Governo dos EUA impõe nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado em 60 países, inclusive o Brasil

O Governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa sobre a importação de 60 países parceiros que teriam se beneficiado comercialmente de produtos ligados ao trabalho forçado, entre eles o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entram em vigor já nesta sexta-feira (24), a partir das 0h01 (horário de Washington). 

De acordo com o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), a taxação de 10% vale para países que se comprometerem a adotar e aplicar efetivamente as proibições à importação de trabalho forçado. Já a de 12,5% será para países que não adotaram essa proibição. 

A decisão é resultado de uma apuração conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Segundo o governo americano, o processo concluiu que esses países adotam práticas comerciais desleais ao não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. 

Com a nova medida, a tarifa de 25% que entrou em vigor na última quarta-feira (22), alguns produtos brasileiros passam a enfrentar uma sobretaxa de 37,5%. 

Economias afetadas

Além do Brasil, mais 53 países também falharam em aplicar as proibições exigidas pelos EUA. São eles: 

  1. Argélia;
  2. Angola;
  3. Argentina;
  4. Austrália;
  5. Bahamas;
  6. Bahrein;
  7. Bangladesh;
  8. Brasil;
  9. Camboja;
  10. Chile;
  11. China;
  12. Colômbia;
  13. Costa Rica;
  14. República Dominicana;
  15. Egito;
  16. El Salvador;
  17. Guatemala;
  18. Guiana;
  19. Honduras;
  20. Hong Kong;
  21. Índia;
  22. Iraque;
  23. Israel;
  24. Japão;
  25. Jordânia;
  26. Cazaquistão;
  27. Kuwait;
  28. Líbia;
  29. Malásia;
  30. Marrocos;
  31. Nova Zelândia;
  32. Nicarágua;
  33. Nigéria;
  34. Noruega;
  35. Omã;
  36. Peru;
  37. Filipinas;
  38. Catar;
  39. Rússia;
  40. Arábia Saudita;
  41. Singapura;
  42. África do Sul;
  43. Coréia do Sul;
  44. Sri Lanka;
  45. Suíça;
  46. Taiwan;
  47. Tailândia;
  48. Trinidad e Tobago;
  49. Turquia;
  50. Emirados Árabes Unidos;
  51. Reino Unido;
  52. Uruguai;
  53. Venezuela;
  54. Vietnã.

Ficou reservada a taxa de 10% para Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão. 

Exceções

Nem todos os produtos foram afetados pela aplicação da nova tarifa. Ficaram isentos produtos como:

  • Materiais informativos, doações e bagagem acompanhada;
  • Todos os artigos e componentes já sujeitos às tarifas da Seção 232;
  • Matérias-primas cuja taxação adicional possa comprometer o abastecimento interno dos Estados Unidos;
  • Produtos que, caso sejam submetidos às novas tarifas, possam provocar impactos em cadeia sobre a economia norte-americana;
  • Itens que não podem ser cultivados ou produzidos em quantidade suficiente nos Estados Unidos, nem obtidos de outras fontes;
  • Produtos cuja isenção tarifária possa estimular outros países a adotar e aplicar de forma efetiva proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado;
  • Artigos para os quais a aplicação de tarifas adicionais não contribuiria de forma significativa para corrigir os atos, políticas e práticas identificados nas investigações.

Entre os produtos isentos das tarifas estão petróleo e gás, fertilizantes e alimentos, como carnes.

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Ana Júlia Silva

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