O ex-governador de Brasília, Ibaneis Rocha (PMB – 54 anos), ao deixar o Governo do Distrito Federal, em março deste ano de 2026, disparou críticas contra Celina Leão (Progressistas – 49 anos), sua vice, dizendo publicamente que ela não estava seguindo o que antes teria sido determinado por ele e pelo partido, quebrando acordos firmados.
Elegância e gentileza, sabidamente, nunca fizeram parte do menu de trato pessoal de Ibaneis. A vida segue seu curso.
Em resposta, com sutileza e traquejo, Celina resumiu a quase ameaça, dizendo que “antes meus atos eram como vice; agora sou governadora e tenho que ter atitudes”.
No episódio (aqui resumido), Celina Leão deixou claro ao ex-governador que seu cargo estava sendo ocupado por uma mulher legalmente indicada e empossada, e que, a partir daí, o DF tinha outro comando.
Sem nenhum juízo de valor sobre a capacidade ou condição de exercer a função, o fato é que a postura adotada por ela foi correta e, pela responsabilidade assumida, responderá em todas as circunstâncias.
Celina é candidata ao Governo da Capital, e pesquisas indicam chances de eleição, seguida de perto por José Roberto Arruda, com sinais evidentes de que poderá voltar ao cargo pela aprovação popular.
O tema aqui, na verdade, visa chamar a atenção para os que ainda não perceberam que a esperada presença da mulher politicamente atuante e presente no cenário de uma competição eleitoral agora existe e vai fazer parte desse embate competitivo, em igualdade de condições com o cenário masculino. Em alguns casos, com ganho de qualidade comprovado.
Com algum ufanismo, aos 66 anos de estrada, o DF oferece à urna de votos a oportunidade para que o cidadão escolha, a seu bel-prazer, uma série de nomes de mulheres em disputa por cargos (Governo local, Câmara e Senado), todos eles de alta representatividade. Avanço sonhado por muitos em um passado não muito distante.
Na tela para o governo local, além de Celina, a distrital Paula Belmonte (PSDB – 52 anos), após passagem com brilho pela Câmara Federal (2019-2023), também se apresenta com projetos sociais e amparo às crianças, visando à cadeira do Palácio do Buriti.
Já na pré-campanha, visita a periferia da cidade, onde, caso eleita, pretende atuar com frequência.
Indicada pelo PL (Partido Liberal) feminino, presidido por ela, Michelle Bolsonaro é franca favorita a uma cadeira no Senado Federal, caso não seja atropelada por algum acidente político comprometedor. Como esposa do ex-presidente Bolsonaro, inúmeras vezes teve seu nome citado, inclusive para a disputa da Presidência da República. Aliados garantem que o veto a essa indicação é doméstico.
Igualmente bem avaliada, também para o Senado, Bia Kicis (PL) tem espaço assegurado entre os que serão bem votados em outubro próximo.
Estão no histórico de parlamentares vencedoras em Brasília nomes ilustres como Leila Barros, a Leila do Vôlei (54 anos – PDT), Erika Kokay (PT – 68 anos) e Damares Alves (Republicanos – 62 anos), todas elas em plena atividade congressual e prontas para um protagonismo intenso, cada uma à sua maneira, durante a luta por votos.
Analistas e profissionais ligados ao marketing político, além de líderes habituados ao processo que antecede o momento eleitoral, encaram com otimismo o que chamam de boas perspectivas para uma disputa eleitoral que reúna bons competidores. Ou seja, quadros políticos que sinalizem campanha sadia, em benefício da comunidade, acima de tudo.
Em manifestações recentes, duas mulheres talentosas, com habilidades específicas, ambas ex-ocupantes de cargos de direção na cúpula do Governo do Distrito Federal, anunciaram pré-candidaturas à Câmara Distrital do DF.
Cristiane Nardes (37 anos – Republicanos), jornalista, pesquisadora e especialista em liderança estratégica e motivacional, traz no currículo rica passagem pela Fundação Getulio Vargas, universidades na Espanha e escolas americanas.
No GDF, foi titular da Secretaria de Mobilidade. Defensora determinada da prática inteligente da governança administrativa, acredita alcançar medidas efetivas em benefício da comunidade, caso seja eleita deputada distrital, apoiada por seu partido.
Presidente do MDB Mulher do Distrito Federal, advogada e arquiteta, Marcela Passamani (45 anos) foi secretária de Justiça e Cidadania do Governo de Brasília e tem nas políticas de amparo aos idosos, nos cuidados com a educação e no desenvolvimento social os planos que almeja executar em defesa da cidade que adotou desde que deixou sua terra natal, Vitória, no Espírito Santo.
Embora ainda no aguardo das convenções partidárias para a definição dos candidatos, para especialistas as opções femininas no quadro político até agora esboçado sinalizam uma eleição competitiva e com qualidade intelectual voltada aos interesses do cidadão, hoje carente de cuidados em todos os sentidos.
Que assim seja.
José Natal
Jornalista

