Ação bolsonarista nos Fatos do PLANALTO: EUA tumultua eleições no Brasil, por José Natal

Se a ideia da família Bolsonaro era tumultuar, agitar e gerar um clima de tensão e desconforto, às vésperas das eleições presidenciais no Brasil em 2026, de certa forma já há algo a comemorar.

Bem ao estilo Jair Bolsonaro de ser, gerando a discórdia e a grosseria por onde quer que passe, duas ou três ações previamente traçadas com a pior das intenções começam a surtir efeito.

Como todos (ou quase todos) se lembram, a primeira investida nesse sentido foi tomada pelo filho chorão, Eduardo Bolsonaro, que deixou o Brasil pela porta dos fundos, fugindo da polícia para não ser preso.

Instalou-se em terras de Tio Sam e, de lá, com o DNA da família, começou a falar mal do País e a preparar terreno para investidas mais sombrias, a médio e longo prazo, azeitando corredores que agora parecem surgir para outras finalidades.
Mal assumiu a condição de pré-candidato, nomeado por Jair, Flávio fez as trouxas e, de pronto, foi para o colo de Donald Trump, devidamente assessorado pelo irmão e aliados, disparando intempéries contra o Brasil, sem medir consequências, estragos e danos. Atingindo, inclusive, caciques da mesma aldeia.

Todo esse ambiente hostil, que hoje, prematuramente, já sinaliza que teremos uma campanha eleitoral cheirando a cartucheiras, está sendo gerado por aqueles que, sem muita preocupação com possíveis danos, colocam no cenário eleitoral elementos que, com oportunismo político, se arvoram em opinar sobre questões unicamente de interesse dos brasileiros.

As recentes manifestações de dirigentes americanos sobre (novamente) aplicação de elevadas taxas de juros surgem motivadas pelos últimos debates levantados, citando a presença de terroristas atuando no Brasil.

É sabido que partiu do candidato Flávio Bolsonaro a primeira insinuação provocativa dessa tese, contestada pelas autoridades brasileiras.

Quando um político brasileiro, candidato a um cargo público, se habilita a ir a outro País, revelar mazelas contra a própria bandeira e ainda pedir aplauso pela traição, algum parafuso está faltando para que essa engrenagem funcione bem.

Foi algo mais ou menos assim que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, fez ao ir aos Estados Unidos excitar o Governo americano a meter o dedo nas feridas abertas do nosso País.

Lá se vão algumas décadas que o crime organizado rola solto Brasil afora, como se fosse uma epidemia. Não se trata de terrorismo, e sim de exploração criminosa usando a droga como moeda de troca, ameaças de sequestros, extorsões e assassinatos.

Terrorismo está em outro patamar. Passa por negociatas políticas, fuzilamento de governantes, domínios de fronteiras, controle de exportações e todo o tipo de ação bélica, inclusive escolha de candidatos a cargos eleitorais, submetidos a chantagens familiares.

Também nesse escopo de atuação relacione o tráfico de pessoas, uso de explosivos e ocupação de embaixadas. Isso é terrorismo.

A ação do crime organizado é outra coisa. Ao sugerir às autoridades americanas (Secretário Marco Rubio) ações efetivas contra o que chama de terrorismo no Brasil, Flávio Bolsonaro, se fazendo de bom moço, se portou como aquele desafiante que invade a área do tubarão, pouco se importando que possa surgir daí estragos de ilimitadas proporções.

Estragos causados por tubarões costumam deixar feridas incuráveis, fraturas expostas, além de gerar traumas terríveis aos que escapam da morte.

Ao longo da história, a atuação, domínio e presença bélica dos Estados Unidos em dezenas de outros países é sabidamente do conhecimento público. O curioso, ou estranho — cada um trate como achar confortável —, é que quase sempre o Governo americano, para muitos desses países, é tido como protetor, responsável pela vida saudável da população, mantendo seus dirigentes sob tutela dominadora, por bem e, às vezes, por mal.

O que os Bolsonaros já fizeram no passado, e parece que querem continuar fazendo, é justamente isso. Oferecer, ou sugerir, a Donald Trump voz de comando sobre o Brasil, orientação política e econômica, recebendo em troca facilidades e agrados, sabe-se lá em que condições.

A exploração de minérios e similares (terras raras), por exemplo, com certeza entra nessa pauta.

Por mais que aliados do partido e do candidato sinalizem gestos de simpatia e apreço à causa, a submissão da forma como está sendo demonstrada extrapola limites aceitáveis, resvala na entrega abusiva.

Submeter o Brasil à condição de país que abriga terroristas, sem que isso seja verdade, por si só já causa constrangimento diplomático, gera especulações internacionais e exige uma série de procedimentos que afetam o prestígio e os ambientes econômico e empresarial. E o mais grave, motiva sensação de constante insegurança.

Os primeiros sinais de que a atitude do candidato foi açodada começam a surgir e mostrar estragos. Recebeu críticas vindas de pessoas de dentro da própria família. Outros candidatos, que quando em campanha oficial terão que abordar o assunto, sabem que esse batismo mentiroso de que há terroristas no Brasil terá que ser desmentido com convicção e ênfase.

Em nome da direita, Flávio deu um tiro no pé, e leva com ele aliados desde já mal-humorados.

José Natal
Jornalista

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