Não se tem notícias sobre quantos livros lidos por Jair Bolsonaro devem ter dado a ele embasamento real, para uma estrutura consistente e robusta, para o pronto desafio ao enfrentamento às questões públicas e políticas, quando ainda presidente da República.
Há quem diga que foram poucos. (emprestados e não devolvidos) Os mais íntimos, desconversam. Claro que esse ingrediente cultural ajuda, mas não chega a ser de importância vital para que o desempenho seja, pelo menos, razoável. E parece ter sido razoável o nível de sabedoria e competência do capitão, ao escolher para a candidatura presidencial do seu partido (PL), o filho Flávio, espalhafatoso nos bastidores e no ambiente familiar, mas amador e juvenil quando a pauta exige sinais de equilíbrio e seriedade profissional.
Ou seja, numa prova de avaliação seria reprovado por inaptidão ao cargo. Definição, aliás, feita por um de seus aliados, que, acabrunhado, lamenta que a escolha feita pelo pai, tenha sido protetora, emocional e absolutamente ditatorial, descalibrada. Ao desabafo, ele acrescenta: em política quem se deixa levar pelo emocional, quase sempre liga para parabenizar o adversário pela vitória.
E nesse particular, as alegações correspondem aos fatos. Desde que foi indicado, acumulando uma bola fora a cada semana, Flávio parece não entender até hoje o que significa ser candidato a cargo de tamanha importância. Se porta como líder de torcida organizada de clube de futebol, ao invés de buscar credibilidade junto ao eleitor, hoje carente de opções e curioso sobre o que esperar de novos pretensos líderes.
Os nomes de Tarcísio de Freitas e também de Michelle Bolsonaro, não raro figuram na lista chorada daqueles que já entenderam que algo não vai bem, e o desconforto causado pelo avanço da candidatura Lula da Silva incomoda, tira o sono. O que também desagrada, e já atiçou providências dos mais cascudos que integram a jornada bolsonarista, é a série de fatos e eventos, lembrando o que fez Fernando Collor de Mello na campanha eleitoral (1990), que o elegeu, e muito foi seguida, quando eleito.
O resultado final, pouco a comemorar. Camisetas desenhadas com mau gosto, gestos que simbolizam agressividades, dancinhas em palcos do interior e estrepolias do gênero, que em nada acrescentam à campanha.
Ao contrário, revelam uma aparente ingenuidade que todos sabem ele nunca teve. Subestima a credibilidade de quem assiste à bizarrice e desperdiça espaço e tempo que deveriam ser aproveitados para atitudes mais sérias, responsáveis. Por mais que tente se desgarrar da aproximação que teve (e ainda tem), de tudo que diz respeito a Daniel Vorcaro, se desfazer desse DNA a cada dia fica mais difícil, e cai por terra fúteis argumentações, que não convencem sequer a ele mesmo. Mesmo mantendo o ‘faz de conta’ que o apoiam, os patriotas, também candidatos, (Caiado e Zema), já fizeram cara feia sobre as ações de Flávio com respeito ao exagerado afago e afeto aos Estados Unidos, escancarando uma dependência que até a direita conservadora (pasmem), vez por outra desconversa.
Há sinais evidentes que, nos próximos dias, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República voltarão a inundar a mídia com novas revelações sobre as investigações do caso BRB-Master, pedra no sapato de quase todo mundo político de Brasília e arredores.
O nome do candidato, todos se recordam, pouco tempo atrás, também figurou nessa escalada sem fim de denúncias e questões mal explicadas. Somado a isso, o nome de Flávio Bolsonaro, citado pelos adversários como traidor da pátria, quando de público se coloca à disposição do Governo americano contra o Brasil, de uma só vez causa estragos não só a ele, como também aos demais candidatos do partido a outros cargos país afora.
Pelos corredores do Congresso Nacional, gabinetes dos Ministérios Públicos, tribunais, ruas e becos das grandes e pequenas cidades, a campanha eleitoral é o prato do dia, e ninguém arreda pé desse debate, mesmo com a Copa do Mundo batendo à porta de todos nós.
Com as pesquisas já sinalizando avanço petista em várias regiões do país, o alvoroço em torno de Flávio só aumenta, e preocupa. Cedo ainda para o desespero, mas ele ronda o território que já teve até dias de euforia.
Uma fonte próxima, meio que tristonha e desanimada, comenta com alguma ironia esperar que haja reação. Mesmo daqueles que optaram pela acirrada busca pelas figurinhas da Copa. A do Neymar é a mais procurada, afinidade é coisa séria.
José Natal
Jornalista

