A transformação ecológica no Nordeste depende cada vez mais do uso de dados para guiar políticas públicas e iniciativas de desenvolvimento. Por isso o Fórum de Economia Circular (FNEC) junto com a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD), lança, na próxima segunda (27), o 1º Caderno de Recomendações em Dados e Inteligência Territorial, que trata da agenda de dados abertos à economia circular.
Produzido a partir das discussões do III Fórum Nordeste de Economia Circular, realizado em Fortaleza (CE), o estudo sugere mais de 60 atividades e ações voltadas à inteligência territorial distribuídas em dez eixos temáticos. O documento é direcionado a estados, municípios, universidades, ‘sociedade civil’ e ao setor produtivo.
O lançamento do caderno acontece em um contexto de expansão de 2,4% da atividade econômica do Nordeste, de acordo com o Boletim Macro Regional Nordeste. O material apresenta uma análise sobre dados territorializados no apoio à iniciativas de economia circular, adaptação climática e planejamento dos territórios. Além de reunir recomendações para ampliar a integração de dados, fortalecer indicadores regionais e aproximar informações técnicas das diferentes realidades locais, em municípios mais afastados ou menores da região Nordeste.
Segundo Francisco Alexandre, superintendente da SUDENE, o desenvolvimento regional exige decisões baseadas em evidências e o acesso a dados específicos do território fortalece a transparência e a capacidade de planejamento de políticas públicas para o Nordeste.
“A Sudene tem investido na estruturação e disseminação dessas informações por entender que este conhecimento é fundamental para enfrentar desafios relacionados às mudanças climáticas, à economia circular e à redução das desigualdades regionais”, afirma.
Aplicação na Caatinga
A publicação dialoga com o avanço de iniciativas voltadas à organização de informações sobre o Nordeste, como o Data Nordeste, que reúne dados sobre o território. Também são apresentadas conexões com agendas de desenvolvimento sustentável, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o PRDNE 2024–2027 e o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, reforçando a importância da integração de dados para apoiar análises e decisões relacionadas aos territórios.
Entre as recomendações apresentadas estão a criação de uma matriz regional de indicadores territorializados, o fortalecimento de observatórios públicos em linguagem acessível, a capacitação de equipes municipais e o desenvolvimento de metodologias para pequenos municípios e consórcios intermunicipais.
Para Liu Berman, presidente do Instituto Reinventando Futuros, o material busca facilitar o acesso a dados e oferecer ferramentas que auxiliem gestores, pesquisadores e cidadãos no planejamento de iniciativas ligadas à economia circular e ao desenvolvimento regional.
Outro destaque do caderno é a aplicação da inteligência territorial à Caatinga.
O documento apresenta o uso de geodados, sensoriamento remoto e mapeamentos participativos para apoiar ações de planejamento ambiental, gestão de recursos hídricos e agricultura resiliente, considerando as características do bioma. Também reúne recomendações, roteiros e metodologias voltados ao desenvolvimento de soluções nas áreas de economia circular, gestão de resíduos, recursos hídricos e mudanças climáticas.

