Fatos do PLANALTO: Ego de candidatos atiça eleições em Brasília, por José Natal

O relacionamento político entre Ibaneis Rocha (PMB), ainda como Governador de Brasília, e sua vice, Celina Leão (PP), durante o mandato, nunca foi dos melhores. Civilizado, é bem verdade. Afinaram a viola e juntos cumpriram o contrato constitucional, e a comunidade que os elegeu, sem perceber ruídos (como sempre), bateu palmas e sugeriu continuidade.

Dos bastidores palacianos, desde a posse, em janeiro de 2023, rumores e informações sobre opiniões desencontradas chegavam com alguma frequência a aliados e adversários. Relevadas pelos fiéis escudeiros, apuradas com a devida malícia política pela oposição.

Reeleito ainda no primeiro turno da última eleição, em 2022, com 832.633 votos, Ibaneis Rocha, advogado, empresário nascido em Brasília em 10 de julho de 1971, foi criado no Piauí, estado onde ainda hoje tem familiares.

No último dia 20 deste mês de maio, em ato isolado, apenas com a presença do Presidente de seu partido PMB, Deputado Baleia Rossi, e dois amigos, em sua residência, Ibanes anunciou o rompimento político com sua ex-vice, Celina, alegando descontinuidade de acordos acertados entre os dois durante a gestão de Governo.

Manifestou, com ênfase, a vontade do partido em indicar um nome ao Palácio do Buriti, se afastando de vez da candidatura de sua vice, antes prestigiada e indicada por ele à sucessão no GDF.

Celina, no mesmo dia, pela rede social, respondeu que “sucessão não é sub-missão, antes meus gestos eram de vice-governadora, agora sou Governadora”. Com ar de revolta, disse também que sempre foi fiel ao Governo e ao governador, enfrentou problemas e nunca abandonou ações em benefício da comunidade.

O climão gerado pelos dois ex-aliados, de uma só vez, prejudica campanha de ambos de forma direta, gerando perspectivas altamente negativas devido às cenas explícitas de fragilidade partidária e de ideologia.

De camarote, atentos às vaidades afetadas dos adversários, os demais candidatos postulantes ao Governo ou ao Senado Federal comemoram, com alguma razão, os evidentes desencontros que serão gerados por essa cisão inesperada.

Na cartilha de todos eles, como acontece às vésperas e durante todas as campanhas políticas, todos os fatos negativos gerados pelos adversários são bem-vindos, comemorados.

As arruaças causadas pelos bolsonaristas em 8 de janeiro de 2023, em Brasília, que custou a Ibaneis “férias” forçadas, determinadas pela justiça, serão citadas por candidatos, com certeza.
Da mesma forma, e com um potencial bem mais pesado, colar o nome do ex-governador às tramóias de Daniel Vorcaro na decolagem do escândalo Master-BRB estará na pauta prioritária de todos eles.

Celina Leão, para muitos ainda verde politicamente para um embate de tal natureza, perder o apoio logístico (ou financeiro) de uma estrutura que, por certo, viria de Ibaneis, também entrará na cota de prejuízos que não estavam programados.

Como sempre acontece, horas depois de destemperos emocionais (e vaidosos) como esse de agora, a tropa de choque e a turma do deixa disso entram em ação, e os ânimos serenam, em parte.

Celina Leão tem a seu favor um forte contingente feminino, ligado ao PL (Partido Liberal), presidido pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, hoje favorita absoluta a ganhar uma cadeira no Senado Federal, bem avaliada segundo pesquisas.

Ao contrário do marido, Michelle, mesmo com ataques de adversários, tem demonstrado serenidade e se articula com equilíbrio junto ao eleitorado. Evangélica, lidera grupos influentes e, até agora, seu nome dispara na liderança sem ameaças.

Com habilidade, se aproximou do Ministro Alexandre de Moraes e fez do diálogo ferramenta útil a ela e ao próprio marido. Coisa que, segundo aliados de faz de conta, ele nem merecia.

Bia Kicis, também senadora do PL, amiga pessoal de Celina, sinaliza apoio à Governadora e reforça incentivo à candidatura dela ao Governo local.

À luz da razão, pelo quadro real dos dias de hoje, durante a campanha que parece ser das mais acirradas, Ibaneis Rocha talvez seja o que mais tenha que dar explicações ao eleitorado, e quem sabe ainda responder perguntas que, por certo, virão sobre a estranha e misteriosa venda do Banco Regional de Brasília (BRB) ao Banco Master, quando Ibaneis ainda governava Brasília.

Muito mistério ainda há de vir por aí. Ufa.

José Natal
Jornalista

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Redacao RNE

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