A realidade das Comunicações no Brasil com TV 3.0 e a estrutura ampliada no Norte e Nordeste

Em Entrevista Exclusiva, Ministro expõe dados e números a constatar resultados com avanços estruturais

Por Walter Santos

O ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, chega ao terceiro semestre do ano apontando com números comprovados a performance de quem está avançando nos resultados para consolidar a TV 3.0 como modelo global, além da infraestrutura para levar internet aos quatro cantos do país preservando a importância do rádio e TV em fase de expansão. Ele explica o que está sendo feito no Norte e Nordeste com detalhes.

Revista NORDESTE – Ministro, estamos diante do segundo semestre de 2026, portanto, a dados de agora como o Sr avalia a entrega de tantos projetos nas Telecomunicações do Brasil, em particular do Nordeste?

Ministro Frederico Siqueira Filho – Eu faço uma avaliação muito positiva. Desde 2023, o Governo Federal retomou uma política de Estado para as comunicações, com foco em universalização do acesso, redução das desigualdades regionais e construção de uma infraestrutura digital preparada para a economia do futuro. E o Nordeste está no centro dessa estratégia.

NORDESTE – Que dados diferenciados podem ser contabilizados?

Frederico Siqueira Filho – Os resultados são concretos. O 5G, que estava presente em 352 municípios brasileiros em dezembro de 2023, chegou a mais de 2 mil municípios em 2026, com mais de 60 milhões de acessos ativos. Também avançamos fortemente na conectividade rural: desde 2023, 956 localidades rurais do Nordeste receberam 4G, o maior número entre todas as regiões do país. Em todo o Brasil, são 2.902 localidades rurais e 1,7 milhão de pessoas beneficiadas.

NORDESTE – Como esse cenário impacta, por exemplo, na educação?

Frederico Siqueira Filho – Não podemos esquecer também das conexões das escolas públicas por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec). A iniciativa já permitiu avançar na conexão de milhares de unidades em todo o país, priorizando escolas que ainda não tinham internet adequada e garantindo uma infraestrutura capaz de atender atividades pedagógicas e administrativas. No Nordeste, esse esforço é ainda mais importante, porque a conectividade nas escolas ajuda a reduzir desigualdades regionais e amplia o acesso de estudantes e professores a plataformas educacionais, conteúdos digitais e novas ferramentas, inclusive de inteligência artificial.

NORDESTE – onde essas conexões chegaram em termos de números atendidos?

Frederico Siqueira Filho – Objetivamente conseguimos chegar a 37,2 mil escolas públicas conectadas no Nordeste, o que representa 76% de todas as unidades escolares da região. O objetivo é chegar a todas as escolas públicas elegíveis com conexão de qualidade, transformando a internet em uma ferramenta permanente de aprendizagem e inclusão digital. E temos uma nova etapa de investimentos. Em 2025, o Fust chegou a R$ 3,2 bilhões em investimentos aprovados em projetos de conectividade. Parte importante desses recursos está justamente chegando a regiões que historicamente tiveram menor infraestrutura, como o Norte e o Nordeste.

NORDESTE – Vamos por partes, diante da pluralidade de políticas públicas em curso. Em que nível, por exemplo, se encontra a implantação da Televisão 3.0, que já atrai referência global de inovação? Conceitualmente, qual é a mudança fundamental desse novo processo?

Frederico Siqueira Filho – A TV 3.0 deixou de ser uma promessa de futuro e já está em funcionamento. Agora vamos para a fase de expansão. O Brasil definiu o novo padrão tecnológico, avançou na regulamentação, construiu estações experimentais e, em 2026, demos um passo fundamental: as primeiras transmissões da TV 3.0 no Brasil começaram durante a Copa do Mundo, em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, como havíamos previsto. Para dar prosseguimento à implementação, priorizamos a criação de condições para que mais emissoras em todo o Brasil possam fazer essa transição.

Nós temos hoje aprovado um financiamento de até US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,7 bilhões, para apoiar a implantação da TV 3.0 e a modernização da infraestrutura de transmissão das emissoras. Além disso, estamos em tratativas com o Banco dos BRICS, para buscar novas linhas de financiamento que possam ampliar os investimentos em infraestrutura de transmissão e apoiar a expansão da nova tecnologia.

NORDESTE – Efetivamente como definir o conceito e nova cultura de acesso e interatividade com a TV 3.0?

Frederico Siqueira Filho – A mudança conceitual é muito grande. A TV 3.0 combina a gratuidade e a capilaridade da televisão aberta com as possibilidades da internet. O telespectador passa a ter uma experiência mais interativa, personalizada e integrada ao ambiente digital, com mais qualidade de imagem e som e novas possibilidades de conteúdo e serviços.

A tecnologia também abre caminho para aplicações diretamente na televisão e para a chamada televisão no celular. E existe uma dimensão que considero ainda mais importante: a TV 3.0 pode transformar a televisão em uma plataforma adicional de cidadania digital. Não será apenas uma tela para assistir a conteúdo. Poderemos disponibilizar informação e serviços públicos, aplicações de governo digital e conteúdos de interesse do cidadão por meio dessa infraestrutura.

NORDESTE – Quem participa dessa implantação estratégica além do Ministério das Comunicações e da EBC, levando em conta a existência de comitê específico?

Frederico Siqueira Filho – A TV 3.0 é um projeto de país e, por isso, envolve diferentes instituições. O Ministério das Comunicações coordena a política, mas temos a participação da Anatel, da EBC, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital, das emissoras, fabricantes, universidades e representantes de toda a cadeia de radiodifusão.

Temos também o Comitê-Executivo de Governança da Plataforma Comum de Comunicação Pública e Governo Digital. Nesse processo, a EBC tem um papel fundamental no desenvolvimento da plataforma, enquanto trabalhamos em articulação com a Secom para integrar comunicação pública e serviços de governo digital. É uma construção coletiva. E precisamos que o setor privado, a indústria, a academia e as emissoras estejam juntos, porque a transição envolve desde infraestrutura e espectro até receptores, aplicações, produção de conteúdo e novos modelos de negócio.

NORDESTE – Qual a projeção de prazo para implantação efetiva da Televisão 3.0 no Brasil?

Frederico Siqueira Filho – Nós já estamos na implantação. O que precisamos agora é avançar para a expansão em escala nacional. As primeiras transmissões foram iniciadas em 2026 e estamos trabalhando na regulamentação, no financiamento, na infraestrutura das emissoras e na disponibilidade de equipamentos para os telespectadores. A Anatel também vem conduzindo as medidas necessárias para organizar o espectro e garantir uma transição segura.

Em março, inclusive, foi ampliado para 31 de dezembro de 2027 o prazo de projetos relacionados à expansão da TV digital e ao desenvolvimento da TV 3.0. É um processo semelhante, em escala e complexidade, à transição do analógico para o digital. O nosso compromisso é avançar com segurança, garantir investimentos e fazer essa tecnologia chegar a todas as regiões, inclusive ao interior do Nordeste.

NORDESTE – qual o sentido de alcance pelos cidadãos e cidadãs brasileiros?

Frederico Siqueira Filho – O que podemos garantir é que todos os brasileiros terão acesso a essa nova geração da televisão aberta com conteúdo, interatividade, conectividade e serviços públicos. O cidadão poderá continuar assistindo gratuitamente à programação aberta e, ao mesmo tempo, ter acesso a novas experiências digitais e informações e serviços de interesse público.

NORDESTE – Ministro, a dimensão territorial do Brasil projeta dificuldades para expandir o acesso à internet, sobretudo em áreas socialmente vulneráveis. Qual é a realidade da expansão da internet no Norte e Nordeste?

Frederico Siqueira Filho – O desafio ainda é grande, mas o avanço também é muito significativo. E, no caso do Nordeste, os números mostram que estamos atacando justamente os gargalos históricos: interiorização, áreas rurais e pequenos municípios. O Nordeste lidera a expansão do 4G rural no Brasil, com 956 localidades conectadas desde 2023. Além disso, o Nordeste Conectado está levando infraestrutura de alta capacidade a 20 municípios de seis estados, beneficiando escolas, universidades, institutos federais, centros de pesquisa e espaços públicos.

NORDESTE – Onde e como a telefonia móvel contribui no processo?

Frederico Siqueira Filho – Temos uma frente muito importante de expansão da telefonia móvel por meio dos leilões do Gired, que estão levando novas antenas e cobertura 4G e 5G para localidades que historicamente ficaram de fora da expansão das grandes redes. Isso já pode ser visto na prática em cidades do interior nordestino, como Petrolina, em Pernambuco; Alagoa Grande, na Paraíba; Juazeiro, na Bahia, entre outras localidades que receberam ou receberão novas estações até o fim deste ano. São investimentos que chegam diretamente onde as pessoas vivem, trabalham, estudam e produzem.

No Norte, o desafio é ainda maior pelas características geográficas da Amazônia. Por isso, estamos fazendo uma das maiores obras de infraestrutura digital da história do país por meio do Norte Conectado. São cerca de 13 mil quilômetros de fibra óptica lançados pelos rios amazônicos, conectando localidades de difícil acesso. Em 2026, já entregamos as Infovias 02, 03 e 04, ligando, respectivamente: Manaus à Atalaia do Norte (AM), passando pela tríplice fronteira com Peru e Colômbia; Macapá (AM) a Belém (AM), passando pela Ilha do Marajó; e Manaus a Boa Vista (RR).

Essas Infovias são redes de fibra óptica que levam internet de alta velocidade a regiões que necessitavam de mais disponibilidade de internet para acessar serviços públicos e privados, promovendo inclusão digital. E estamos avançando também na Infovia 05, entre Amazonas e Rondônia, ampliando ainda mais esse cinturão digital da Amazônia.

A estratégia é levar fibra óptica de alta capacidade pelo leito dos rios, reduzindo a necessidade de abertura de estradas e evitando impactos ambientais. São obras que conectam não apenas pessoas, mas escolas, hospitais, unidades de saúde, órgãos públicos, instituições de pesquisa e empresas, criando condições para o desenvolvimento econômico e social da região. Também estamos utilizando o Fust para apoiar pequenos provedores e ampliar redes de fibra óptica, 4G e 5G. Um projeto nacional de expansão de redes destinou R$ 1,4 bilhão para levar banda larga a 767 mil lares em 552 municípios de 17 estados, incluindo oito estados nordestinos: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia.

NORDESTE – Como desenvolver ações tão estratégicas se o investimento privado tem limites?

Frederico Siqueira Filho – Então, nossa estratégia é clara: onde o grande investimento não chega sozinho, o Estado cria as condições para que a infraestrutura pública, as grandes operadoras, os pequenos provedores e o financiamento façam a conexão acontecer. No Nordeste, estamos interiorizando o 4G e o 5G. No Norte, estamos construindo verdadeiras “estradas digitais” pelos rios da Amazônia. Em ambos os casos, o objetivo é o mesmo: fazer com que a distância geográfica deixe de ser uma barreira para o acesso à internet, à educação, à saúde, aos serviços públicos e às oportunidades.

NORDESTE – Há informações sobre abertura de edital visando abrigar mais empresas provedoras de internet. Como anda esse processo e quando vamos ter novas companhias reforçando a estrutura?

Frederico Siqueira Filho – Os provedores regionais são fundamentais para a nossa estratégia. Eles conhecem o território, estão próximos das comunidades e, muitas vezes, são justamente as empresas que conseguem chegar onde os grandes grupos não chegam. Por isso, estamos criando condições para que esses provedores tenham acesso a crédito, ampliem suas redes e possam levar conectividade a localidades que ainda enfrentam dificuldades de acesso. Criamos o Acessa Crédito Telecom, em parceria com o BID, que recebeu um empréstimo de US$ 100 milhões, cerca de R$ 550 milhões, para facilitar o acesso de pequenos provedores ao financiamento.

Em 2026, o Fust também abriu uma nova frente de R$ 532,7 milhões, sendo R$ 159,8 milhões destinados especificamente a operações para provedores que atuem em municípios com menos de 30 mil habitantes das regiões Norte e Nordeste. E estamos usando esses recursos para conectar não apenas residências e empresas, mas também serviços essenciais para a população.

Abrimos uma frente do Fust para ampliar a conectividade de Unidades Básicas de Saúde (UBS), porque não faz sentido levar internet de qualidade para o cidadão e deixar desconectada justamente a unidade onde ele busca atendimento. Uma UBS conectada permite melhorar o acesso a sistemas de saúde, prontuários, telemedicina, agendamento e outros serviços digitais. A nossa lógica é simples: mais provedores, mais competição, mais investimento e, principalmente, mais conectividade onde ela faz diferença na vida das pessoas.

NORDESTE – Objetivamente, como expandir o acesso ao 5G para todos os consumidores e consumidoras, facilitando a comunicação pelos smartphones?

Frederico Siqueira Filho – A expansão do 5G precisa ser acompanhada de três coisas: infraestrutura, espectro e investimento. E estamos trabalhando nos três fronts. O Brasil já chegou a mais de 2 mil municípios com 5G e mais de 60 milhões de acessos ativos, superando as metas previstas para os próximos anos. Paralelamente, estamos levando 4G para localidades rurais e remotas, porque não podemos pensar em 5G sem resolver os vazios de conectividade que ainda existem.

No Nordeste, o avanço rural é especialmente importante. Também estamos preparando novas políticas para ampliar a cobertura móvel em rodovias e discutindo novos leilões de radiofrequência, sempre com prioridade para regiões e localidades que ainda apresentam déficits de cobertura. E há um ponto importante: 5G não é apenas velocidade no celular. É infraestrutura para indústria, agricultura, saúde, educação, cidades inteligentes e serviços públicos. Por isso, nossa meta é fazer com que essa tecnologia produza desenvolvimento regional.

NORDESTE – Outra questão fundamental na estrutura das telecomunicações diz respeito às estruturas de armazenamento, inclusive na cena digital. Quando teremos data centers em quantidade suficiente para atender todos os mercados?

Frederico Siqueira Filho – A demanda está crescendo muito rapidamente, principalmente por causa da inteligência artificial. O que precisamos é criar uma arquitetura nacional distribuída, segura e competitiva. Hoje, segundo dados utilizados pelo Ministério, o Brasil tem 162 data centers, sendo 15 no Nordeste. A concentração ainda é muito grande no Sudeste.

Por isso, estamos trabalhando na Política Nacional de Data Centers, justamente para estimular novos centros, inclusive regionais e estruturas de edge computing. E o Nordeste tem uma vantagem estratégica extraordinária: energia renovável, posição geográfica e conexão internacional por cabos submarinos. Fortaleza já abriga o maior data center da região, e o BNDES aprovou aproximadamente R$ 233 milhões para a expansão do Mega Lobster, que deverá chegar a 20 MW de capacidade de TI até 2029. O investimento total previsto é de aproximadamente R$ 550 milhões. Queremos que o Nordeste e o Brasil não sejam apenas consumidor de dados, mas também produtor, processador e polo de infraestrutura da economia digital.

NORDESTE – Há informações de que todo o conteúdo científico e as pesquisas das universidades brasileiras estão hospedados em empresas privadas no exterior. Quando o Brasil terá sua própria base de armazenamento?

Frederico Siqueira Filho – É importante fazer uma correção nessa afirmação: não é correto dizer que todo o conteúdo científico brasileiro está hospedado no exterior. O Brasil já possui infraestrutura nacional de processamento e armazenamento, inclusive por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, a RNP, e de centros nacionais de dados. O problema é outro: a nossa capacidade ainda é insuficiente diante da quantidade de dados que o país produz e consome.

O próprio Ministério tem apontado que o Brasil atualmente consegue processar internamente cerca de 40% dos dados consumidos no país. Isso mostra o tamanho do desafio. Por isso, estamos construindo uma política de soberania digital baseada em três pilares: Plano Nacional de Inclusão Digital, Política Nacional de Data Centers e Política Nacional de Cabos Submarinos. Precisamos ampliar a capacidade nacional de processamento e armazenamento, inclusive para universidades, pesquisadores, governo e empresas, garantindo segurança, redundância e menor dependência externa.

NORDESTE – Como o senhor avalia a performance do Governo Federal no trato e encaminhamento efetivo, comprovado, de soluções às tantas demandas de estrutura e logística nas comunicações em diversos níveis no País?

Frederico Siqueira Filho – Eu acredito que o principal indicador é olhar para aquilo que estava previsto e verificar o que efetivamente saiu do papel. O Fust, por exemplo, durante muito tempo acumulou recursos sem conseguir cumprir plenamente sua finalidade. Desde 2023, estamos utilizando esse instrumento de forma concreta. Em 2025, chegamos a R$ 3,2 bilhões em investimentos aprovados em conectividade.

Também avançamos na conectividade rural, com 2.902 localidades atendidas e 1,7 milhão de pessoas beneficiadas pelo 4G. Avançamos nas escolas, nas unidades de saúde, nas redes de fibra óptica, no 5G, no apoio aos pequenos provedores e na infraestrutura de data centers. Eu resumiria assim: estamos deixando de tratar conectividade como um serviço isolado e passando a tratá-la como infraestrutura essencial do desenvolvimento. Internet hoje significa acesso à educação, saúde, crédito, trabalho, serviços públicos e oportunidades. E é por isso que a nossa prioridade é fazer com que a infraestrutura chegue primeiro onde a desigualdade é maior.

Além disso, o Governo do Brasil fez muitas entregas por todo o país, especialmente no Nordeste. Isso aconteceu em todas as áreas, para trazer mais desenvolvimento econômico, oportunidades e qualidade de vida: saúde, educação, emprego, infraestrutura, habitação e muitas outras. No Nordeste, 656 mil famílias estão recebendo um novo lar por meio do Minha Casa, Minha Vida, com investimento de mais de R$ 100 bilhões.

Na Educação, cincomilhões de estudantes estão no Pé-de-Meia, que é uma iniciativa inovadora para combater a evasão escolar. O desenvolvimento econômico da região é evidente e, por isso, oito milhões de pessoas conseguiram novos empregos. Além disso, o Desenrola ajudou 15 milhões de nordestinos a quitarem suas dívidas, com um valor total de R$ 53,2 bilhões. A saúde do Nordeste também está fortalecida com o Mais Médicos, que levou 9 mil profissionais para a região. Na Farmácia Popular, já são 5 milhões de nordestinos beneficiados.

NORDESTE – Por fim, qual a avaliação que o senhor faz sobre a estrutura e expansão das emissoras de rádio e TV no País? O que está sendo previsto e o que esperar para o Norte e Nordeste em termos de ampliação?

Frederico Siqueira Filho – O rádio e a televisão aberta continuam sendo fundamentais para o Brasil, especialmente para o interior. E a nossa política de radiodifusão tem dois grandes objetivos: ampliar o acesso e modernizar a infraestrutura. Desde 2023, aumentamos significativamente o número de outorgas e autorizações. Apenas no último edital de rádios comunitárias, houve interesse em 112 municípios do Nordeste, a maior participação entre as regiões brasileiras. Em 2026, novas rádios comunitárias foram autorizadas em municípios do Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe, beneficiando mais de 100 mil pessoas. Na televisão, estamos ampliando a oferta de canais digitais e a comunicação pública.

O Brasil Digital já ultrapassou a marca de 1 milhão de pessoas beneficiadas com novos canais públicos de TV digital, e, somente em março, firmamos parcerias para levar sinais da EBC e da Rede Legislativa a quatro municípios do Rio Grande do Norte e um de Pernambuco. E o próximo grande salto é a TV 3.0. Temos até US$ 500 milhões aprovados para financiar a modernização das emissoras, em estruturação com o BID e o Banco Mundial, e estamos buscando novas linhas de financiamento para ampliar a infraestrutura. Para o Norte e o Nordeste, isso representa uma oportunidade extraordinária. Queremos uma radiodifusão mais forte, mais regionalizada e mais moderna, com espaço para conteúdo local e regional, emissoras comunitárias e públicas, e com acesso à nova geração tecnológica.

NORDESTE – Na sua opinião, qual o futuro da TV e rádio no país diante do universo digital?

Frederico Siqueira Filho – A nossa visão é que a televisão e o rádio do futuro não serão menores por causa da internet. Eles serão mais conectados, mais interativos e mais próximos do cidadão. E o Nordeste precisa estar no centro dessa transformação.

 

*Entrevista publicada na edição 235 da Revista NORDESTE

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Luciana Leão

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