Senado inicia recesso e sabota o fim da escala 6×1

Sob o comando de Davi Alcolumbre, Casa trava proposta de interesse dos trabalhadores que reduz jornada para 40 horas semanais e aguarda despacho

Guilherme Levorato

247 – O encerramento do primeiro semestre legislativo no Congresso Nacional expõe uma manobra de sabotagem por parte do Senado Federal contra os interesses da classe trabalhadora. Com o início formal do recesso parlamentar no sábado (18), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1 foi deliberadamente paralisada, aguardando um despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), relata o Metrópoles.

Aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio, a medida contou com forte articulação política e o aval do presidente daquela Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), estabelecendo a redução da jornada máxima semanal das atuais 44 para 40 horas. Contudo, ao ingressar no Senado, a pauta de alto interesse popular foi contida pela presidência da instituição.

Alcolumbre tem justificado publicamente a lentidão no andamento do texto sob o argumento de que concederia um tempo “razoável” para que os senadores deliberem, declarando ainda que a Casa Alta “não pode ser carimbadora” das decisões tomadas pela Câmara.

Paralelamente à retenção do projeto, o senador tem priorizado agendas e reuniões com empresários e sindicatos patronais. Em uma clara demonstração de resistência à proposta dos trabalhadores, o presidente do Senado despachou uma PEC alternativa elaborada pela oposição diretamente para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) logo no dia seguinte à aprovação do texto original na Câmara.

Diante do impasse, o governo federal buscou reconfigurar sua articulação política no Senado, substituindo o senador Jaques Wagner (PT-BA) pela senadora Teresa Leitão (PT-PE) na liderança da bancada.

Após a mudança, Alcolumbre chegou a fazer sinalizações às bases sindicais, questionando se o cronograma de transição estipulado pelos deputados não seria excessivamente longo.

Estrategistas políticos buscam aproximar o parlamentar amapaense da redação para que ele possa “deixar a sua marca” e diminuir a resistência interna, embora lideranças partidárias na Câmara tenham subido o tom, cobrando publicamente o destravamento imediato da matéria.

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Walter Santos

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