Juros e fim da escala 6×1 devem estar no foco de eventual novo governo Lula, diz ministro

Em um eventual segundo mandato de Lula (PT), o governo deverá priorizar o fim da escala 6×1 e a redução das taxas de juros, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à Rádio Metrópoles, nesta sexta-feira (21). 

Ao defender a política econômica da atual gestão, Durigan afirmou que o nível dos juros continua sendo um dos principais desafios e ressaltou que as medidas adotadas pelo governo têm sido acompanhadas de compromisso com o equilíbrio das contas públicas.  

Na discussão sobre os efeitos do custo do crédito no dia a dia, Durigan argumentou que os juros elevados pesam diretamente no orçamento das famílias, antes de afetarem o governo ou as empresas.

“Nós estamos longe de ter crise fiscal, crise de dívida, não tem isso. Os juros altos trazem um empecilho para as pessoas. Antes de falar do Estado, das empresas, a gente precisa falar para as pessoas, as pessoas sentem isso”, declarou o ministro na entrevista.

Durigan também criticou as taxas cobradas no crédito ao consumidor, especialmente no cartão de crédito e em financiamentos oferecidos por instituições financeiras e fintechs.

“Os juros do cartão de crédito são absurdos, são abusivos, nós temos que lidar com esse tema. Os juros que as pessoas pagam no crediário, muitas vezes para as fintechs, é um juro que tem que ser tratado, e esse deve ser, junto com o fim da escala 6 x 1, o nosso enfoque para os próximos anos no Brasil”, completou.

O representante da Fazenda rejeitou as acusações da oposição sobre suposta falta de responsabilidade fiscal do governo Lula. Segundo Durigan, o déficit estrutural do país vem registrando queda contínua e encontra-se atualmente “próximo de zero”.

Em relação à taxa básica de juros (Selic), mantida no patamar de 14% ao ano, Durigan apontou que os conflitos geopolíticos e as guerras ao redor do mundo desempenham papel determinante na decisão da autoridade monetária.

“Quando o Banco Central brasileiro diz que está preocupado com preço e com inflação, não é só com a condição fiscal do país, é com guerra no mundo. Não é só o Banco Central brasileiro, os bancos centrais do mundo todo olham para a guerra, veem um impacto de preço e de oferta e falam ‘opa, vou precisar aumentar juros para a inflação não sair do controle’”, explicou.

Ele atribuiu parte da pressão inflacionária global às ações de potências estrangeiras e suas repercussões no cenário econômico interno: “Então não é o governo brasileiro que gasta, é a guerra feita pelos Estados Unidos no Irã, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preços para o país.”

Por fim, Durigan abordou a regulamentação do setor de apostas de quota fixa. O ministro declarou ser pessoalmente contrário às plataformas de apostas online conhecidas como “bets” e defendeu que o setor passe por um enquadramento tributário rigoroso, semelhante ao aplicado à indústria de cigarros, com incidência de elevada carga tributária.

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Ana Júlia Silva

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