Bolsonaristas mais atrapalham do que ajudam na campanha de Flávio, por José Natal

Por essa, nem os mais pessimistas dos aliados de Flávio Bolsonaro esperavam. Vem da própria família do candidato, de alguns aliados e de integrantes da própria campanha, farto material de como minar um terreno já bem afetado, com robustas e consistentes peças, que, se utilizadas, podem causar prejuízos danosos contra ele.

Estranhamente, como se fossem neófitos políticos, e com a visão embaçada pela vaidade ou interesses futuros, muitos em volta do filho do capitão, muito mais o prejudicam do que ajudam. Antes que raivosos, radicais e outros apoiadores que espalham valentias pela rede social se manifestem, um convite a reflexão, auto-crítica talvez.

De nada adianta esbravejar, agredir, atacar ou maldizer antepassados do adversário (Lula da Silva), sem antes se conscientizar que a doença que mais torna Flávio moribundo eleitoralmente, tem origem nas próprias entranhas, que se alastra como erva daninha ou praga de mãe.

Nenhum marmanjo gosta de ouvir conselhos. Bolsonaristas, então, detestam. Vamos aos fatos, sem ódio ou rancor, cartucheiras no chão, de preferência. Apoiado por um irmão farofeiro, desprestigiado e sem brilho algum junto ao mundo político no Brasil, Flávio se despenca para os Estados Unidos, se abraça a Donald Trump, e de lá dispara serpentes contra o próprio país, atitude que oscila entre o boçal e o ridículo. Não satisfeito, se abraça a um auxiliar machista e preconceituoso, que em rede mundial afirma que mulher não sabe votar, e aquelas que dizem saber são submissas ao marido.

Entre a idiotice e a arrogância, Figueiredo se encaixa nas duas opções. Para os analistas com tempo de estrada, a impressão que se tem é que Flávio acredita que os eleitores brasileiros que moram nos Estados Unidos vão elegê-lo, ou ajudar para que isso aconteça.

De volta à terra, o candidato é “premiado” com uma sincera e bem colocada gravação feita pela ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, que, sem rodeios e com coragem, revela através de uma gravação de quase 23 minutos, uma série de atos de Flávio Bolsonaro desferidos contra ela, inclusive o de ter sido desrespeitada por ele, mais de uma vez.

Embora esse fato apenas agora tenha sido anunciado, vem de longa data rumores de que entre Michelle e os filhos de Jair, os diálogos sempre aconteceram em algum ringue, nunca em um gabinete refrigerado.

Após panos quentes de ambas as partes, nada mudou. Apenas o faz de conta que está tudo bem. A gravação de um áudio de Flávio, pedindo ajuda financeira a Daniel Vorcaro, meses atrás, insistentes contradições sobre taxação de impostos ao Brasil também entram na conta negativa da pré-campanha que o PL (Partido Liberal), até agora oferece a seu candidato.

Em data recente, como se fosse uma cereja do bolo, Valdemar Costa Neto, que preside o PL ,entra na mira da Polícia Federal,que pede a ele explicações sobre verbas orçamentárias, feitas de forma mal conduzidas.

Até uma foto feita ao lado de Sicário, aquele ajudante de Vorcaro que se matou na cadeia, vem à tona e leva o candidato a uma nova polêmica. O resumo de tudo isso, como não poderia deixar de ser, vem estampado a cada pesquisa de opinião pública, sempre apontando Flávio em queda percentual de votos, nunca até hoje em quadro superior a seu adversário, Lula. A última pesquisa Quest, por exemplo, dá sinais evidentes que o petista aumenta chances de vitória ainda no primeiro turno.

Fato, aliás, meio que esquecido (ou não lembrado) por grande parte da grande mídia, não se sabe por que. De seus “amigos”, também candidatos da ala direitista (Caiado, Zema, Renan) e outros, Flávio recebe mais empurrões do que abraços, mais desapegos do que afagos.

Cenas explícitas, sem cortes, de que até dentro da própria aldeia, ou da vizinhança, deve ter índio com flechas envenenadas. Ou querendo apito.

José Natal
Jornalista

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