A Bahia poderá receber até R$ 3,6 bilhões em investimentos para a implantação de um complexo de produção de terras raras que reúne mineração e processamento industrial. O projeto intitulado de Monte Alto é desenvolvido pela Australian Brazilian Rare Earths (BRE), prevê uma mina e uma planta de concentração em Jiquiriçá/Ubaíra e, numa segunda etapa, uma unidade de separação de óxidos em Camaçari, ampliando a participação do Estado em um dos segmentos mais estratégicos da transição energética.
Além do volume do investimento, o diferencial está na proposta de agregar valor à produção mineral dentro do país, reduzindo a exportação de concentrados e incorporando uma etapa industrial considerada crítica na cadeia das terras raras no Brasil.
Segundo o presidente da BRE no Brasil, Renato Gonzaga, a intenção é avançar além da mineração. “Queremos separar esses elementos no Brasil e adicionar valor”. Para isso, a empresa desenvolve uma planta-piloto no Senai Cimatec, em Salvador, prevista para entrar em operação em setembro deste ano.
Concentração de pesquisas
O projeto reforça um movimento observado nos últimos anos na Bahia, que concentra parte significativa das pesquisas brasileiras voltadas aos chamados minerais críticos. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) apontam o Estado entre os principais destinos dos investimentos em pesquisa de terras raras, insumos considerados estratégicos para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa.
Segundo a BRE, a área do Projeto Monte Alto está baseado em um depósito com teor médio superior a 15% de óxidos de terras raras (TREO), índice que a empresa classifica entre os mais elevados já reportados para esse tipo de ocorrência mineral, com predominância de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados principalmente na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.
Polo de Camaçari
A segunda etapa do empreendimento, porém, é a que pode representar uma mudança de perfil para a atividade mineral no Estado. A proposta é instalar em Camaçari uma planta de separação dos óxidos de terras raras, etapa de maior complexidade tecnológica normalmente realizada fora do Brasil.
A escolha do polo industrial não é casual. Camaçari reúne infraestrutura logística, disponibilidade de insumos químicos, acesso portuário e um parque industrial consolidado, características que podem favorecer a verticalização da cadeia produtiva.
Investimentos
O memorando de entendimentos firmado com o Governo da Bahia prevê uma primeira fase de aproximadamente R$ 600 milhões, destinada à implantação da mina e da planta de concentração.
Com a implantação da unidade industrial em Camaçari, o investimento total poderá alcançar R$ 3,6 bilhões, dependendo da evolução dos estudos técnicos e econômicos.
Atualmente, a empresa elabora o chamado Scoping Study, estudo que deverá indicar a viabilidade técnica e econômica do empreendimento e orientar as próximas etapas do projeto.
Cooperação internacional
A estratégia inclui ainda uma parceria com a francesa Carester, especializada em tecnologias de separação e reciclagem de terras raras. O acordo prevê apoio tecnológico para o desenvolvimento da futura planta industrial, em um momento em que Europa e Estados Unidos buscam diversificar fornecedores e reduzir a dependência da cadeia dominada pela China.

