Projeto de R$ 2,7 milhões, desenvolvido pela Uece e pela Diamante Energia, avalia a substituição parcial do carvão mineral na geração de eletricidade
Uma casca de coco que normalmente seria descartada começa a ganhar outra finalidade no Ceará: combustível para geração de energia elétrica. A Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Energia Pecém, controlada pela Diamante Energia, desenvolvem um projeto para transformar o resíduo em biocarvão e testar sua utilização junto ao carvão mineral na termelétrica instalada no Complexo do Pecém, em São Gonçalo do Amarante.
O projeto recebeu R$ 2,7 milhões por meio do programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A pesquisa tem duração de 24 meses e está prevista para ser concluída em dezembro deste ano.
A primeira etapa foi realizada na Uece, onde uma unidade-piloto de pirólise e torrefação foi utilizada para transformar a casca do coco em biocarvão. Já foram produzidos 880 quilos do material, enviados à Energia Pecém e misturados a 87,12 toneladas de carvão mineral armazenadas na termelétrica. Outros 520 quilos de biocarvão ainda serão produzidos para completar o volume previsto no experimento.
O próximo passo será o teste em escala industrial. A previsão é que, em outubro, os pesquisadores acompanhem a combustão da mistura na caldeira da termelétrica. A experiência deverá mostrar como o biocarvão se comporta em condições reais de operação e qual proporção pode ser utilizada sem comprometer o desempenho da unidade.
Segundo o engenheiro Diego Rebouças, que participa do projeto, serão avaliados o poder calorífico do material, o teor de enxofre e as emissões associadas à mistura, além do eventual potencial para geração de créditos de carbono.
Do coco ao biocarvão
A produção de um quilo de biocarvão exige aproximadamente 8,5 quilos de coco. A matéria-prima pode ser obtida de comércios, fábricas de água de coco e outros pontos de geração do resíduo.
Na unidade-piloto da Uece são avaliados parâmetros como temperatura, tempo de processamento, granulometria, rendimento e qualidade do produto final.
O Ceará está entre os principais produtores de coco do país, com forte presença da atividade no litoral. Paraipaba, Acaraú e Trairi aparecem entre os municípios de maior produção estadual, segundo levantamento dos pesquisadores da Uece.
O interesse do projeto está justamente em testar se esse resíduo pode ser incorporado ao processo de geração térmica. A substituição, porém, ainda é experimental e depende dos resultados dos testes.
Teste no Pecém
A Energia Pecém tem capacidade instalada de 720 MW e utiliza carvão mineral como combustível. O primeiro teste com o biocarvão será realizado com participação pequena da biomassa na mistura.
Em etapa anterior do projeto, a empresa informou que trabalhava com uma proporção de 1% de biocarvão e 99% de carvão mineral. A estratégia é avaliar o comportamento do combustível antes de ampliar sua participação.
Os resultados deverão indicar o desempenho energético da mistura e seus efeitos sobre as emissões. Só a partir desses dados será possível determinar quanto do carvão mineral poderá ser substituído pelo biocarvão produzido a partir da casca do coco.

