Lula defende internacionalização da Petrobras; e os planos para estatal na corrida presidencial em 2026

 

Em clima de campanha, Lula (PT) usou a visita ao navio-sonda que perfura o primeiro poço na Bacia Foz do Amazonas, na segunda (17/8), para defender a internacionalização da Petrobras.

Ele revelou que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, ligou pedindo apoio da estatal brasileira para explorar petróleo em águas profundas no Golfo do México: e que orientou a presidente da Petrobras a atender o pleito.

“Liguei para Magda [Chambriard]: vá para o México atender a nossa presidenta [Claudia Sheinbaum]”.

Lula acrescentou que a Petrobras deve ir “para a África também, onde tiver oportunidade”, e disse que a companhia pode ser “a mais importante empresa do petróleo do mundo”.

A aproximação com a Pemex já está em curso: na semana passada, Lula e Sheinbaum fizeram uma videoconferência em que saudaram o bom andamento das tratativas entre as duas estatais, que em junho assinaram memorando de entendimento para colaborações em águas profundas, gás natural e petroquímica.

A Petrobras é puxada novamente por Lula para os holofotes da campanha presidencial de 2026, que começou oficialmente no domingo (16/8).

O plano de governo petista organiza a política energética em torno da Petrobras e cita que a estatal deve seguir “ampliando investimentos em exploração onshore e offshore, para recuperar participação no controle de reservas nacionais”; além de expandir a capacidade de refino e retornar ao segmento de distribuição de combustíveis, por exemplo.

Entre os concorrentes mais fortes nas pesquisas, Flávio Bolsonaro (PL) promete dar continuidade a políticas energéticas que o governo Lula colocou de pé nos últimos três anos – mas as referências à Petrobras são omitidas.

A omissão é acompanhada pela defesa de que “o papel do Estado aqui não é ser o empresário, é ser o país que funciona”.

Já o plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD) é o que traz o maior detalhe da agenda de política energética. A Petrobras, no entanto, aparece uma única vez:

“Petrobras e demais estatais terão governança, eficiência e investimento, sem uso partidário ou controle artificial de preços”. Não há menção sobre privatização ou desestatização. O candidato pelo PSD já admitiu em campanha, porém, que não privatizaria a Petrobras, mas sim segmentos do gás da estatal.

Romeu Zema (Novo) quer fatiar a Petrobras e seu plano cita “desverticalizar a Petrobras, separando as operações de produção, refino, transporte e logística em diferentes empresas para permitir a entrada de novos concorrentes”.

A privatização da estatal não é nomeada – ela entra apenas na diretriz geral do plano de “privatizar todas as empresas estatais”. O ex-governador mineiro vinha defendendo vender o controle da estatal pelo modelo de corporation

Renan Santos (Missão), por fim, concentra o olhar da política energética em renováveis, biocombustíveis e data centers como caminhos para o Nordeste; e a agroindústria, na qual ele também menciona biodiesel e etanol, como setores-chave. Não há menções à Petrobras no plano e, embora ele assuma uma pauta privatista, já descartou a desestatização da petroleira.

 

*Com G1 e Agência Eixos
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Luciana Leão

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