Mestre Biu dos Anjos: Do canteiro de obras à arte em madeira, por Aluisio Sampaio

Por Aluísio Sampaio, coluna Empreendedorismo e Desenvolvimento

 

Nesta edição de setembro da coluna “Empreendedorismo e Desenvolvimento”, apresento a história de Gabriel Pereira Filho, mais conhecido como Mestre Biu dos Anjos, empreendedor, artesão e escultor que transforma a madeira em uma ampla variedade de obras de arte.

Antes de se dedicar integralmente à arte em madeira, ele trabalhou por um tempo como servente de pedreiro na cidade de Juazeiro – Bahia. Foi justamente durante uma jornada de trabalho na construção civil, em 1980, que teve início sua trajetória como artesão e escultor.

Em determinado dia, durante o descarregamento de areia no canteiro de uma obra, encontrou uma raiz de madeira em meio ao material. A partir daquele momento, sentiu o impulso imediato de recolhê-la e tentar esculpir algo.

Com habilidade, esforço e criatividade, conseguiu talhar a madeira com maestria e percebeu que possuía talento para a vocação artística. A experiência despertou o interesse pela arte de transformar a madeira em diferentes formas e representações, e decidiu seguir profissionalmente como artesão e escultor.

Biu dos Anjos é pernambucano, nascido no município de Petrolina. A cidade é reconhecida nacional e internacionalmente pela fruticultura irrigada pelas águas do Rio São Francisco, com destaque pela produção de manga e uva.

Petrolina foi apontada pelo ranking “Melhores Cidades para Fazer Negócios”, elaborado em 2025 pela consultoria Urban Systems e publicado pela revista Exame, como o melhor município do Brasil para investimentos no agronegócio.

Biu dos Anjos tem três filhos, e um deles trabalha em conjunto com o pai, produzindo peças no mesmo segmento, mas imprimindo sua própria identidade artística.

Dessa forma, o conhecimento e a experiência adquiridos ao longo dos anos também encontram continuidade dentro da própria família. Sua principal inspiração é o mestre artesão e escultor baiano Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany, conhecido como Mestre Guarany, natural de Santa Maria da Vitória – BA.

Biu dos Anjos produz carrancas em diferentes estilos. Entre elas estão as carrancas zoomórficas (com feições de animais como leão, cavalo, urso e cachorro com cabelo) e antropomórficas (estilo vampiro, com traços humanos).

Entretanto, existe uma característica que se tornou uma de suas marcas artísticas: a produção de anjos barrocos em estilo contemporâneo, figuras inspiradas em cupidos e cabeças de anjos querubins, cujas expressões procuram reproduzir, da maneira mais próxima possível, o rosto de uma criança feliz.

É justamente dessa produção que surge o nome artístico “Biu dos Anjos”. “Biu” é uma forma pela qual Gabriel era popularmente conhecido, enquanto “dos Anjos” faz referência à sua dedicação à produção de esculturas de anjos e querubins.

Uma cabeça de anjo querubim/Arquivo Pessoal (2026)

A principal matéria-prima utilizada em suas obras é a umburana-de-cambão, madeira encontrada na própria região, proveniente do reaproveitamento de áreas que passam por supressão vegetal para implantação de projetos de fruticultura irrigada, dando novo uso a um material que poderia ser descartado.

Suas obras procuram transmitir diferentes sentimentos, entre eles amor, fé, alegria e paz. Mais do que objetos decorativos, suas peças carregam elementos da cultura regional, da religiosidade e da identidade sertaneja. As suas obras conquistaram o mercado nacional e internacional, presentes em países como Estados Unidos, França, Itália e Argentina.

Diversas personalidades já adquiriram suas esculturas, entre elas a empresária e estilista de moda Martha Medeiros, que adquiriu anjos querubins e um trono com anjos barrocos, o repórter e jornalista Márcio Canuto, que adquiriu uma carranca, o locutor e apresentador esportivo Galvão Bueno, que adquiriu a obra Nossa Senhora da Uva, o ex-deputado federal Osvaldo Coelho, que adquiriu a escultura Pescador, e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que adquiriu uma caricatura própria.

Atualmente, suas obras podem ser encontrados na Oficina do Artesão Mestre Quincas, em Petrolina, no Centro de Artesanato de Pernambuco, no Recife, em feiras e eventos de grande porte como a Fenearte, além de também poderem ser adquiridas diretamente em sua residência.

Ao longo de mais de 45 anos de trajetória artística, Biu dos Anjos vem conquistando cada vez mais notoriedade no universo do artesanato em madeira. Entre seus sonhos está a criação de um espaço próprio e especial para a produção de suas peças, além da possibilidade de ensinar o ofício a outras pessoas, contribuindo para a transmissão dos conhecimentos e das técnicas artesanais para as novas gerações.

Vale destacar que a sua atuação está diretamente alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre eles, destaca-se o ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico, pela relação da atividade artesanal com o empreendedorismo e a geração de renda; o ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, pela valorização da identidade e do patrimônio cultural local; o ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis, pela utilização de processos produtivos artesanais e pelo reaproveitamento de matéria-prima; e o ODS 15 – Vida Terrestre, especialmente no que se refere à valorização dos recursos naturais e da biodiversidade do Bioma Caatinga.

Essa é a história de Biu dos Anjos, empreendedor, mestre artesão e escultor sertanejo pernambucano, que, além de encantar e conquistar consumidores com peças de alta qualidade e identidade diferenciada, transforma resíduos de madeira da Região do Sertão do São Francisco em verdadeiras expressões de arte e cultura, dinamiza a economia regional e prova que empreender é converter potencialidades locais em oportunidades de geração de renda, valorização cultural e desenvolvimento sustentável.

Serviço:

• Instagram: @biudosanjos

• Contato/WhatsApp: (87) 9 8837 – 9890

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Redacao RNE

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