El Niño deve agravar estiagem e pressionar reservatórios no Nordeste

O Nordeste deve registrar um agravamento da estiagem nos próximos meses, com a agravação do El Niño, prevista para o segundo semestre de 2026. Segundo o Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a porção norte da região poderá registrar redução das chuvas, temperaturas acima da média e maior pressão sobre rios e reservatórios durante o verão e outono de 2027. 

O cenário é considerado preocupante, porque a região já apresenta um percentual de seca mais severo do que o observado no último episódio intenso do fenômeno. Segundo o boletim, cerca de 40% do Nordeste já está atualmente sob seca moderada, número quatro vezes maior do que os cerca de 10% registrados em junho de 2023. 

Além disso, parte dos reservatórios ainda não recuperou completamente os volumes de água, aumentando a vulnerabilidade ao prolongamento da estiagem e aos impactos sobre o abastecimento e a agricultura. 

O boletim aponta que há 100% de probabilidade de o El Niño permanecer ativo pelo menos até o início de 2027 e alta possibilidade de que o evento alcance intensidade muito forte, quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial supera 2°C. Embora se forme a milhares de quilômetros do Brasil, o fenômeno altera a circulação atmosférica e influencia o regime de chuvas em diversas regiões do planeta. 

Enquanto o Nordeste deve enfrentar redução das chuvas e prolongamento da estiagem, os impactos serão distintos nas demais regiões do país. No Sul, a previsão é de aumento das chuvas, com maior risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos. Já o Norte pode registrar estiagem prolongada, queda dos níveis dos rios e maior ocorrência de incêndios florestais. No Centro-Oeste, o fenômeno tende a favorecer ondas de calor, baixa umidade e queimadas, enquanto o Sudeste deve enfrentar temperaturas acima da média e irregularidade das chuvas. 

O documento foi desenvolvido por uma ação conjunta entre Inmet, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Monitoramento

Diante da possibilidade de um episódio muito forte, os órgãos que integram o Painel El Niño recomendam o acompanhamento permanente dos boletins meteorológicos, hidrológicos e geológicos, além da atenção aos alertas emitidos pela Defesa Civil. A orientação é que estados e municípios reforcem as ações preventivas e que a população acompanhe os avisos oficiais durante a evolução do fenômeno.

Curta e compartilhe:

Ana Júlia Silva

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *