Pronunciamento histórico do presidente brasileiro, marcado para as 10h em Nova York (11h de Brasília), sintetizará a rebelião do Sul Global contra a ‘lei do mais forte’
247 — Cumprindo a tradição diplomática que cabe ao Brasil desde 1947, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobe à tribuna da Organização das Nações Unidas nesta manhã de terça-feira para abrir o debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU. O discurso, com início previsto para as 10h locais (11h no horário de Brasília), promete ser um dos mais contundentes e estruturantes de sua trajetória internacional.
O tom e as diretrizes do pronunciamento foram antecipados pelo próprio mandatário em entrevista concedida à jornalista Christiane Amanpour, da CNN. No centro da mensagem brasileira aos chefes de Estado de quase 200 países estará o sepultamento definitivo da subserviência global e a exigência de uma nova governança planetária capaz de frear a escalada militarista, a chantagem comercial e a corrosão da ordem internacional.
A trincheira do multilateralismo contra o ‘imperador’
Lula levará ao plenário da ONU a coalizão Partners for Multilateralism(Parceiros pelo Multilateralismo — P4M), articulada pelo Brasil em parceria com nações como Canadá, Quênia e membros da União Europeia. O objetivo explícito é erguer uma barreira institucional contra o unilateralismo destrutivo encampado por potências hegemônicas, sobretudo pela política tarifária e bélica de Donald Trump.
Na antevisão concedida à CNN, o presidente já havia delimitado o diagnóstico que baliza sua intervenção:

