Justiça seja feita, quando se lançou candidato à Presidência da República, em 2018, Jair Bolsonaro (PL), em relação a Renan Santos (Missão), foi até modesto, quase tímido. Apenas anunciou que, caso eleito, iria autorizar brasileiros e brasileiras a usar cartucheiras na cintura, revólver e munição nas maletas, e dentro de casa até fuzis e metralhadoras seriam avaliados, caso a caso.
Renan, mais jovem e mais afoito, anuncia agora que a fabricação da bomba atômica tropical está nos seus planos de governo, caso chegue ao Planalto. Acha até que antes de dez anos realiza os primeiros testes, nos introduzindo no mundo avançado e gabaritado entre os influentes com a energia nuclear.
Para alguns, soa como piada, pesadelo de campanha de quem se diverte fazendo de coisa séria brincadeira irresponsável, quase sandice. Segundo pesquisas, ao municiar a população com arma de fogo, Bolsonaro facilitou a destemperados a serem xerifes de seus terreiros, e a criminalidade aumentou em diferentes segmentos sociais, enlutando famílias Brasil afora.
Até onde essa realidade corresponde aos fatos, há controvérsias. Assunto ainda na pauta do dia a dia de Antônios e Marias. Como mais nada do que prometeu fazer em seu Governo aconteceu, o único legado que ainda resta à torcida do Capitão é esse debate, ainda hoje motivando atritos entre armados e desarmados.
Já apontado como possível atração maior da campanha presidencial, devido a agressividade, arrogância e medidas estranhas que fazem parte de seu plano de Governo, Renan Santos galopa a toda velocidade para virar referência do inusitado, mesmo que suas chances de vitória resvalam no zero.
Folclórico, tem um histórico que em nada o promove, apenas o chancela como uma figura a mais a entrar no rol daqueles brasileiros que, escorado não se sabe em que, se julga habilitado a pedir o apoio da comunidade para ocupar o cargo mais importante do País.
Coisas estranhas da democracia, mas é assim que acontece. O cidadão comum, aquele eleitor que por mais que se informe ainda se vê distante da realidade política e social do País, muitas vezes se encanta com o palavreado envolvente de serpentes encantadas, e na hora do voto aperta o dedo na urna, se lembrando apenas da foto que viu no jornal e na TV.
Ao anunciar estudos que leve o Brasil a pensar em bomba atômica, Renan Santos cita que a meta é igualar o Brasil ao mesmo nível de Estados Unidos, China, Japão e outras potências, justamente no segmento armamentício.
Com o povo brasileiro atolado em dívidas, segurança pública, transporte, educação e moradia sinalizando caos e desespero em quase todos os estados, o candidato anunciar avanços em construir arma nuclear se revela estar fora de órbita, ou adotou o absurdo como lema de campanha.
Lamentável que seja assim, e pena que a grande parcela da sociedade civil ainda dê ouvidos a cantos de sereias vindas sabe-se lá de onde.
O risco iminente de que a experiência desastrosa iniciada em 2018 se repita, já preocupa e assusta aqueles que conhecem a memória descuidada do nosso povo. Não precisamos de nenhuma bomba atômica, ou de nenhuma bomba. Talvez mudanças, se possível, atômicas.
Jose Natal
Jornalista

