Flávio lança campanha sem Michelle, abraçado a Milei, por José Natal

O número de votos que o Presidente argentino, Javier Milei, trará para a campanha de Flávio Bolsonaro, rumo ao Palácio do Planalto, ainda é incerto. Talvez o “gênio” pensador que arquitetou tal investida, inspirado em alguma ação de marqueteiros que promovem festas animadas pelos personagens de Walt Disney (Mickey e Pateta, por exemplo), saiba nos explicar melhor, quem sabe até nos convencer.

Louve-se aqui, com justiça, é que essa mesma assessoria, incapaz de convencer a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a prestigiar a festa, e levar a força do voto feminino ao candidato, teve a esperteza e sabedoria de brindar aliados e amigos de Flávio com presença tão ilustre, e querida do Brasil.

Há quem diga que, da plateia presente, vez por outra se ouvia o nome de Messi, sussurrado com mais carinho e afeto.

Afinal, qual a importância, e que peso político Javier Milei representa para o nosso País, em que cena ele aparece em algum filme que nos represente, ou nos respeite. Estacionado nas pesquisas, pedindo apoio partidário até de vizinhos de gabinete, e implorando à ala feminina que indique alguém à sua vaga de vice, Flávio acumula, com extrema facilidade, episódios que, ao contrário do que pede a campanha, apenas projetam insegurança a parceiros e aliados.

Vêm de longe as trapalhadas de Flávio, já catalogadas nos arquivos daqueles que tentam ajudá-lo, mas sempre esbarram em algo novo, e negativo. Aos mais esquecidos, voltem a fita e lá encontrarão a gravação pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, as desculpas esfarrapadas sobre a submissão sem lógica a Donald Trump, e ainda os atritos frequentes com pessoas influentes de seu grupo político.

Entre eles, Ciro Nogueira e Damares Alves, do Senado Federal; Pastor Malafaia, do meio evangélico, e ainda ações esporádicas que já o obrigaram a explicações desconexas, onde revela total amadorismo e insegurança.

Vêm de dentro da própria campanha, informações de que o apoio dado a ele por Tarcísio de Freitas, Governador de São Paulo, é feito com visível constrangimento, por razões que o mundo político sabidamente se lembra. Tarcísio até hoje não engole (ou não entende) por que motivo teve seu nome afastado de uma candidatura que o partido, aliados e até os adversários acreditavam ser o mais correto.

Trair, no ambiente político, é quase rotina, por conveniência. Quando acontece por acomodação, é burrice.

Segundo analistas presentes ao evento em São Paulo, a presença do Presidente argentino ao lançamento de uma candidatura bolsonarista, nada mais é do que uma demonstração eloquente de que a política do entreguismo, se Flávio se eleger, sairá do campo das hipóteses para o campo real.

Sem prestígio internacional, frágil e sem poder de convencimento para convidar Donald Trump, Flávio se entregou a Milei, e mandou às favas a sabida e reconhecida rejeição que os demais governantes da América do Sul sentem pelo argentino. Exala dos bastidores da campanha do candidato do PL (Partido Liberal), cheiro inevitável de uma nova crise de identidade e aceitação.

Às vésperas do início oficial da campanha (horário gratuito, panfletagens, comícios etc.), não se têm notícias de quem se habilitará a ser vice na chapa, em quais estados terá palanques de apoio e escancara desavenças políticas com outros candidatos, que, na hipótese de um possível segundo turno, seriam seus apoiadores.

Quanto ao abafamento da crise entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, após troca de gentilezas civilizadas pela rede social, pouco a acrescentar. Ele jura ser verdade o pedido de desculpas pelas ofensas, e a convida a participar. Ela finge acreditar.

Pode ser até que os atropelos naturais de uma campanha atrapalhem, ou impeçam, a quarta eleição do candidato petista, contrariando a massacrante liderança até agora apontada pelas pesquisas, todas elas. O tempo dirá.

Por ironia, ou quem sabe por malvadeza do destino, vem da campanha de Flávio, e de outras do mesmo naipe, a maior e mais contundente ajuda para que essa quarta consagração petista aconteça, talvez ainda no primeiro turno.

Não se têm notícias, até o momento, de possíveis providências que seriam adotadas por Javier Milei, no sentido de amenizar, ou evitar, novas turbulências que prejudiquem a campanha de Flávio. Quanto à ajuda de Donald Trump, o irmão Eduardo anuncia que estão em andamento.

José Natal
Jornalista

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