Captação recorde por meio da Lei Rouanet amplia presença de projetos em cidades fora das capitais e reforça o papel da cultura na economia regional
Por Redação
Pelo terceiro ano consecutivo, a política federal de incentivo à cultura registrou volume recorde de captação de recursos. Em 2025, os projetos financiados por meio da Lei Rouanet mobilizaram R$ 3,41 bilhões em todo o país, um crescimento de 12,1% em relação a 2024 e de 45,1% na comparação com 2023.
Os dados divulgados pelo Ministério da Cultura indicam uma trajetória consistente de expansão do financiamento cultural e revelam uma mudança gradual no mapa dos investimentos.
A cultura começa a chegar com mais intensidade a cidades fora dos grandes centros, ampliando oportunidades e fortalecendo economias locais. Mais do que um indicador do setor artístico, o desempenho recente da Lei Rouanet sinaliza um movimento de descentralização que acompanha outras agendas estratégicas do país, como infraestrutura, turismo e energia e que, no caso da cultura, ganha relevância por seu impacto direto na formação de jovens, na valorização das identidades regionais e na geração de renda.


Avanço no Nordeste
No Nordeste, esse movimento aparece de forma clara. A região registrou crescimento acumulado de 57,4% na captação desde 2023, passando de R$ 148,6 milhões para R$ 233,9 milhões em 2025. Na comparação com 2024, quando foram captados R$ 223,6 milhões, a evolução foi de 4,6%.
Os números indicam um processo de amadurecimento do setor cultural regional e maior capacidade de organização de produtores, municípios e instituições culturais. Também sinalizam a expansão de projetos em cidades médias e pequenas, onde iniciativas culturais costumam ter impacto direto na economia local e na vida comunitária.
Nesse contexto, a interiorização do fomento cultural passa a ser percebida não apenas como política pública, mas como estratégia de desenvolvimento territorial, capaz de estimular turismo, movimentar o comércio e criar novas oportunidades de trabalho.
Cultura no interior
No momento, 4.866 projetos culturais viabilizados por meio da Lei Rouanet estão em execução nas 27 unidades da federação, sendo 424 nos estados nordestinos. Entre as iniciativas estão programas de formação e inclusão cultural como o Projeto Um Salto para o Futuro, na Bahia; o Teias da Juventude, no Ceará; a Orquestra Jovem de Maragogi, em Alagoas; a Orquestra Jovem, em Sergipe; a Pracatum Escola de Música e Tecnologias, também na Bahia; e a Filarmônica na Escola e na Comunidade, no Rio Grande do Norte.
A presença crescente desses projetos em diferentes estados da região evidencia o fortalecimento do mecanismo como principal instrumento de fomento cultural do país e reforça a capacidade da cultura de gerar oportunidades fora dos grandes centros urbanos.
De acordo com o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Henilton Menezes, o cenário confirma que o sistema de financiamento cultural está mais estruturado e acessível em todo o território nacional.
“A nacionalização das ações é o caminho para que a cultura seja, de fato, um direito de todos os brasileiros e um propulsor do desenvolvimento econômico em todos os estados”, destacou.
Impacto na economia local

O avanço do financiamento cultural também revela uma mudança de percepção sobre o papel da cultura na economia brasileira. Em cidades do interior, projetos culturais costumam movimentar uma cadeia de serviços que envolve produção técnica, transporte, alimentação, hospedagem e comércio local, um efeito multiplicador que fortalece economias regionais e amplia a circulação de renda.
No Nordeste, esse movimento se conecta diretamente com a vocação turística e cultural da região e com a busca por novas atividades capazes de diversificar a economia e gerar oportunidades fora dos grandes centros urbanos.
Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o crescimento da captação de recursos reflete a ampliação do acesso às políticas culturais e o fortalecimento das economias locais.
“O crescimento da captação mostra que estamos ampliando o acesso à cultura em todo o país. Levar investimentos para diferentes regiões significa fortalecer identidades locais, gerar oportunidades e reconhecer a cultura como parte do desenvolvimento do Brasil.”
Segundo a ministra, a interiorização do investimento cultural passa a integrar um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas ao desenvolvimento regional, aproximando cultura, educação, turismo e economia criativa em uma agenda comum de crescimento e inclusão social.

Interiorização do fomento cultural em números
》R$ 3,41 bilhões captados em 2025 por meio da Lei Rouanet
》Crescimento de 12,1% em relação a 2024
》Alta de 45,1% na comparação com 2023
》R$ 233,9 milhões captados no Nordeste em 2025
》57,4% de crescimento na região desde 2023
》4.866 projetos culturais em execução no país
》424 projetos em estados nordestinos
》Expansão de iniciativas culturais em cidades médias e pequenas, impulsionando turismo, formação profissional e geração de renda

