Eleições 2026 – A polêmica influência dos debates na TV para decidir eleições, por José Natal

Diminui a cada ano a parcela de eleitores (ou aliados) que ainda acreditam, ou aceitam, a afirmação de que os debates entre candidatos à Presidência da República na televisão exercem alguma influência na opção de voto do cidadão brasileiro.

A bem da verdade, antes de qualquer consideração ou análise, vale dizer que a acentuada maioria dos telespectadores que se dispõe a assistir aos debates pela TV ali estão única e exclusivamente na torcida para que haja entre os participantes muita agressividade, troca de ofensas, acusações, denúncias e, se possível, até ameaças de agressão física.

Pura demagogia, ou cascata social, aquele que, após o evento, se gaba de ter apreciado o debate porque o candidato fulano ou ciclano foi claro, objetivo e preciso ao falar de suas chamadas propostas de Governo. Mesmo porque, das propostas apresentadas pelo candidato, em nenhuma delas o eleitor acredita, valoriza ou dela sabe detalhes, e nem vai querer saber.

Na mesma proporção, e gerando as mesmas consequências, os debates entre candidatos aos governos estaduais acontecem da mesma forma.

Para os mais novos, talvez os mais entusiasmados pelo “ringue” político na TV, recomendaria um passeio pela história dos debates de épocas passadas, quando ainda não havia a rede social perturbadora, grupos de WhatsApp, plataformas digitais e a presença indiscreta e insistente do aparelho celular, hoje uma extensão plugada a todo ser humano.

Reativados a partir de 1982, por iniciativa da Rede Bandeirantes (pioneira nesse gesto), sob o comando dos jornalistas Ferreira Netto e Joelmir Beting, os debates de fato tinham ainda algum poder de influência. Afinal, a informação, aquilo que o candidato tinha o interesse em passar ao público, era pelo rádio e na TV o melhor (ou único) canal para que isso acontecesse. E acontecia.

As demais emissoras também avançaram, e os debates passaram a ser atração, e audiência garantida. Os patrocinadores investiram.

Em 1989, o histórico debate entre Lula da Silva e Fernando Collor de Mello gerou a primeira grande polêmica, ganhando na mídia um estrondoso espaço, onde a emissora foi citada como favorável a Collor no debate. Muito se falou sobre o assunto, até hoje rola essa fofoca nos bares da vida.

A outra polêmica, também na boca do povo, é a ausência de algum candidato conhecido e badalado nas pesquisas, muitas vezes entre os favoritos a ganhar a eleição. Isso já aconteceu com Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Lula da Silva, Jair Bolsonaro e outros candidatos.

Nas eleições americanas, sempre badaladas mundo afora, o histórico é o mesmo. O mundo deve se lembrar dos embates entre Kennedy e Nixon pela TV, com essa pauta nas manchetes do mundo.

Janaina Leite, especialista em comunicação social da Universidade Nova Lisboa, de Portugal, em seu livro “Os presidenciáveis no ringue eletrônico”, afirma que todo candidato bem situado nas pesquisas, e com chances de vencer uma eleição, tem mais a ganhar evitando confrontos em debates pela TV.

Segundo ela, essa tese é a mais defendida em todos os ambientes políticos nos quatro continentes do mundo.

Muita polêmica, informações truncadas e um exército de eleitores contra e a favor de que o candidato A ou B deve se afastar do debate, preservando o que já conseguiu, e evitando perder o que lhe foi dado ao longo da campanha.

O fato é que, acreditando ou não em qualquer que seja a opinião sobre esse tema, a verdade é que debate algum muda a crença, admiração ou preferência do brasileiro pelo seu candidato.

Quase sempre apartidário, desinformado sobre os bastidores das campanhas políticas (algumas sórdidas) e sempre atuando como um torcedor de futebol, o eleitor brasileiro vota no candidato que ele escolher, seja ele mocinho ou bandido, herói ou vilão.

O resto é blá, blá, blá.

Jose Natal
Jornalista

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