Decisão em Brasília barrou missão de diplomatas dos EUA que pretendiam se reunir com o TSE e com a campanha de Flávio Bolsonaro
Guilherme Levorato
247 – O governo do presidente Lula (PT) negou o pedido de visto oficial apresentado por dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que pretendiam viajar ao Brasil para realizar reuniões com autoridades eleitorais e com integrantes da oposição, confirmaram fontes em Brasília a Janaína Figueiredo, diz UOL.
A missão norte-americana previa a visita de Riley M. Barnes, secretário-adjunto, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto do Departamento de Estado americano, cujo planejamento de viagem havia sido revelado originalmente pelo jornal The Washington Post.
A solicitação dos vistos deu entrada formalmente no governo brasileiro no dia 20 de julho. No final desta mesma semana, a diplomacia brasileira comunicou ao governo dos Estados Unidos a decisão de indeferir ambos os pedidos.
Segundo a avaliação de autoridades consultadas em Brasília, existia uma conexão direta e clara entre a viagem planejada pelos enviados do Departamento de Estado e as recentes movimentações promovidas pela campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). As ações da campanha do parlamentar buscam desacreditar, com base em informações falsas, a lisura do processo eleitoral no país.
Entre esses movimentos, interlocutores governamentais destacaram a reunião realizada pelo candidato do PL com embaixadores em Brasília, ocasião na qual foram articuladas críticas diretas ao sistema eleitoral brasileiro. As fontes consideraram o episódio grave e preocupante, apontando que a intenção de um governo estrangeiro em tomar parte na ofensiva bolsonarista contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) representa uma tentativa inaceitável de ingerência.

