma agenda baseada em critérios técnicos, inovação tecnológica e responsabilidade compartilhada.

Para o Nordeste, o tema tem significado especial. A região já se destaca nacionalmente pelos investimentos em energias renováveis, hidrogênio verde, bioeconomia e novas cadeias industriais associadas à economia de baixo carbono. Agora, a economia circular se apresenta como mais uma oportunidade para transformar desafios ambientais em geração de emprego, renda e novos negócios.

Em manifesto divulgado nesta semana, a Coalizão Brasil Circular defende que a sustentabilidade seja tratada de forma integrada, considerando aspectos ambientais, sociais e econômicos.

O documento destaca a importância da ampliação da reciclagem, da logística reversa e dos investimentos em infraestrutura para reaproveitamento de materiais.

“A transição para uma economia circular exige políticas públicas fundamentadas em critérios técnicos, inovação, responsabilidade compartilhada e fortalecimento da infraestrutura de reciclagem”, afirma o manifesto.

A discussão vai além da indústria do plástico, frequentemente associada ao tema. Envolve cadeias produtivas diversas, desde a indústria química e farmacêutica até bebidas, agronegócio, tintas, fibras sintéticas e reciclagem, setores que movimentam investimentos, empregos e inovação em todo o país.

Outro aspecto relevante é o impacto social dessa agenda. O fortalecimento da coleta seletiva e dos sistemas de reaproveitamento de resíduos pode ampliar oportunidades para cooperativas e trabalhadores que atuam na cadeia da reciclagem, contribuindo para uma economia mais inclusiva.

O desafio, naturalmente, não é pequeno. A construção de uma economia circular depende de investimentos, infraestrutura, educação ambiental e segurança regulatória. Mas o surgimento de uma articulação dessa dimensão demonstra que a sustentabilidade já não é apenas uma pauta ambiental. Ela passou a ocupar espaço central nas estratégias de competitividade e desenvolvimento.

Para o Nordeste, que busca consolidar seu protagonismo na transição energética e na economia verde, essa pode ser uma discussão cada vez mais decisiva nos próximos anos.

É isso.

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Luciana Leão

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