Novo levantamento digital da ATIVAWEB no site da Revista NORDESTE expõe detalhes dos bastidores políticos

Finalmente, mas levando em conta o início da semana ,”vamos lá … preparado Aperta o cinto e entramos oficialmente na última semana.

Faltam seis dias para a eleição e Brasília decidiu economizar em absolutamente tudo — menos em assunto. É o que revela novo termômetro digital elaborado pela ATIVAWEB DATALAB para o site da Revista NORDESTE trazendo apuração em cima do lance.

As pesquisas do dia 24 reforçam uma corrida concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro, embora os institutos apresentem distâncias diferentes entre eles. No Instagram, a concentração também chama atenção: os dois somaram mais de 309 mil novos seguidores na janela monitorada.

E ainda temos bets, Nossa Senhora Aparecida, STF, Banco Master, Fundo Eleitoral e até Succession — versão família Bolsonaro.

Resumo da manhã: a pesquisa está apertada, o algoritmo está acelerado e a margem de erro já pode pedir crachá para entrar no comitê de campanha.

TERMÔMETRO ELEITORAL: 5 PESQUISAS × DIGITAL

BTG/NEXUS — A SEIS DIAS DA ELEIÇÃO

A nova BTG/Nexus chega nesta segunda-feira com um movimento importante no primeiro turno:

🔴 Lula: 42%

🔵 Flávio Bolsonaro: 37%

Lula oscilou de 40% para 42%, enquanto Flávio permaneceu nos 37%. Com isso, a distância numérica entre os dois passou de 3 para 5 pontos percentuais. Augusto Cury e Ronaldo Caiado aparecem com 5% cada, Renan Santos com 4% e Romeu Zema com 1%.

No segundo turno, porém, o cenário continua apertado:

🔴 Lula: 46%

🔵 Flávio: 44%

O movimento novo está no primeiro turno. Lula oscila para cima e amplia a distância numérica para Flávio na comparação com a rodada anterior da própria Nexus. No segundo turno, entretanto, a pesquisa continua registrando empate técnico.

Faltam seis dias, 87% dizem que já decidiram e os outros 12% acabam de se tornar as pessoas mais disputadas do Brasil.

Pesquisa mede intenção de voto naquele período. Não prevê o resultado da eleição.*

TERMÔMETRO DIGITAL — ATIVAWEB DATALAB + AMADO MUNDO

Se a eleição está concentrada, o algoritmo parece ter recebido o memorando.

🔴 *Lula:* +159.022 seguidores

🔵 *Flávio:* +150.515

🟣 *Renan:* +11.510

🟡 *Caiado:* +2.071

Zema e Cury: retração

Lula + Flávio = 309.537 novos seguidores na janela.

Mas atenção: audiência e interação estão contando histórias diferentes.

Lula registra o maior crescimento absoluto, com +159 mil seguidores, mas apresenta queda de 45,90% na variação do engajamento.

Flávio cresce 150,5 mil seguidores e registra movimento oposto: +36,13% na variação do engajamento.

E Renan Santos mostra por que número de seguidores não explica tudo: apesar de crescer muito menos, registra a maior taxa atual de engajamento, com 2,63%.

Leitura: a expansão da audiência está fortemente concentrada em Lula e Flávio. Isso não demonstra, por si só, polarização do voto — mas mostra onde a atenção digital está crescendo.

Lula ganhou mais gente. Flávio acelerou a interação. Renan lembrou que tamanho não é documento — pelo menos no Instagram.

Seguidor não é eleitor. Engajamento não é voto. E o algoritmo, até segunda ordem, continua sem título eleitoral.

PRINCIPAIS MOVIMENTOS

NIKOLAS APOSTA NA VOLTA DAS BETS

Nikolas Ferreira afirmou que Lula deixará a proibição das bets perder validade depois da eleição. O deputado não apresentou provas de que essa seja a intenção do governo.

Segundo Nikolas, o Executivo permitiria que a MP perdesse validade ao não concluir sua votação no Congresso.

O deputado tenta deslocar a discussão de “o governo proibiu” para “o governo manterá a proibição depois da eleição?”

É uma narrativa politicamente simples e facilmente replicável nas redes — justamente por transformar uma decisão presente em uma suspeita sobre o futuro.

Lula proibiu as apostas. Nikolas apostou que elas voltam. E agora a campanha tem uma aposta sobre o futuro das apostas.

NOSSA SENHORA ENTRA NA CAMPANHA — E O ALGORITMO FAZ O RESTO

A controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida atingiu 977,6 mil menções em 55 horas e 8,5 milhões de interações, segundo levantamento divulgado pelo UOL.

O episódio tornou-se a terceira maior controvérsia política do ano no monitoramento citado. A origem foi uma informação incorreta, posteriormente corrigida pela GloboNews, envolvendo um antigo projeto relacionado ao título de padroeira.

Depois veio o roteiro:

Informação incorreta → campanha → reação religiosa → retirada de posts → Mendonça → Dino → liberdade de expressão → TSE.

O episódio mostra a velocidade com que uma narrativa pode mudar de natureza na reta final. Em poucas horas, saiu do debate eleitoral para uma discussão religiosa, digital e judicial.

Nossa Senhora foi parar no algoritmo, o algoritmo foi parar na Justiça e Brasília conseguiu transformar tudo em crise antes do terceiro café.

GONET SEGUE NO CASO MASTER

O Conselho Superior do MPF rejeitou o afastamento de Paulo Gonet das investigações do Master e também decidiu não abrir investigação criminal contra o procurador-geral. Gilmar Mendes saiu em defesa de Gonet e criticou decisões individuais de grande alcance, ampliando novamente a discussão sobre regras e controles dentro das instituições.

O Master continua mudando de assunto sem sair do mesmo assunto. Começou com banco e dinheiro e hoje também envolve competência, impedimento e funcionamento institucional.

Começaram procurando dinheiro sem lastro. Agora Brasília também procura lastro para decidir quem investiga quem.

LULA: “ACREDITO, MAS INVESTIGUEM”

Lula afirmou acreditar na inocência do filho Fábio Luís Lula da Silva e de seu ex-chefe de gabinete, mas defendeu que as investigações prossigam. A existência de investigação não comprova responsabilidade dos citados.

Lula tenta sustentar duas mensagens simultaneamente: confiança pessoal e defesa institucional da apuração.

Em Brasília, até “confio no meu filho” já vem acompanhado de nota de rodapé jurídica.

LULA QUER O FIM DO FUNDO ELEITORAL

Lula defendeu a extinção do Fundo Eleitoral e uma reforma política mais ampla, classificando o modelo atual como uma forma de “promiscuidade política”.

A mudança dependeria do Congresso — justamente onde estão os partidos diretamente beneficiados pelo atual sistema.

Além da discussão institucional, a proposta funciona como posicionamento político na reta final.

Discutir o fim do Fundo Eleitoral faltando seis dias para votar é um pouco como questionar a conta quando a sobremesa já chegou.

BASTIDORES DE BRASÍLIA

A campanha entrou naquela fase em que uma postagem pela manhã pode virar processo à tarde e pronunciamento à noite. A controvérsia sobre Nossa Senhora é o exemplo mais claro: ganhou escala digital rapidamente e migrou para o Judiciário.

Enquanto isso, o Financial Times colocou a família Bolsonaro na capa de sua revista de fim de semana e descreveu disputas internas em torno da sucessão política de Jair Bolsonaro. As caracterizações e interpretações sobre a família são do jornal britânico.

A comparação com Succession veio de fora. O roteiro, aparentemente, Brasília preferiu escrever sem ajuda internacional.

Eleitoral: cinco pesquisas mostram Lula e Flávio concentrando a disputa, mas com diferenças importantes entre os institutos. Não existe uma fotografia única.

Digital: a concentração se repete. Lula e Flávio somaram 309,5 mil novos seguidores na janela. Lula lidera o ganho absoluto; Flávio registra variação positiva de engajamento; Renan possui a maior taxa atual.

Narrativo: Bets e Nossa Senhora mostram que, nesta última semana, temas com alto potencial emocional podem ganhar enorme escala em poucas horas.

Institucional: Master continua produzindo desdobramentos e discussões sobre limites, competências e funcionamento das próprias instituições.

O principal movimento observado é a combinação entre concentração eleitoral e digital com enorme volatilidade narrativa.

Hoje é Nossa Senhora. Ontem eram as bets. Antes, Master.

A próxima pauta capaz de dominar 48 horas provavelmente ainda nem sabemos qual é.

A pesquisa está apertada, o algoritmo está acelerado e Brasília continua produzindo roteiro sem consultar os roteiristas.

ALERTA ATIVAWEB

Na última semana, duas equações precisam ficar bem claras:

Viralização ≠ voto.

Crescimento de seguidores ≠ crescimento eleitoral.

Os mais de 309 mil novos seguidores de Lula e Flávio mostram concentração da expansão digital. As quase 1 milhão de menções sobre Nossa Senhora mostram enorme repercussão.

Nenhum dos dois indicadores, sozinho, permite concluir o efeito nas urnas.

Pesquisa mede intenção.

Digital mede atenção e mobilização.

Urna mede decisão.

No digital, todo mundo consegue enxergar a onda. O difícil é descobrir onde — ou se — ela vai quebrar.

FECHAMENTO

O retrato deste 28 de setembro é de concentração com alta volatilidade.

As cinco pesquisas do dia 24 apresentam diferenças importantes, mas Lula e Flávio permanecem no centro da disputa. No digital, acontece algo semelhante: os dois concentram praticamente todo o crescimento relevante de audiência observado na janela.

Ao redor deles, porém, a campanha está cada vez mais rápida. Bets viram narrativa eleitoral. Nossa Senhora vira quase 1 milhão de menções. Post vira processo. E o Master continua se recusando educadamente a sair do noticiário.

Faltando seis dias, portanto, vale separar três coisas:

Pesquisa mostra intenção; digital mostra temperatura; urna mostra decisão.

Até domingo, as três vão conversar bastante.

Só não convém confundir o grupo do WhatsApp com a seção eleitoral.

Informação séria. Análise estratégica. E uma pitada de humor — porque seis dias em Brasília equivalem aproximadamente a três temporadas, dois spin-offs, uma liminar e 847 mensagens não lidas.

Alek Maracajá

Cientista de Dados | Ativaweb DataLab

https://www.instagram.com/datalab_ativaweb

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