Das 20 capitais mais populosas do Brasil em 2026, nove são nordestinas, segundo o IBGE

Por Paulo Galvão Júnior*

 

Estimativas da População 2026 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o Brasil alcançou 214.211.951 habitantes (hab.), registrando crescimento de aproximadamente 0,37% em relação à estimativa de 2025.

Nesse cenário demográfico, as capitais das 27 Unidades da Federação (UFs) permanecem como importantes polos de concentração populacional, econômica, administrativa e de oferta de serviços do País.

Entre as 20 capitais brasileiras mais populosas em 2026, nove estão localizadas na Região Nordeste: Fortaleza (CE), Salvador (BA), Recife (PE), São Luís (MA), Maceió (AL), Teresina (PI), João Pessoa (PB), Natal (RN) e Aracaju (SE).

Juntas, essas nove capitais nordestinas reúnem 12.037.281 habitantes, o equivalente a aproximadamente 5,62% da população brasileira estimada para 2026, conforme o IBGE.

Esse contingente evidencia a elevada concentração demográfica das capitais nordestinas e sua importância como centros regionais de comércio, serviços, indústria, educação, saúde, turismo, tecnologia, cultura e administração pública.

É importante destacar que o presente artigo analisa as capitais brasileiras, e não os 20 municípios mais populosos do País. Essa distinção é tecnicamente necessária porque o ranking geral de municípios inclui cidades que não são capitais estaduais, como Guarulhos (SP), Campinas (SP) e São Gonçalo (RJ), o 13˚ município mais populoso do Brasil, o 14˚ e o 18˚, respectivamente.

Nove capitais nordestinas entre as 20 capitais mais populosas do Brasil

A colocação regional das 20 capitais brasileiras mais populosas revela uma importante característica do contingente urbano nacional e nordestino:

Quadro 1. As 9 capitais nordestinas entre as 20 capitais mais populosas do Brasil (1 jul. 2026)
Ranking entre as 

capitais nordestinas

Capital (UF) Ranking entre as 

capitais brasileiras

População estimada em 2026

(n˚ de hab.)

Crescimento 

2025-2026

Fortaleza (CE) 2.582.360 +0,15%
Salvador (BA) 2.559.945 -0,17%
Recife (PE) 1.588.983 +0,04%
São Luís (MA) 13º 1.090.229 +0,09%
Maceió (AL) 14º 995.134 +0,02%
Teresina (PI) 16º 908.012 +0,26%
João Pessoa (PB) 17º 906.093 +0,94%
Natal (RN) 18º 783.196 -0,13%
Aracaju (SE) 20º 623.329 +0,31%
Fonte: IBGE, Estimativas da População 2026, com data de referência em 1º de julho de 2026.

 

Fortaleza e Salvador na liderança demográfica regional

Com 2.582.360 habitantes, Fortaleza ocupa a 4ª posição entre as capitais brasileiras, atrás de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF), sendo a capital mais populosa do Nordeste em 2026.

A capital cearense apresenta uma posição estratégica na hierarquia urbana regional, concentrando atividades de comércio, serviços, indústria, turismo, educação, tecnologia, saúde e administração pública, com destaque, sede oficial do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) desde 1952.

Na sequência aparece Salvador, com 2.559.945 habitantes, ocupando a 5ª posição entre as capitais brasileiras. A capital baiana e a primeira capital do Brasil, ela permanece como um dos principais centros econômicos, culturais e turísticos do Nordeste, embora tenha registrado redução populacional de 0,17% entre 2025 e 2026, e a maior queda populacional da região.

A diferença populacional entre Fortaleza e Salvador é de apenas 22.415 habitantes, revelando uma disputa demográfica bastante equilibrada entre as duas maiores capitais nordestinas.

Recife mantém posição de destaque regional

A capital de Pernambuco ocupa a 3ª posição entre as nordestinas e a 9ª posição entre as capitais brasileiras, com 1.588.983 habitantes, segundo o IBGE.

Recife constitui um dos principais polos econômicos, educacionais, tecnológicos, médicos e hospitalares da Região Nordeste, além de ser a sede oficial da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) desde 1959. Sua influência regional ultrapassa os limites municipais e alcança uma extensa área de integração urbana e econômica em Pernambuco e em estados vizinhos, como Paraíba e Alagoas.

Apesar de sua importância, a diferença populacional entre Recife e as duas primeiras capitais nordestinas é expressiva. Fortaleza possui quase 1 milhão de habitantes a mais que Recife, enquanto Salvador apresenta diferença  semelhante.

São Luís com 1 milhão de habitantes e Maceió próxima da marca de 1 milhão

São Luís, capital do Maranhão, ocupa a 13ª posição entre as capitais brasileiras, com 1.090.229 habitantes. Logo depois aparece Maceió, capital de Alagoas, com 995.134 habitantes, na 14ª posição nacional.

Maceió encontra-se, portanto, a apenas 4.866 habitantes da marca de 1 milhão, enquanto São Luís já supera esse patamar em aproximadamente 90 mil habitantes.

A proximidade desse limiar demográfico reforça a importância de São Luís e Maceió como grandes centros urbanos e polos de atividades econômicas e sociais em seus respectivos estados.

Teresina e João Pessoa apresentam elevada proximidade demográfica

Teresina, capital do Piauí, possui 908.012 habitantes e ocupa a 16ª posição entre as capitais brasileiras. Logo depois aparece João Pessoa, capital da Paraíba, com 906.093 habitantes, na 17ª posição nacional.

A diferença entre as duas capitais nordestinas é de apenas 1.919 habitantes, revelando uma elevada proximidade demográfica.

Esse resultado é particularmente relevante para João Pessoa, que apresentou crescimento populacional de 0,94% entre 2025 e 2026, percentual superior ao observado por todas as demais capitais nordestinas, além de ser o segundo maior crescimento entre as 20 capitais analisadas da UFs, atrás apenas de Manaus, com 1,01%.

Natal e Aracaju completam a presença nordestina no TOP 20 das capitais brasileiras

Natal, capital do Rio Grande do Norte, possui 783.196 habitantes e ocupa a 18ª posição entre as capitais brasileiras. A cidade apresentou retração populacional estimada de 0,13% entre 2025 e 2026, e a segunda maior queda populacional da Região Nordeste.

Aracaju, capital de Sergipe, possui 623.329 habitantes, ocupando a 20ª posição entre as capitais brasileiras mais populosas do País, de acordo com o IBGE.

João Pessoa apresenta o maior crescimento entre as capitais nordestinas do Top 20

Um dos principais destaques das Estimativas da População 2026 do IBGE é João Pessoa, que apresentou crescimento populacional de 0,94% entre 2025 e 2026, o maior percentual entre as capitais nordestinas que integram o Top 20 nacional.

A taxa pessoense supera as registradas por Aracaju (+0,37%), Teresina (+0,26%), Fortaleza (+0,15%), São Luís (+0,09%), Recife (+0,04%) e Maceió (+0,02%). Já Salvador apresentou retração de 0,17%, enquanto Natal também registrou redução, de 0,13%.

Com 906.093 habitantes, João Pessoa ocupa a 17ª posição entre as capitais brasileiras e a 7ª colocação entre as capitais nordestinas, conforme dados do IBGE. No ranking nacional dos 5.570 municípios brasileiros, a capital paraibana ocupa a 20ª posição entre os municípios mais populosos do País.

A capital paraibana a cada ano vem atraindo mais moradores, trabalhadores, empreendedores e investidores nacionais e internacionais. Esse desempenho merece atenção dos formuladores de políticas públicas, porque o crescimento populacional amplia simultaneamente o potencial econômico da cidade e a necessidade de investimentos em mobilidade urbana, habitação, saneamento básico, saúde, educação, segurança pública e demais serviços públicos.

O Nordeste lidera em número de capitais entre as 20 mais populosas do Brasil

A distribuição regional das 20 capitais brasileiras mais populosas revela uma importante característica da estrutura urbana nacional:

Quadro 2. Distribuição regional das 20 capitais brasileiras mais populosas (1 jul. 2026)
Região Número de capitais no Top 20 Participação
Nordeste 9 45%
Centro-Oeste 4 20%
Sudeste 3 15%
Sul 2 10%
Norte 2 10%
Total 20 100%
Fonte: IBGE, Estimativas da População 2026.

As nove capitais nordestinas presentes entre as 20 mais populosas são Fortaleza (4˚ lugar), Salvador (5˚ lugar), Recife (9˚ lugar), São Luís (13˚ lugar), Maceió (14˚ lugar), Teresina (16˚ lugar), João Pessoa (17˚ lugar), Natal (18˚ lugar) e Aracaju (20˚ lugar). O Nordeste, portanto, responde por 45% das capitais brasileiras que compõem o Top 20, constituindo a região com maior representação nesse ranking nacional.

O Centro-Oeste aparece em segundo lugar, com quatro capitais: Brasília (3˚ lugar), Goiânia (10˚ lugar), Campo Grande (15˚ lugar), e Cuiabá (19˚ lugar).

O Sudeste reúne três capitais: São Paulo (1˚ lugar), Rio de Janeiro (2˚ lugar), e Belo Horizonte (6˚ lugar). O ranking nacional é liderado por São Paulo, com 11.911.337 habitantes, seguida por Rio de Janeiro, com 6.731.133, de acordo com o IBGE.

O Sul também apresenta duas capitais: Curitiba (8˚ lugar), e Porto Alegre (12˚ lugar). Por fim, o Norte possui duas capitais entre as 20 maiores do País: Manaus (7˚ lugar), e Belém (11˚ lugar).

Vale destacar que sete capitais brasileiras não foram analisadas neste artigo, entre elas, Florianópolis (SC), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Macapá (AP), Rio Branco (AC), Vitória (ES) e Palmas (TO).

As três capitais brasileiras com maiores taxas de crescimento populacional entre 2025 e 2026 são Boa Vista (+3,19%), Florianópolis (+1,85%), e Palmas (+1,42%), conforme o IBGE.

População maior também significa mais desafios urbanos

A dimensão demográfica das capitais brasileiras representa não apenas um indicador estatístico, mas também um importante desafio para o planejamento público. Grandes concentrações populacionais significam elevada demanda por habitação, saneamento básico, mobilidade urbana, transporte público, saúde, educação, segurança pública, emprego e áreas verdes.

Nesse sentido, o crescimento populacional precisa ser acompanhado por políticas públicas eficientes e capazes de ampliar a infraestrutura urbana, elevar a produtividade econômica, estimular a geração de empregos formais e melhorar a qualidade dos serviços públicos oferecidos à população.

É preciso destacar, ainda, que o crescimento populacional acelerado e desordenado, quando não acompanhado por adequado planejamento urbano e pela expansão da infraestrutura e dos serviços públicos, pode intensificar diversos problemas. Entre eles, destacam-se a formação e expansão de favelas e assentamentos precários, as ocupações irregulares do solo urbano, a deficiência da infraestrutura viária, incluindo ruas esburacadas e mal conservadas, o aumento da geração e do descarte inadequado de resíduos sólidos e a maior pressão sobre o saneamento básico, habitação, saúde, educação, e segurança pública.

Considerações finais

As Estimativas da População 2026 do IBGE revelam a expressiva dimensão demográfica das principais capitais brasileiras e, particularmente, a forte presença nordestina no ranking nacional. Entre as 20 capitais brasileiras mais populosas, nove estão localizadas no Nordeste: Fortaleza, Salvador, Recife, São Luís, Maceió, Teresina, João Pessoa, Natal e Aracaju.

A Região Nordeste apresenta, assim, 45% das capitais que compõem o Top 20 nacional, superando individualmente as demais regiões brasileiras. Fortaleza e Salvador lideram regionalmente e ocupam, respectivamente, a 4ª e a 5ª posições entre as capitais brasileiras. Recife aparece em 9º lugar, enquanto São Luís, Maceió, Teresina, João Pessoa, Natal e Aracaju completam a presença nordestina entre as 20 capitais mais populosas do Brasil.

É preciso destacar também que duas capitais nordestinas obtiveram declínio populacional entre 2025 e 2026, Salvador e Natal. Já João Pessoa merece destaque especial pelo crescimento populacional de 0,94% entre 2025 e 2026, o maior entre as capitais nordestinas integrantes do Top 20. Com 906.093 habitantes, a capital paraibana ocupa a 17ª posição entre as capitais brasileiras mais populosas e a 7ª colocação entre as capitais nordestinas.

Portanto, crescer em população é importante. Crescer com planejamento estatal, inclusão social, produtividade econômica e preservação ambiental é fundamental.

(*) Paulo Galvão Júnior é economista paraibano (CORECON-PB 1392), estudante de Licenciatura em Geografia em EAD na UNINASSAU, membro do FCF-PB, do IIE e do GRT-PB, conselheiro efetivo do CORECON-PB, escritor, palestrante, ex-professor de Economia e de Economia Brasileira da Lumen Faculdades e do UNIESP

 

 

Curta e compartilhe:

Redacao RNE

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *