Codevasf e UFMA investem em tecnologia para agregar valor à cadeia do pescado no Maranhão

Uma parceria entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) promete abrir novas oportunidades de negócios para a cadeia produtiva do pescado no estado. As instituições inauguraram, em São Luís, uma unidade voltada ao aproveitamento integral dos resíduos da pesca e da aquicultura, com foco na produção de insumos de alto valor agregado para mercados nacionais e internacionais.

Com investimento de R$ 1 milhão, o projeto busca transformar materiais que normalmente seriam descartados, como pele, ossos, escamas, vísceras e bexiga natatória, em produtos destinados às indústrias farmacêutica, cosmética, biomédica e alimentícia. Entre os principais itens que poderão ser produzidos estão colágeno, ácido hialurônico, hidroxiapatita e óleos ricos em ácidos graxos essenciais.

Segundo a UFMA, até 70% do pescado processado pode se transformar em resíduos passíveis de reaproveitamento industrial, ampliando o potencial de geração de renda para pescadores, cooperativas e empresas do setor.

Para o superintendente da Codevasf no Maranhão, Clóvis Paz, a iniciativa fortalece a economia regional ao unir inovação e sustentabilidade. “Transformamos resíduos que antes eram descartados em produtos valorizados, fortalecendo a pesca, a aquicultura e a bioeconomia regional”, destacou.

O projeto prevê ainda a implantação de unidades de processamento de colágeno e de óleos extraídos de vísceras, além da transferência de tecnologia para cooperativas, associações e empresas privadas, estimulando o aproveitamento integral da produção pesqueira.

Um dos produtos com maior potencial econômico é a bexiga natatória, conhecida popularmente como “grude”. O subproduto possui alta demanda no mercado asiático, especialmente na China e em Hong Kong, onde é utilizado tanto na gastronomia quanto na medicina tradicional.

Dados do ComexStat mostram que o Brasil exportou cerca de 637 toneladas de bexiga natatória em 2020, movimentando aproximadamente R$ 2,13 bilhões, evidenciando o potencial de geração de receita para a cadeia produtiva.

Durante a inauguração, o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo ressaltou o alcance da iniciativa. “O Ministério da Pesca é parceiro de uma iniciativa como esta, que vai servir não apenas para a universidade, mas terá reflexo direto na sociedade maranhense”, afirmou.

Além da unidade de beneficiamento, também foi inaugurado o Open Lab de Biotecnologia da UFMA, estrutura que dará suporte ao desenvolvimento de pesquisas e inovação em bioativos, bioprocessos e bioeconomia, ampliando as perspectivas de novos produtos e negócios ligados ao setor pesqueiro maranhense.

*Com informações da Codevasf
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Luciana Leão

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