“O EUA trabalham para que não haja censura e haja, sim, um respeito à oposição durante o processo eleitoral. Eu me arrisco a dizer que, se a Suprema Corte entender que a eleição de Flávio é um ato de golpismo, os Estados Unidos podem perfeitamente não reconhecer as eleições brasileiras”.
A frase é do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (cassado em 2026), hoje abrigado na Capital Americana, afirmando que autoridades daquele país foram alertadas por ele e pelo comentarista Paulo Figueiredo (na mira da Polícia Federal) sobre uma suposta possibilidade de o STF tentar anular a eleição presidencial no Brasil, caso Flávio vença a disputa.
Para uma raposa felpuda, influente na campanha do candidato do PL (Partido Liberal), em Brasília, os palpites fora de hora, desacreditados e, muitas vezes, até considerados como piadas, e que têm como origem o “filhinho mimado de Bolsonaro”, quase sempre mais atrapalham do que ajudam.
Sem permitir divulgação de seu nome, o aliado bolsonarista foi categórico: “Já conseguimos resolver e sanar de vez a crise entre Flávio e Michelle, mas evitar os palpites errados e sem noção desse camarada é mais difícil, quase impossível”.
Segundo ele, essa possibilidade alegada pode até ter lá alguma base de verdade, mas, dita por quem tem zero credibilidade, só complica a campanha, não ajuda em nada.
Com a eleição de outubro batendo à porta de todos os brasileiros, com candidatos pedindo votos e eleitores buscando opções e argumentos para fazer a escolha certa, trazer para o debate popular um sinal provocador de influência de outro país em nossa eleição, no português claro, é um ato de burrice extrema.
Analistas políticos, veteranos, já admitem ser impossível uma definição da eleição no primeiro turno, uma vez que a polarização entre Lula da Silva (PT) e o bolsonarista Flávio está definida, e nenhum dos outros adversários disse que a veio até agora, todos patinando sem incomodar a dupla da ponta.
A argumentação de Eduardo e seus cupinchas ligados a Trump, de repente, ganha um ingrediente a mais após o conflito deflagrado entre os ministros da Corte Suprema, colocando, nesse cenário vergonhoso de troca de ofensas, pessoas ligadas ao Governo Federal, com Lula candidato como alvo maior.
Por mais que busque argumento para manter de pé essa influência de outro país em nossa eleição, nem o mais alienado do processo político embarca nessa tese.
Que os Estados Unidos sempre meteram o nariz em questões políticas e econômicas do Brasil não é novidade. Essa submissão meio covarde nos persegue há anos. O famoso complexo de vira-latas já deve ocupar algum espaço em nossos dicionários.
E talvez por isso, uma vez mais, alinhar o nome de brasileiros se submetendo a caprichos americanos, em época de eleição, traz uma ligeira sensação de revolta, e quem sinalizar apoio a essa causa corre um risco nada oportuno na busca de votos.
O chamado, e conhecido, tiro no pé, a essa altura da competição eleitoral, em nada trará de benefícios a Flávio, mesmo que o conceito republicano não faça parte de sua rica carreira de questões pobres de bons exemplos.
Aquele que, por mais que acredite nessa aloprada pretensão, que faça uma “visita” à nossa história e nela, com certeza, nada encontrará como consistente influência americana em nossas eleições.
O que comprova que está mais do que evidente que o que acontece é uma deslavada e desprezível campanha de desprestígio de nossas instituições, o que resvala na humilhação assumida.
Há, de fato, é impossível negar, uma chance real de que o candidato Flávio Bolsonaro, que já garantiu sua presença no segundo turno da eleição, alcance a Presidência. Essa hipótese é real, e todos sabem disso.
Agora, aceitar e admitir como normal a presença americana dando palpites em nossas urnas é, sim, de fato, uma aberração. Condenável.
José Natal
Jornalista

