Às vésperas da 78a Reunião Anual da SBPC, a cientista / presidenta Francilene Garcia, comenta no Jornal da Ciência: “Somos taxados exatamente onde tentamos subir na cadeia do valor, e poupados onde seguimos fornecedores de natureza. A tarifa é, ela própria, um diagnóstico”, em artigo. Confira um trecho:
“A pouco mais de uma semana da abertura da 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói, um episódio de política externa se encarregou de ilustrar, com precisão desconfortável, o tema que a comunidade científica levará ao país: soberania, desenvolvimento e inclusão. O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou no debate público pela porta da campanha. Discute-se quem traiu, quem foi ingênuo, quem é incompetente. É um registro legítimo da política, mas é o registro errado para quem quer entender o que está em jogo. A comunidade científica brasileira pode fazer a pergunta que a disputa eleitoral não faz: não de quem é a culpa, mas o que nos torna vulneráveis.
Vista por esse ângulo, a sobretaxa não é uma agressão pontual. É um teste de estresse. Ela revela, de uma só vez, se o Brasil tem um projeto de país ou apenas reações a acontecimentos. E revela porque incide precisamente sobre aquilo que decidimos não dominar. Exportamos o etanol, o minério, o aço bruto; importamos a tecnologia, a patente, o produto transformado. A tarifa apenas cobra o preço de uma escolha, ou, mais exatamente, de uma escolha que nunca fizemos de forma consciente. Ela torna visível o custo de não ter decidido o que o país quer ser. E o faz de forma quase didática: a sobretaxa poupa o que exportamos bruto, o café, a carne, o petróleo, e recai sobre o que ousamos transformar, do etanol às manufaturas. Somos taxados exatamente onde tentamos subir na cadeia do valor, e poupados onde seguimos fornecedores de natureza. A tarifa é, ela própria, um diagnóstico.”
Leia o artigo completo no #JornalDaCiência:
https://www.jornaldaciencia.org.br/o-preco-de-uma-escolha-que-nao-fizemos/

