Sudene defende integração entre energia e desenvolvimento econômico do Nordeste

Autarquia participa de evento promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS), realizado em João Pessoa

 

João Pessoa (PB) – Ainda repercute neste sábado a série de discussões sobre o papel do Nordeste já ocupando posição de destaque na produção de energia renovável no Brasil. O desafio agora é fazer com que essa vantagem também se traduza em mais empregos qualificados, industrialização, inovação e renda nos territórios onde os empreendimentos são instalados. Essa foi a principal questão que orientou a participação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) na mesa-redonda “Capacidades para o planejamento energético do Nordeste”, promovida pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS) no dia de ontem,  sexta-feira (6), na capital paraibana.

 

A Autarquia foi representada por Danilo Campêlo, coordenador-geral de Cooperação e Articulação de Políticas. Na apresentação, ele abordou a importância da integração entre as políticas de energia, infraestrutura e desenvolvimento regional para transformar o potencial energético nordestino em prioridades de investimento.

 

Os números apresentados mostram a dimensão dessa oportunidade. Em 2024, a área de atuação da Sudene registrou expansão de aproximadamente 8,1 gigawatts (GW) na capacidade instalada de geração de energia elétrica. Bahia, Piauí, Pernambuco, Paraíba e Ceará estão entre os estados com maior expansão, além de Minas Gerais, considerando os municípios atendidos pela Autarquia.

 

A Região também reúne condições para ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética e desenvolver novas cadeias produtivas relacionadas ao hidrogênio verde, aos combustíveis sustentáveis e às tecnologias de baixo carbono. O Programa de Aproveitamento do Potencial Energético, previsto no Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), estabelece a meta de elevar a participação das fontes renováveis na oferta regional de energia de 74,6% para 86,5% até 2027.

 

“A mensagem central é que a transição energética não deve ser medida apenas pela capacidade de geração instalada. Para a Região, o avanço também depende de transformar a produção de energia limpa em desenvolvimento econômico, tecnológico e social”, afirmou Danilo Campêlo durante o evento.

 

A apresentação destacou o papel dos instrumentos administrados pela Sudene no apoio aos empreendimentos e à infraestrutura regional. Ao final de 2024, a carteira do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) reunia 91 operações contratadas, com R$ 44,33 bilhões em investimentos totais e participação de R$ 18,24 bilhões do Fundo.

 

No mesmo ano, o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) contratou R$ 44,8 bilhões em aproximadamente 1,6 milhão de operações. Desse total, R$ 4,68 bilhões foram destinados à prioridade de aproveitamento do potencial energético, volume equivalente a 123,9% da meta programada.

 

Os incentivos fiscais também integram essa estratégia. Em 2024, a política administrada pela Sudene esteve associada a R$ 32,7 bilhões em investimentos de empresas e a mais de 270 mil empregos nos empreendimentos incentivados. O setor de infraestrutura respondeu por R$ 7,6 bilhões desse total, com destaque para energia e transportes.

 

Articulação

Um dos pontos centrais do debate é a necessidade de fazer com que os benefícios econômicos da expansão energética permaneçam nos territórios. Embora o Nordeste concentre grande parte da geração eólica brasileira e tenha participação expressiva na expansão solar, parte dos equipamentos utilizados nos empreendimentos é produzida fora da Região. Além disso, centros de decisão e etapas importantes das cadeias produtivas nem sempre estão localizados nos municípios que recebem os projetos.

 

Para enfrentar esse cenário, foram apontadas três capacidades prioritárias, sendo a integração de dados e inteligência territorial, a formação de profissionais e o fortalecimento da governança entre instituições públicas e privadas. “A Sudene atua nesse processo por meio do PRDNE, dos fundos regionais, dos incentivos fiscais, de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação e de acordos de cooperação técnica”, destacou Danilo Campêlo.

 

A articulação envolve diferentes atores, como órgãos do Governo Federal, governos estaduais e municipais, instituições financeiras, universidades, centros de pesquisa e empresas. O objetivo é aproximar as políticas públicas e orientar os investimentos de acordo com as necessidades e potencialidades de cada território.

Curta e compartilhe:

Walter Santos

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *