O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) se reúne nesta quarta-feira (8/7) com o setor de biocombustíveis para discutir, entre outros temas, o aumento da mistura do etanol na gasolina comum, dos atuais 30% para 32%. A medida busca reduzir os impactos da variação do preço internacional do petróleo. O aumento do etanol na mistura é uma promessa do Planalto aos usineiros e, se aprovado, deve começar a valer a partir de agosto.
Segundo a agência Eixos a pauta do CNPE também inclui a minuta de resolução com a moratória da importação de biodiesel – estabelecendo que todo biocombustível usado na mistura obrigatória deve vir de usinas nacionais.
A expectativa de produtores de biodiesel é que o governo barre a importação, alterando a Resolução 5/2026, que foi aprovada na última reunião do conselho, em 1º de abril, e que deixou em aberto a decisão sobre liberação ou não da importação. A moratória conta com a oposição de entidades ligadas às distribuidoras, postos e traders.
Em meio às pressões do setor de biocombustíveis, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) defende a realização de mais estudos antes da implementação da medida. Isso porque especialistas apontam que veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol podem ser prejudicados com a mistura.
O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor, segundo especialistas ouvidos pelo g1. A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica.
“As avarias principais que podem ocorrer seriam de corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção, pois podem provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e consumo e até dano total, principalmente na bomba e injetores”, explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

