Planalto rebate acusações dos EUA e defende atuação do Brasil contra trabalho forçado

Em nota divulgada nesta quarta-feira (3), o governo federal classificou como “absurda” a tentativa dos Estados Unidos de associar a competitividade da economia brasileira ao uso de insumos obtidos em condições que violem a dignidade humana. 

O Palácio do Planalto também informou que poderá acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para responder a medidas consideradas injustas e incompatíveis com as regras do comércio internacional. 

Segundo o governo brasileiro, a iniciativa americana penaliza de forma indiscriminada 59 países e a União Europeia e utiliza um tema relevante para justificar medidas protecionistas.

“O tema da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras está sendo desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais”, afirma o documento.

A nota destaca ainda que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece há décadas o Brasil como referência no combate ao trabalho forçado. Segundo o Executivo, essa reputação foi construída a partir da combinação de ações de fiscalização, responsabilização de infratores, cooperação entre instituições e compromisso político com a erradicação dessa prática. 

Frente a possibilidade de novas tarifas ou restrições comerciais por parte dos Estados Unidos, o Executivo afirmou que poderá recorrer aos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. A legislação autoriza a adoção de contramedidas em casos considerados injustos e sem respaldo nas normas internacionais de comércio.

O Planalto também ressaltou que apresentou contribuições formais durante a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), incluindo informações sobre a legislação brasileira voltada à prevenção da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Conforme o governo, as autoridades aduaneiras brasileiras possuem competência para barrar e confiscar produtos estrangeiros que contrariem a moral pública, a saúde ou a ordem pública, enquadrando nessa categoria bens produzidos total ou parcialmente por meio de trabalho forçado.

Confira aqui a declaração na íntegra.

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Ana Júlia Silva

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