Se as denúncias, acusações, gravações e outras mazelas apresentadas pela Polícia Federal contra o Senador Ciro Nogueira (PP do Piauí), sobre a Operação Compliance Zero são verdadeiras, consistentes ou não, cabe à justiça decidir.
De qualquer forma, decididamente, o que está claro, evidente e inegável, confirme a justiça ou não, é que toda essa parafernália envolvendo o nome do Senador e as circunstâncias em que foram feitas, fere de morte e prejudica de vez qualquer perspectiva de apoio, ou mesmo participação, do parlamentar junto a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Está na memória de todos a atuação do Senador como Ministro Chefe da Casa Civil do Governo Bolsonaro. Aliás, é inclusive, apontado como um dos mais influentes e eficientes auxiliares do Presidente. Para alguns a melhor cabeça pensante (e para outros a única) da gestão bolsonarista, onde a carência de bons gestores sempre se fez presente, fato registrado, na surdina, por assessores mais próximos.
Ciro goza de elevado prestígio entre os colegas (vários partidos), é versátil nas articulações políticas e não por acaso alcançou sempre boa votação.
Na primeira eleição ao Senado, em 2010, recebeu a votação de 695 mil eleitores. Já em 2018 esse número saltou para 895 mil, aclamado pela população. Advogado e empresário, seu passe como político é disputado entre os melhores.
Por estas e outras razões paralelas, teve seu nome citado, com elogios, por colegas do partido para ser o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Até onde essa indicação prosperou, antes das denúncias de agora, ainda é segredo.
Mas, depois delas, tudo indica que estará perto do zero. Contestador, bem articulado inclusive entre seus colegas da Câmara dos Deputados, inúmeras vezes o Senador liderou debates em defesa de Jair Bolsonaro, atuando também como apaziguador diante das trapalhadas geradas entre a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro e os irmãos que nunca se deram bem.
Segundo bastidores da campanha, o candidato Flávio já se manifestou com lamento sobre as denúncias agora amplamente divulgadas. Se distanciar de Ciro Nogueira, para os mais próximos à campanha, pode não ser uma escolha agradável, mas necessária. Caso isso aconteça fica evidente um enfraquecimento em torno do ambiente político do candidato.
Aliados como o Pastor carioca, Malafaia (67 anos), que faz barulho e gritaria, politicamente incentiva como evangélico, mas divide opiniões dentro do grupo. Nikolas Ferreira (29 anos), para muitos um garoto prodígio influente junto a rede social, carece de credibilidade quando em pauta está em jogo uma candidatura presidencial.
Meio que submisso, e subordinado convicto de Bolsonaro, o Senador Magno Malta (68 anos), do Espírito Santo, mais atrapalha do que ajuda, e muito até os dias de hoje questionam, por que dão a ele tanta credibilidade. Em recente ato de rebeldia em um hospital de Brasília, descontente com um tratamento prestado por uma enfermeira, reagiu com violência e o caso acabou na polícia.
Ainda na equipe de apoio ao candidato Flávio, na verdade ainda em formação, o senador cearense Eduardo Girão (53 anos), também traz no currículo uma conhecida e nada razoável maneira agressiva de conduzir atos políticos.
Igualmente habilidoso, mas a quilômetros de distância da forma de agir como Ciro Nogueira, o coordenador da campanha, Senador Rogério Marinho, (62 anos), com certeza terá que dar tratos à bola para que se junte a ele alguém com um perfil pelo menos mais ajustado com a realidade política de momento.
A bancada de Vorcaro é supra partidária. Espera-se que agora, pelos menos, não venha dele mais indicações que afetem a campanha bolsonarista. Em resumo, seja qual for o resultado de apurações e denúncias e outras queixas que recaiam sobre os ombros de Ciro, quem mais perde é Flávio Bolsonaro.
Especialistas que transitam pelos caminhos agitados do Congresso Nacional, não enxergam no momento boas notícias a curto prazo. O tempo dirá.
José Natal
Jornalista

