Ministro Wellington Dias revela dados de transformação sócio econômico com o programa capaz de tirar o país da fome
Por Walter Santos
Ainda repercute no mundo a inserção brasileira enquanto país em desenvolvimento alcançando a inclusão entre os países agora contabilizados como de Desenvolvimento Humano.
Para tratar e analisar causas e efeitos desta fato , fomos ouvir o ministro Wellington Dias, responsável pela Pasta que mudou o rumo da segurança alimentar no Brasil. Leiamos:’
Revista NORDESTE – O Brasil chega ao final de maio com uma conquista histórica: o maior nível de desenvolvimento humano de sua história, alcançando a marca de 0,805 e ingressando no patamar de “muito alto desenvolvimento humano”. Como o senhor, na condição de ministro da área, avalia essa performance e o que ela representa para o futuro do país?
Wellington Dias – O IDHM é extraordinário, porque permite um planejamento com ainda mais eficiência. Agora, a gente tem o retrato do Brasil. Quando eu pego os 216 milhões de brasileiros, pelos dados atualizados, encontramos aproximadamente 210 milhões de cidadãos que saíram da pobreza, mas a gente tem ali uma parte que ainda está na pobreza, 20%, mais ou menos. De um lado, os dados apontam que o Brasil está no rumo certo, mas agora também podemos olhar de outra forma e alcançar quem ainda não alcançamos em todos os aspectos. Essa marca é a prova de que políticas sociais dão resultado.
NORDESTE – Qual o impacto da cronologia histórica?
Wellington Dias – O IDHM havia caído entre 2019 e 2021 de 0,854 para 0,796. Quando retomamos o Bolsa Família em 2023, já subiu para 0,857. E agora, o resultado de 2024 nos coloca com o melhor índice de desenvolvimento humano da história do país. Ou seja: a partir de agora, estamos no rumo para um país melhor de maneira sustentável e próspera, pois a cada melhora será o melhor resultado do país daqui para frente.
NORDESTE – Na sua opinião, quais foram os pilares e segmentos essenciais que mais contribuíram para esse resultado tão expressivo?
Wellington Dias – O avanço que conquistamos é resultado de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso à educação, à saúde e à geração de renda. O Bolsa Família teve papel fundamental nesta conquista, segundo avaliação do próprio PNUD (Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento). Além da transferência de renda, o programa exige que crianças e adolescentes de famílias beneficiárias estejam matriculados e tenham uma frequência escolar mínima.
NORDESTE – Quais outros efeitos sócio – econômicos?
Wellington Dias – Além disso, o desemprego está no nível mais baixo da nossa história. O Brasil está crescendo e a renda está crescendo, e a renda dos mais pobres está crescendo mais ainda. A renda de pessoas negras e negros, a renda de mulheres, a renda de quem antes não crescia. O fato concreto é que, quando eu pego ali o público do Bolsa Família, eu encontro 32 milhões na população economicamente ativa. São pessoas que organizam um pequeno negócio ou que estão nos programas de agricultura, por exemplo, no Pronaf.
NORDESTE – Apesar dos avanços das políticas sociais de segurança alimentar, ainda há vozes críticas, como a do apresentador Luciano Huck, que buscam relativizar esses resultados. Como o senhor enxerga a importância de dialogar com diferentes setores da sociedade para ampliar a compreensão sobre essas conquistas?
Wellington Dias – Quando surge alguma manifestação como esta, nós temos a oportunidade de trazer a público como são as coisas de fato para que mais pessoas saibam como é importante reforçar a verdade. São diversos os setores da sociedade que já compreendem a importância do Bolsa Família e dos programas sociais.
O Governo do Brasil, por meio do MDS com o Programa Acredita no Primeiro Passo, está formando parcerias com empresas privadas e entidades que estão encaminhando o pessoal do Cadastro Único dos Programas Sociais para o emprego. Isso é resultado. Só de 2023 para cá, 5,4 milhões de famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque passaram a trabalhar.
NORDESTE – Qual o significado com efeitos de transformação?
Wellington Dias – É preciso aproveitar fatos como esse para que a gente enterre de vez o preconceito que se tem com relação aos mais pobres. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Banco Mundial, aponta que cerca de 70% da primeira geração de beneficiários do Bolsa Família deixou a condição de pobreza, principalmente por meio da educação. Os filhos do Bolsa Família hoje são médicos, advogados, enfermeiros, jornalistas, servidores públicos que integram hoje a classe média brasileira.
NORDESTE – Quais são os números atuais da segurança alimentar e do sustento de famílias pelo Bolsa Família? E qual o percentual de famílias que deixaram o programa voluntariamente, por terem alcançado autonomia?
Wellington Dias – Agora recentemente em maio, o Bolsa Família chegou a 19,08 milhões de lares. Desde 2023, são cerca de 30milhões de pessoas retiradas da fome e 5,4 milhões que saíram do Bolsa Família por aumento de renda, seja por terem assinado a carteira de trabalho seja pelo empreendedorismo. O Programa Bolsa Família não é só transferência de renda. Ele é um programa que abre portas para as pessoas crescerem.
NORDESTE – Percebe-se uma tentativa de associar o Bolsa Família exclusivamente aos nove estados do Nordeste. Como o senhor avalia a capilaridade e o impacto do programa em estados como São Paulo e Rio de Janeiro?
Wellington Dias – A ideia de que o Bolsa Família só atende ao Nordeste é falaciosa e preconceituosa. Dentre os cinco estados com mais famílias atendidas, três estão na região Sudeste. No começo do Bolsa Família, o grande desafio era chegar nos rincões da Amazônia e do Agreste. Hoje, conseguimos reverter o êxodo rural, que levava tanta gente do Nordeste para outras regiões.
Hoje, o nordestino não precisa pegar um pau-de-arara para ter uma vida digna. Agora, um grande desafio é a pobreza urbana que ainda existe. E para esse quadro, nós estamos investindo no povo por meio de capacitação, encaminhamento ao emprego e promoção do empreendedorismo. E o impacto disso está todo mês no CAGED, com o número expressivo de beneficiários dos programas sociais sendo empregados, CLT com carteira assinada. Mais de 88% das vagas de trabalho de 2025 são do pessoal do CadÚnico, são do pessoal do Bolsa Família.
NORDESTE – Como o senhor pretende coordenar os esforços em torno da reeleição do presidente Lula? Qual será seu papel nesse processo?
Wellington Dias – Sou um dos coordenadores da campanha de reeleição do presidente Lula. E afirmo: 2026 oferece um cenário ainda mais favorável que 2022. Naquele ano, a conjuntura era extremamente desafiadora por tudo o que vivemos.
Importante deixar claro que o Brasil não vai tolerar qualquer interferência externa nesse processo. Não nos metemos, do ponto de vista eleitoral, em nenhum país – ainda que possamos ter simpatia por esta ou aquela candidatura. O Brasil exige respeito, porque isso se chama soberania.
*Entrevista exclusiva publicada na edição 233 da revista NORDESTE.

