Nem só das falcatruas de Daniel Vorcaro, BRB e desvios de dinheiro de aposentados do INSS se alimentarão as longas pautas de cobranças que candidatos a cargos públicos em Brasília abastecerão seus palanques de discursos e cobranças nessa eleição de 2026, já em ritmo acelerado. Há outras mazelas soltas em outros cantos, todas elas já na mira de olhos aguçados e sedentos por denúncias.
Justo no ano em que o Censo Distrital de População do GDF (Governo do Distrito Federal) confirma que a Capital da República tem hoje 3 milhões de habitantes, o número de moradores de rua aumenta sem controle e hoje registra a trágica cifra de quase 3.500 pessoas, crescimento acelerado, em torno de quase 20% em relação a dois anos atrás.
Essa população carente, sem teto e trabalho, e exposta a todos os riscos de saúde e, em muitos casos, esboçando riscos de violência, incomoda a comunidade, preocupa o cidadão e gera desconforto às áreas quase sempre apontadas como incentivo ao uso e consumo de drogas e, às vezes, porte de armas.
Dados oficiais confirmam, em média, 3 moradores de rua para cada 1 mil habitantes, estatística em crescimento.
É verdade que a Capital da República, hoje a terceira do País com o maior número de habitantes, ainda não atinge os alarmantes índices como São Paulo (100 mil), Rio de Janeiro (23 mil) e Belo Horizonte (16 mil), mas o percentual hoje apontado na cidade centro do poder justifica anseios nada otimistas da população, que espera dos políticos que fazem promessas, que transformem em ações medidas que solucionem essa chaga social, com mais rapidez e eficiência.
Fontes das entidades sociais e de segurança pública do Distrito Federal, sem rodeios, apontam que cidades-satélites como Ceilândia (287 mil habitantes), Samambaia (218 mil habitantes) e ainda o Plano Piloto da capital, onde vivem cerca de 198 mil habitantes, sejam os locais mais procurados pelos chamados “sem-teto”, angustiados e sempre com sinais evidentes de desamparo e angústia.
Na pauta de candidatos a Governador, Deputado, Senador, ainda e distritais que ocuparão a Assembleia Legislativa do DF, essa preocupação ocupa espaço em palestras, discursos e eventos em busca de votos.
O morador de rua, para especialistas em políticas sociais e de segurança, deve, sim, merecer um atendimento especial, cuidadoso e revestido de seriedade. Essa população, segundo eles, se não receber cuidados especiais de governos ou entidades privadas, jamais sairá desse abismo social que parece sem fim.
José Natal
Jornalista

